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29/05/2017

Sudeste lidera a economia brasileira



A região Sudeste lidera a economia brasileira, embora o conceito e a prática de sustentabilidade econômica, social e ligada aos recursos naturais, com suas singularidades, indicadores, demandas e ofertas devam ser uma constante preocupação estratégica no planejar de governos, numa perspectiva de tempo, para que sejam reduzidas as desigualdades  num país continental como o Brasil e ao transformar potencialidades em riquezas compartilhadas entre os ricos, pobres e remediados, através de estimulantes políticas públicas, distribuição mais justa da renda per capita e até com a redução da carga tributária, excessiva.   
O Brasil tem hoje 207,4 milhões de habitantes e Minas Gerais segue essa mesma lógica populacional, com seus 21,1 milhões de mineiros (IBGE/04/05/17), sendo 85,0% concentrados nas cidades e regiões metropolitanas, um fato demográfico comum nos países mais avançados e nos em desenvolvimento, o que acarreta pressões hercúleas sobre os territórios urbanos e sinaliza poucos no campo produzindo para sustentar milhões de brasileiros e o exportar do agronegócio. Em 1950, o Brasil abrigava 63,8% da população total no campo (Seapa-IBGE).
Entretanto, é estratégico que o país, que foi povoado do litoral para o interior desde 1500, tenha programas e projetos para consolidar ainda mais a agro economia, âncora verde, não apenas nas regiões tradicionais como também naquelas vocacionadas para grandes projetos agrícolas, incluindo-se a agricultura irrigada, pecuários e florestais sustentáveis pelos mercados ao acessar as tecnologias e auferir ganhos de produção, produtividade e qualidade também nas geografias planas, mecanizáveis em larga escala, e atraindo mais agroindústrias de porte, que agrega valores às matérias-primas oriundas das culturas e criações.
São muitos os bons exemplos, entre os quais: Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste. E mais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso (que deve liderar a produção brasileira de grãos em 2016/17), Goiás, e ao que se podem acrescentar os avanços presumíveis do agronegócio num horizonte de tempo no Maranhão, Tocantins, Piauí e na Bahia, também conhecidos, no conjunto, como Matopiba. Além disso, não basta produzir com eficiência e igualmente exige transportar com eficácia.
Porém, não significa abandonar a agricultura de montanha, praticável, em função das múltiplas vocações regionais, tecnologias apropriadas e pactuadas em nível de campo. Ainda é o caso do café cultivado, e muito, nas regiões montanhosas do Estado. Em média, Minas Gerais responde por 50,0% da oferta brasileira de café, 70,0% das exportações, que saem dos cafeicultores mineiros, e essa cultura emblemática também avança nos cerrados, como no caso de Patrocínio (MG) e sem excluir também a fruticultura.
Assim posto, nesses cenários mais abrangentes, a região Sudeste brasileira concentra altas taxas de urbanização e tem o seguinte perfil; São Paulo, 96,6%; Rio de Janeiro, 97,3%; Minas Gerais, 84,6%; e Espírito Santo, 84,5%(IBGE), e com média geral de 90,7% (MME-2012). O Sudeste ocupa apenas 11,0% do território nacional, mas responde por 55,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País e soma ainda 85,7 milhões de habitantes (IBGE-2015).
Se se mantiver esse percentual de 55,4% do PIB nacional em 2016, a preços correntes e apenas para efeito de cálculo, o PIB/Sudeste atingiu R$ 3,46 trilhões em R$ 6,26 trilhões, mas novos dados podem alterar essa configuração econômica, concentrada. E os recursos hídricos para múltiplos usos nos cenários rurais e urbanos, pois a água é uma só para todas as serventias?
De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), o Sudeste abriga 6,0% da água doce de superfície. Um desafio e tanto, sem dúvida alguma, o que não é caso muito específico de Minas Gerais ao concentrar no seu território, com 58,6 milhões de hectares, as mais estratégicas malhas hídricas e à exceção da bacia Amazônica.
Além disso, as inovações poupadoras desse recurso natural, insubstituível, incluem as boas práticas no manejo do solo e da água, que não devem ser subestimadas nas bacias hidrográficas. O processo de urbanização é irreversível e onde se concentra a substantiva massa salarial e o predomínio absoluto dos consumidores de alimentos, fibras, biomassa, agro energia e produtos dos sistemas florestais, entre outras vertentes da economia brasileira.
Entretanto, nos sistemas agroalimentares, faço uma alusão histórica devida ao engenheiro agrônomo Sérgio Mário Regina, extensionista mineiro de ponta há décadas e com extraordinário domínio das tecnologias de horticultura, enquanto presente nesse mundo, ao reafirmar sempre; “Da semente ao guichê,” e eixo por onde hoje também transita o vigoroso agronegócio mineiro, nacional e compartilhado entre os mercados, as políticas públicas, os talentos humanos nas artes de plantar, criar, abastecer e exportar, e que se fundamenta também na assistência técnica, pesquisa agropecuária e florestal.
Há que se repetir que, entre 2014 e 2016, o agronegócio brasileiro gerou um superávit acumulado de US$ 226,58 bilhões (MAPA), dinheiro para ninguém botar defeito e numa economia claudicante como a que se vive hoje nesse país continental, embora ele já emita alguns sinais de melhoras e esperanças também para 14,2 milhões de desempregados (IBGE-abril/2017) e aproximadamente 4,9 vezes maior do que a população de Brasília(DF) estimada em 2,9 milhões de habitantes em 2016(IBGE) e 1,65 vezes superior à população da Àustria, que tinha 8,6 milhões de habitantes em 2016.


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro Agrônomo



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