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09/03/2010

Setor Florestal Foi Um Dos Mais Atingidos no Chile

O Chile deve demorar entre seis meses e um ano para recuperar sua capacidade produtiva. A previsão foi feita por analistas chilenos e por empresários de diferentes setores, com a ressalva de que alguns itens de produção, como o vinícola, poderiam demorar ainda mais. Os especialistas acreditam que a recuperação será mais rápida agora do que em 1985, quando um terremoto de 7,8 graus de magnitude abalou ainda mais a economia chilena, que não tinha a solidez de agora

O Chile deve demorar entre seis meses e um ano para recuperar sua capacidade produtiva. A previsão foi feita por analistas chilenos e por empresários de diferentes setores, com a ressalva de que alguns itens de produção, como o vinícola, poderiam demorar ainda mais. Os especialistas acreditam que a recuperação será mais rápida agora do que em 1985, quando um terremoto de 7,8 graus de magnitude abalou ainda mais a economia chilena, que não tinha a solidez de agora.

"Ao contrário de 1985, o terremoto de agora encontrou o Chile num processo de franca recuperação, após a crise econômica internacional. Hoje, o país não tem restrições financeiras que prejudiquem os investimentos do setor publico ou privado para a reconstrução das áreas e setores afetados", disse o analista econômico Alejandro Fernández, da consultoria Geminis. Segundo ele, a recuperação da capacidade produtiva ocorrerá "dentro de seis meses". Mas Fernández  ressaltou que em alguns casos poderá demorar mais que 12 meses. "Não se pode pensar que as pessoas afetadas pela catástrofe tenham uma casa definitiva dentro seis meses e que as perdas de capital das vinícolas tenham sido recuperadas neste período. Mas o bom ritmo produtivo já estará em marcha".

Expansão

Na sexta-feira, o ministro da Fazenda chileno, Andrés Velasco, anunciou que o crescimento econômico de janeiro tinha superado as expectativas, registrando expansão de 4,3% frente ao mesmo mês de 2009 e de pouco mais de 1% em comparação com dezembro do ano passado. "O terremoto ocorreu num momento em que nossa economia se recuperava fortemente", disse Velasco.

Segundo ele, a economia chilena "está de pé, como confirmaram os números de janeiro". O ministro observou, porém, que agora é preciso ver os efeitos do desastre neste ritmo de crescimento. "Ainda é cedo para saber o quanto nossa economia foi atingida. Precisamos ver o que ocorrerá nos próximos meses".

Queda

O professor de economia da Universidade do Chile José Yáñez destacou que como os maiores prejuízos foram concentrados em regiões determinadas, como Maule e BioBio, será mais fácil adotar medidas de recuperação para essas áreas. "O fato de a catástrofe ter sido nestas áreas específicas permitirá avanços concretos na construção das casas e na capacidade produtiva, antes do inverno", afirmou. O inverno costuma ser marcado por baixas temperaturas nas regiões atingidas.

O gerente geral da Sociedade Nacional da Pesca (Sonapesca), Hector Bacigalupo, disse que os setores florestal e pesqueiro estão entre os mais afetados pelos tremores e pelo tsunami. "Cálculos preliminares indicam que metade destes setores, nas regiões atingidas, foi deteriorada. Mas a outra metade não está tão mal e poderia demorar entre três meses e um ano para se recompor", disse.

Na opinião do economista Francisco Castañeda, da Universidade de Santiago, a situação atual da economia chilena a deixa "em boas condições" para enfrentar os prejuízos causados pelo terremoto. Mas disse que sua expectativa é que a economia do país registre "uma baixa em fevereiro e mais forte ainda em março". Ele estima que esta queda, em março, poderia ser maior que 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas segundo o jornal "El Mercúrio", outros analistas especulam que em março, em função do desastre, esta queda poderia ser de até 9%. Apesar desse quadro, nesta semana a agência de risco Moody's manteve a mesma nota e avaliação positiva para o perfil da economia chilena, que tem grau de investimento, e destacou: "Esperamos uma desaceleração da economia, mas em breve, em 2010, uma recuperação".

País com 16 milhões de habitantes, o Chile importa grande parte do que consome e os seus principais setores produtivos são: pesca, agricultura, celulose e vinhos, além de cobre.


Fonte: BBC/Adaptado por Celulose Online



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