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26/12/2011

Semeadura direta mecanizada de árvores nativas chega a Bahia e apóia a recomposição de áreas-chave do Cerrado

A técnica foi utilizada em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, durante o Curso de Técnicas em Restauração Ecológica de Áreas Degradadas, ministrado pelo Instituto Socioambiental (ISA), e que integra a Campanha LEM APP 100% Legal

Pela primeira vez na Bahia foi promovido o plantio mecanizado de sementes nativas do Cerrado, que aconteceu durante o 2º módulo do Curso de Técnicas em Restauração Ecológica de Áreas Degradadas, realizado no início do mês em Luis Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. O experimento contempla a técnica  da “muvuca”, que consiste na mistura de sementes nativas do Cerrado, como Baru, Ingá e Ipê, com sementes agrícolas, como feijão catador, guandu, crotalária e milheto, sendo uma alternativa ao plantio manual de mudas. A mistura das sementes das mais diferentes espécies garante a diversidade de uma floresta, visando estimular a sucessão ecológica natural com o mínimo de intervenção, além de enriquecer e proteger o solo para o efetivo desenvolvimento das espécies nativas. 

A ação aconteceu em uma Área de Preservação Permanente (APP) na Fazenda Liberdade, de propriedade dos irmãos Gatto, e faz parte do curso ministrado pelo Instituto Socioambiental (ISA)visando disseminar as técnicas de recuperação de áreas degradadas como forma de apoiar as ações da Campanha LEM APP 100% Legal, uma realização da Prefeitura de Luis Eduardo Magalhães, do Instituto Lina Galvani e da Conservação Internacional (CI-Brasil), com a parceria da Monsanto.

O proprietário da Fazenda Liberdade, Vilson Gatto, que acompanhou o plantio mecanizado, revela-se entusiasmado com a técnica e já pensa em reservar uma outra área para restaurar. "Achei bem interessante essa prática na nossa propriedade porque, se der certo, poderá servir para outras fazendas fazerem o reflorestamento da APP". 

Os cerca de 30 profissionais que estão participando do curso modular - representantes do poder público, da iniciativa privada e de instituições de pesquisa do oeste da Bahia -, também acompanharam o processo e aprenderam sobre a técnica. O intuito é que eles se tornem potenciais multiplicadores desse mecanismo, que vem sendo  implementado pelos técnicos do ISA na Bacia do Xingu, no Mato Grosso (MT), ajudando a restaurar cerca de 2,4 mil hectares de áreas degradadas em beiras de rios e nascentes em mais de 215 propriedades rurais daquela região.

Vantagens – Mais barato e prático, o uso de maquinário agrícola como vincón e plantadeira de soja e milho para o plantio de sementes de espécies nativas viabiliza a plantação em grandes áreas que demorariam a ser recuperadas com o plantio manual de mudas. 

O técnico em restauração florestal do ISA, Eduardo Malta, entende que dentre as vantagens do plantio mecanizado está o baixo custo em comparação ao plantio de mudas, além de aproveitar o conhecimento agronômico já existente na propriedade. “Esta técnica vai trazer uma demanda por sementes, fortalecendo a rede de coletores do oeste baiano, que já está em formação”, afirma. 

Além do plantio mecanizado de sementes, durante o 2º módulo do curso foram também realizados outros experimentos como o plantio manual de mil mudas de espécies de Cerrado e o isolamento de uma área reservada para a regeneração natural. Os experimentos serão avaliados no terceiro e último módulo do curso, que acontecerá em maio de 2012.

Segundo Georgina Cardinot, gerente do Programa Cerrado Pantanal da Conservação Internacional, o curso é uma forma de repassar aos profissionais locais o conhecimento sobre as principais e mais modernas técnicas de recuperação que podem ser utilizadas na região, além de criar uma metodologia própria, levando em consideração as condições de degradação, solo, clima, tamanho da área e principalmente os custos para a recuperação. “Isso traz benefícios de longo prazo tanto para a conservação quanto para a produção, em uma relação ‘ganha-ganha’. A escolha da metodologia errada é ruim, porque desestimula os produtores e espalha a idéia de que é muito difícil recuperar”, afirma, ao frisar a importância do planejamento no sucesso dos esforços de recuperação de uma dada área.

Campanha APP Lem 100% Legal 

Lançada em 29/08/2011, com a participação da Associação dos Irrigantes e Agricultores da Bahia (AIBA), do Sindicato Rural dos Produtores Rurais de LEM e da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), a Campanha ajudará com apoio técnico e científico os produtores rurais e as comunidades tradicionais que voluntariamente queiram restaurar suas áreas degradadas. Depois das visitas aos produtores já cadastrados à Campanha, eles recebem um diagnóstico seguido de uma estratégia recomendada para a intervenção em prol da recuperação de sua área com espécies do Cerrado. 

Como forma de suprir a demanda de sementes nativas do Cerrado com as restaurações, a Campanha também mobiliza uma rede de coletores. Além de ser uma forma de geração de renda para os moradores das comunidades tradicionais, a rede também estimula e fortalece a valorização das espécies nativas do Cerrado local, levando à preservação do bioma. Com o foco na educação ambiental, a Campanha promoveu no dia 02/12/2011 a culminância do Festival das Sementes, que reuniu 150 estudantes e 15 professores de duas comunidades agrícolas – Bela Vista e Novo Paraná – de Luis Eduardo Magalhãespara o desenvolvimento de atividades relacionadas à preservação e à recuperação do Cerrado do oeste da Bahia.

Sobre a Conservação Internacional:
 
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global – amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Possui escritórios em Belo Horizonte-MG, Belém-PA, Brasília-DF e Rio de Janeiro-RJ, além de unidades avançadas em Campo Grande-MS e Caravelas-BA. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite www.conservacao.org. ou nossa conta no twitter @CIBrasil e facebook.


Fonte: portaldoagronegocio.com.br



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Comentário(s) (2)


jonas motta disse:

05/01/2012 às 10:25

parabenizo esse belo trabalho apresentado.

Ricardo Elói de Araújo disse:

04/01/2012 às 16:40

Vejo ser necessário um treinamento paralelo para os coletores de sementes, para que eles saibam a época certa de coletar, garantindo coleta de um percentual maior de sementes viáveis, e que saibam onde coletar, com foco no objetivo (se é para recompor vegetação em APP, tem que coletar semente em APP próxima da área a ser recuperada).

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