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24/11/2005

Sistemas agroflorestais: uma técnica da silvicultura que favorece a otimização do uso da terra

De acordo com estimativas já realizadas, 60% das terras cultivadas no mundo são administradas por métodos tradicionais e de subsistência.

Nas regiões tropicais os pequenos agricultores adaptaram-se a métodos de produção de certa forma danosos ao ecossistema, visto que sem maiores aporte tecnológicos, cultivam a terra para o atendimento de suas necessidades imediatas, tais como: a obtenção de alimentos em curto prazo, visando o retorno imediato do capital investido, entre outros fatores, deixando de aproveitar as áreas de plantio de forma mais racional e originando certos agravantes como a erosão dos solos, assoreamento do leito dos rios, simplificação drástica da paisagem, alterações climáticas, entre outros danos, em fator do uso de técnicas pouco sustentáveis.

O plantio de culturas destinadas à produção de alimentos não está limitado a áreas que necessariamente precisam ser preparadas, o aproveitamento de áreas florestadas, como as capoeiras, é uma solução econômica e ecologicamente viável, desde que bem planejada.

As capoeiras são formações florestais que substituem a que anteriormente existia, devido a perturbações naturais ou antrópicas, atingindo um estágio estável. As áreas de florestas naturais são largamente exploradas pelos agricultores da região amazônica mediante a agricultura de subsistência que praticam, ocorrendo logo depois da colheita o abandono da área, o que resulta no surgimento de uma nova vegetação com características completamente diferentes da que existia primeiramente. Uma das soluções mais viáveis para que haja uma possibilidade de aproveitamento destas áreas é a aplicação de um manejo direcionado, com plantios de enriquecimento, e a introdução de espécies de valor econômico visando a formação de um sistema diversificado de produção.

Uma das técnicas da silvicultura mais conhecidas são os sistemas agroflorestais, que são caracterizados estruturalmente pelo consórcio de espécies agrícolas juntamente com espécies florestais e ainda animais, implantados de acordo com os objetivos do produtor, susceptíveis a alterações e/ou introdução de outros componentes ao longo do tempo, tendo como prioridade a produção de alimentos, além de outros produtos de valor econômico.

Todo sistema agroflorestal pode ser planejado para ser ecologicamente eficiente e superar de longe os sistemas agrícolas de monocultivo. Entretanto, pelo fato de não existir um sistema de informações sistematizado, relacionado à viabilidade econômica e modelos sustentáveis, não há maior adoção por parte dos produtores. Além disso, há a necessidade de ampliação do quadro de assistência técnica que seja direcionada para assessorar o produtor no estabelecimento e manejo dos SAF. Vale ressaltar que como os sistemas agroflorestais são formas de uso da terra mais intensivas que a silvicultura tradicional (reflorestamento), há como grande desvantagem a retirada de maior quantidade de nutrientes do sistema, cuja reposição deve ser considerada no decorrer de sua duração.

Os ecossistemas naturais alterados por atividades antrópicas necessitam de estudos contínuos a fim de que se possa elaborar planos de manejo racionais e viáveis para essas áreas. Os sistemas agroflorestais superam os sistemas de monocultivo ecológica e economicante, entretanto, as lacunas supracitadas favorecem a continuidade da secular agricultura de corte e queima (“slash and burn”), ou de subsistência.

As espécies a serem utilizadas num sistema agroflorestal, ou mesmo em programas de enriquecimento em áreas de capoeira, devem ser selecionadas de acordo com suas características ecológicas, e devem apresentar viabilidade econômica ao agricultor, além de um mercado pré-estabelecido para garantir que o investimento seja factível. A tentativa permanente de se consorciar espécies produtoras de alimentos com espécies florestais se faz necessária, pois esta é uma das maneiras mais coerentes de se produzir garantindo o aumento da base florestal plantada e promovendo assim a redução de áreas desmatadas e o aproveitamento daquelas já abandonadas.

A Embrapa Rondônia participa de uma rede de pesquisa com as demais unidades da Embrapa da região Norte, mediante o projeto Recursos Florestais na Amazônia - Estudo de sistemas de produção e índices técnicos para a indicação de experiências em reflorestamentos, sistemas agroflorestais e manejo florestal em execução na Amazônia, e, assim, descrever os principais sistemas silviculturais em uso, formar bancos de dados e gerar índices técnicos regionais para estas áreas.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ALTIERI, M. A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989. ---p.

CAVALCANTE, P. B. 1991. Frutas Comestíveis da Amazônia. Belém, CEJUP. 5ª ed. 279 p. Il.

COPIJN, A. N. Agrossilvicultura sustentada por sistemas agrícolas ecologicamente eficientes. Rio de Janeiro, PTA/FASE. 1988. 46p.

SIQUEIRA, J. D. P. Opções para o desenvolvimento de sistemas florestais - problemas e oportunidades. CVRD. 1985. 19p.

SMITH et al. Tropical lands and their crops. 1992. 348p.

OLIVEIRA, F. A. et al., 1992. Monitoring Program of the Tropical Seedlings Performance in Growth on Degraded Site under Miyawaki Method in the Eastern Amazonia (EDB/FCAP/YNU Agreement, November, 1992), 35p.

SUDAM/PROJETO DE HIDROLOGIA E CLIMATOLOGIA DA AMAZÔNIA. Atlas Climatológico da Amazônia Brasileira. Belém, SUDAM. 1984 (Publicação, 39). 125p.

VIEIRA, L. S. Manual da ciência do solo: com ênfase aos solos tropicais. São Paulo, Ed. Agronômica Ceres, 2ª Ed. 1968. 464p. ilust.

Michelliny de Matos Bentes-Gama
Engenheira Florestal
D.Sc. em Ciência Florestal
Pesquisadora da Embrapa Rondônia
mbgama@cpafro.embrapa.br


Fonte: Embrapa Rondônia



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