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29/02/2012

Silvicultura é alternativa de renda

Maior parte dos novos projetos são implantados em propriedades de pecuária

O investimento em silvicultura como forma de recuperar áreas degradadas e diversificar renda cresce na preferência dos pecuaristas. Segundo dados da Secretaria da Agricultura, da Pecuária e do Desenvolvimento Agrário do Tocantins (Seagro), em 2011 as àreas dedicadas à florestas no Estado cresceram 40% em comparação com 2010 e passaram de 58.051 hectares para 83.204 ha. Da mesma forma, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais recebem aporte de pecuaristas.

A maior parte dos empreendimentos é desenvolvida em áreas de pasto degradado, como é o caso das Fazendas Santa Maria I, II e III, localizadas nas cidades de Paraíso do Tocantins e Porto Nacional, em Tocantins. “Como tinha área degradada e necessitava de madeira para outra atividade, iniciei o investimento. Porém, ao analisar os ganhos da silvicultura, dividi os 2,9 mil hectares ao meio, sendo metade de pasto e metade de eucalipto”, conta Hélio Lourenço Nevack, proprietário das fazendas, que se dedica a engorda de Nelore e possui 1,8 mil cabeças de gado.

Nevack recuperou o aporte da implantação de R$ 3,3 mil por hectare, exclusivamente com a venda de créditos de carbono. Os primeiros certificados foram vendidos por R$ 26 mas, neste ano, o valor não ultrapassa os R$ 7. “É pouco, mas este é apenas um complemento”, analisa o produtor que pretende comercializar a madeira em 2013. “Vou esperar crescer um pouco mais, até porque consegui prolongar o financiamento”, projeta.

Em São Paulo, 95% das implantações de silvicultura são realizadas em áreas de criação de gado, segundo dados da Teca Consultoria e Empreendimentos Florestais. “O produtor busca variação da fonte de renda com uma produção de baixa mão de obra e alto rendimento”, comenta Alexandre Barboza Leite, engenheiro agrônomo e sócio da Teca.

Mato Grosso do Sul é outro polo investidor devido à duas fábricas de celulose instaladas no Estado e que passam por expansão. No Estado, toda a área de silvicultura está em propriedades de criação de gado, diz Breno Pereira, consultor da Correnteza Gestão e Investimentos Rurais.

A realidade no Sudeste se deve aos altos valores da terra, obrigando as empresas de celulose a buscarem parceria com pecuaristas. “Implantamos 200 ha em 2011 e vamos implantar outros 400 ha em 2012 em uma antiga fazenda de pecuária no Mato Grosso do Sul”, afirma Pereira. Segundo o consultor, o proprietário do local desistiu da criação de gado ao comparar o rendimento das duas atividades.

Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (ABRAF), César Augusto dos Reis, os investimentos em novas áreas são realizados em regiões diversas do Brasil. “Os estados que mais atraem investimentos em novas áreas florestais são Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e Tocantins”, afirma.

O Brasil possui 6,7 milhões de ha de florestas plantadas, sendo 73% com eucalipto e 27% de pinus. Em 2010, o faturamento do setor chegou a R$ 51,84 bilhões e as exportações atingiram US$ 5,6 bilhões. A média de crescimento da atividade nos últimos cinco anos é de 3,5% ao ano.

O conselheiro da Sociedade Brasileira de Silvicultura, Amantino Ramos de Freitas, projeta a continuidade da elevação . “Este mercado tem relação direta com a renda per capita da região e país. Tendo em vista o crescimento significativo da renda per capita nas diversas regiões brasileiras, sobretudo no Norte e Nordeste, é de se esperar que essa demanda continue em ascensão”, avalia.

O custo de implantação varia conforme as condições de maquinário e mão-de-obra próprios e fica entre R$ 3,2 mil e R$ 5 mil por ha. O produtor acompanha o desenvolvimento durante seis anos, com pouca demanda de força de trabalho, e chega a negociar 25 hectares de eucalipto por valores entre 300 e 400 mil reais, segundo Alexandre Barboza Leite. “Durante os seis anos de cultivo, o pecuarista pode realizar desbastes para obter maior desenvolvimento das árvores, e ainda vende o material retirado”, sugere o engenheiro agrônomo.

O Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do governo federal, pode ser utilizado para financiar o produtor. No Plano 2011/2012 foram destinados R$ 3,15 bilhões, com taxa de juros de 5,5% ao ano, carência de até oito anos e prazo para pagamento de 15 anos.

Apesar dos pontos positivos na silvicultura, Leite deixa claro que não se trata da “salvação da pátria”, mas de mais uma atividade para diversificação de renda do produtor. É necessário analisar o alto investimento e o longo ciclo para analisar a viabilidade do empreendimento.

Leite afirma que existe um mito sobre os malefícios do eucalipto quanto à quantidade de água necessária para se desenvolver. “Existem alguns poucos impeditivos de cultivar eucalipto, mas não há nenhum prejuízo ambiental. Basta respeitar os 50 metros de distância das nascentes e 30 metros do curso do rio que não se registrará nenhum dano”, atesta.


Fonte: portaldoagronegocio.com.br



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