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14/02/2016

Um pé no freio das boas intenções de Barack Obama contra o aquecimento global

Um grupo de 27 estados, liderado pela empresa de carvão Virgínia Ocidental e pelo produtor de petróleo Texas* foi o responsável por bloquear o plano de metas de redução de carbono dos Estados Unidos. No dia 10 de fevereiro, a Suprema Corte daquele país decidiu que tal plano, chamado de Plano de Energia Limpa pelo presidente Barack Obama, não poderia ser posto em prática até que todos os desafios legais fossem resolvidos. Entre os desafios legais, está o argumento do grupo, de que exigir corte de emissões é uma violação aos direitos dos estados (leia aqui, em inglês).

Ocorre que o Plano de Energia Limpa, projetado para cortar as emissões do país em 28% até 2030, foi um dos  elementos chave para o aclamadíssimo acordo climático finalmente conseguido em Paris, na COP-21, em dezembro do ano passado. É claro que não se pode entender que uma ação como essa, isolada, será capaz de desafiar o trato feito entre 196 países, mas é bom visitar a história. Até porque, informação e reflexão nunca serão demais.

Em 2009, o presidente Obama estava recém-eleito quando aconteceu a décima-quinta Conferência do Clima em Copenhague, a COP-15, de triste lembrança para muitos ambientalistas. A expectativa, criada praticamente durante todo o ano (a Conferência aconteceu, como sempre, em dezembro) era de que os Estados Unidos chegassem ao Bella Center, onde aconteceu o encontro, com boas notícias, puxando um acordo. Não foi o que aconteceu. Sem margem de manobra, Obama apresentou uma já conhecida e polêmica meta de corte de redução de emissões em 17% para 2020, com 2005 como ano-base. Alegando ser a maior economia do mundo e, ainda assim, o segundo país emissor, ele jogou o problema para a frente, exigindo que a China, o primeiro país emissor, se posicionasse com relação à redução de emissões.

Nunca é demais lembrar que reduzir emissões de carbono significa, principalmente, fazer uma mudança bem profunda na economia de um país. Os combustíveis fósseis, que a ciência já provou serem extremamente responsáveis pelo acúmulo de gases poluentes na atmosfera, são também uma espécie de espinha dorsal do desenvolvimento econômico fortemente almejado. Começa aí a encrenca. E já existem algumas campanhas, como a liderada pelo jornal britânico “The Guardian”  que pretendem mostrar ser possível – e extremamente desejável para uma atmosfera mais saudável para os humanos – não extrair mais petróleo e gás das entranhas da Terra.

Voltando a 2009, o discurso de Barack Obama, feito no dia 18 de dezembro para uma ansiosa plateia de negociadores, foi recebido com um pesado silêncio. E pôs fim às expectativas. Dali não sairia acordo nenhum.

Seis anos depois, porém, a situação parecia ter mudado bastante. Já em novembro de 2014 Estados Unidos e China chamaram a imprensa para anunciar um acordo, que não era bem um acordo, mas um anúncio de promessas (leia aqui) . Num cenário emoldurado pelas bandeiras dos dois países, Barack Obama disse que pretendia cortar entre 26% e 28% as emissões de gases em até 11 anos, ou seja, até 2025, o que representava um número duas vezes maior que as reduções previstas entre 2005 e 2020.  Xi Jinping, por sua vez, apenas se comprometeu a cortar as emissões até 2030 e disse que poderia começar antes. Até lá, porém, 20% da energia de seu país passariam a ser obtidas em fontes renováveis.

Um ano depois, em seu discurso pós-COP-21, Barack Obama elogiou o acordo conseguido na França e disse que foi “a melhor chance de salvarmos o planeta em que vivemos”. O trato, dessa vez, não especificou exatamente quanto cada país vai diminuir de emissões, isso ficou para que cada um decidisse. Mas, juntas, as nações decidiram que o aquecimento global ficará limitado a 1,5 grau acima das temperaturas registradas no período pré-Revolução Industrial. Se possível.

Com a decisão da Suprema Corte, porém, por ora os Estados Unidos vão botar um pé no freio dessa intenção. Embora cinco estados tenham anunciado que seguirão com seus programas de cortes para fazer valer a meta de redução de 28%, não é a mesma coisa. E é preciso lembrar ainda que, em 1997, Bill Clinton assinou o Protocolo de Kyoto, comprometendo-se a reduzir as emissões até 2012, mas o Congresso rejeitou. E os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo.

Vida que segue, hoje os tempos são outros. A convite das Nações Unidas, os líderes mundiais que se comprometeram com a redução do aquecimento global em Paris estarão reunidos em Nova York, no dia 22 de abril – o Dia da Terra – numa mega cerimônia de assinatura desse acordo.  Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, tem a intenção de usar a data, e certamente aproveitar os holofotes da mídia que cairão sobre o encontro, para envolver ainda mais “os líderes de negócios e da sociedade civil para colocar o novo acordo entrar em ação”, segundo o site sobre as metas de desenvolvimento sustentável da organização (veja aqui) .

Ou seja: há um clamor, pelo menos por parte dos chefes das nações, para manter o aquecimento a 1,5 grau. A questão é saber quanto desse clamor é ouvido e respeitado pelos cidadãos. Nesse sentido, uma pesquisa publicada ontem (11) no próprio “The Guardian”, não é muito otimista com relação aos Estados Unidos.  O estudo mostrou que apenas 38% das crianças em idade escolar no país aprendem na escola que o aquecimento global está diretamente ligado aos combustíveis fósseis. E a maioria dos professores não gasta mais do que uma hora, por ano, falando sobre esse assunto em sala de aula.

Ainda segundo o estudo, a maior parte do tempo investido pelos professores foi mal investido porque eles não atualizam o tema. Cerca de 7% dos professores fazem questão de atribuir causas naturais, não atividades humanas, às mudanças climáticas e 4% simplesmente evitam falar sobre o assunto. Outros 22% disseram que procuram mostrar para os alunos que não há consenso científico ainda sobre o que leva ao aquecimento do planeta, o que, de verdade, não é uma informação correta. Apenas 30% dos professores do Ensino Médio e 45% dos professores da “High School” disseram perceber que a atividade humana é o principal motor das mudanças do clima.

A conclusão da reportagem é que as gerações de norte-americanos que serão mais afetadas pelas consequências das mudanças climáticas não estão recebendo informações necessárias para lutar contra o problema. Fiquei imaginando quais seriam os resultados se uma pesquisa semelhante fosse feita em países pobres.

A informação que faltava aqui nesse texto é: pelo menos 55 países, representando pelo menos 55% das emissões globais de gases com efeito de estufa, são necessários para ratificar o acordo de Paris para que ele possa ter efeito legal. Ou o trato entre as nações na capital francesa, comemorado com pompa e circunstância, não vai passar de uma retórica inútil. Vamos ficar atentos.

 


Fonte: Amelia Gonzalez - G1, com informações do Jornal "Valor Economico"



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