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20/01/2011

Venda de madeira por assentados acirra conflito em Anapu, no Pará

Madeireiros chegam a pagar R$ 5 mil a agricultores para entrar na área do PDS Esperança.

A conivência de alguns assentados de Anapu, PA, com o corte ilegal e a retirada de madeira do PDS Esperança será investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) de Altamira. Para entrar na área, os madeireiros chegam a pagar R$ 5 mil aos agricultores, o que tem provocado revolta da maioria das famílias. O procurador da República Bruno Gutschow anunciou que o MPF está trabalhando para identificar e punir quem vende madeira para as serrarias de Anapu. 

Na área onde funciona o projeto de desenvolvimento sustentável implantado pela missionária Dorothy Stang, assassinada por pistoleiros em 2005, as famílias fecharam há uma semana as estradas de acesso ao projeto para impedir a entrada de caminhões das empresas madeireiras. As polícias civil e militar estão no local, mas o clima ainda é tenso por conta das ameaças de confronto entre os dois lados. 

No meio da disputa está o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), acusado de ter abandonado os agricultores à própria sorte. A fiscalização dos órgãos ambientais também pouco aparece na região, o que facilita a entrada das madeireiras para derrubar a floresta que cerca o assentamento. 

O padre Amaro Lopes e as freiras Jane Dwyer e Katia Webster, que continuam o trabalho da irmã Dorothy Stang, estão no local onde os assentados bloquearam a estrada e continuam acompanhando de perto a situação. As famílias querem que o governo permita a construção de guaritas de segurança para inibir a entrada de caminhões das madeireiras no assentamento. "Isso já existe em outra área próxima e deu certo", explicou Lopes. 

A superintendente do Incra de Santarém, Cleide Antonia de Souza, participou nesta terça-feira (18/01) de uma reunião com as lideranças dos assentados para ouvir suas reivindicações. Além dela estavam presentes representantes do MPF e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).


Fonte: Globo Rural Online



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