Facebook Twitter RSS

Notícia

Versão para impressão
A-
A+


24/08/2010

Seca brava que ameaça

Já são quatro meses sem chuvas na Região Norte de Minas. A forte estiagem esturrica córregos e causa apreensão aos pequenos agricultores e pecuaristas. O temor é grande. E todos rezam para que não se repita o que chamam de “catástrofe” de 2008, quando sentirem na pele a pior seca da história.

Luiz Ribeiro

Na maioria das cidades do Norte de Minas, não chove há quase quatro meses e os problemas decorrentes da estiagem já começam a aparecer, como o baixo nível de água (umidade) no solo e nos rios e córregos, que estão a cada dia mais secos. Os agricultores e órgãos de apoio ao setor agropecuário se preparam para enfrentar o pior. Isso porque, quanto mais o tempo passa, as intempéries da estiagem se agravam e a região ainda deve enfrentar mais, pelo menos, dois meses de “seca brava”. De acordo com o meteorologista Ruibran dos Reis, coordenador do Centro de Climatologia Minas Tempo, em meados de setembro, poderão ocorrer pancadas de chuvas isoladas em alguns lugares. Mas, chuva para valer mesmo somente no fim de outubro. 


No entanto, Ruibran relata que no Norte do estado já pode ser medida uma consequência cruel da escassez de chuvas: a baixa umidade do solo. “A porcentagem de água disponível no solo está abaixo de 10%”, constata o meteorologista. Com esse resultado, diminui consideravelmente o volume de água em rios, córregos, barragens e lagoas. Outro efeito do fenômeno é o rápido resecamento das pastagens e da vegetação em geral. “Com isso, há maior necessidade do uso da irrigação para manter as plantas”, observa Ruibran dos Reis.

Levantamento sobre a estiagem, elaborado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), mostra que em de junho já existia uma redução da oferta de água na região da ordem de 24%. De lá para cá, os recursos hídricos disponíveis reduziram ainda mais. No entanto, a Emater ainda não divulgou levantamento atualizado. O órgão também revela que as perdas nas lavouras de subsistência de milho e feijão foram de 50% enquanto a redução na capacidade de suporte das pastagens já chegava a 36%.

Em 2008, quando o Norte de Minas enfrentou uma das piores estiagens de sua história, os criadores da região amargaram sérios prejuízos com a mortandade do gado. De acordo com números da Emater, morreram na região cerca de 150 mil animais, de fome e sede. As perdas se acentuaram nos meses de outubro e novembro daquele ano. Agora, para evitar que a catástrofe se repita, o órgão desenvolve trabalho de orientação junto aos agricultores, para que eles voltem as atenções para garantir a alimentação e a água para o rebanho no período mais crítico da estiagem. “A seca no Norte de Minas é uma realidade. A primeira coisa que o agricultor – seja grande ou pequeno – tem que fazer é prevenir para não remediar depois, quando a estiagem aperta para valer”, observa Reinaldo Nunes de Oliveira, técnico do escritório regional da Emater em Montes Claros. Ele ressalta que a empresa de assistência técnica orienta os agropecuaristas para o manejo do gado e para a conservação das reservas – capineiras e silagem de milho e cana, milho, sorgo e feno.

PREVENÇÃO “Com as reservas estratégicas e plantio de capineiras é possível atravessar o período crítico da seca sem maiores percalços. Podemos verificar o exemplo da Europa, onde os agricultores conseguem superar seis meses de inverso rigoroso”, compara o técnico da Emater. Ele lembra que outra preocupação é com a conservação dos recursos hídricos, para garantir o abastecimento humano e manter os animais na fase crucial da estiagem. Uma das alternativas é a construção de barraginhas de captação de água da chuva. “Cada barraginha é capaz de acumular em torno de 100 mil litros de água da chuva que antes caíam e iam embora”, salienta Nunes de Oliveira. O técnico ressalta que também é desenvolvida uma ação ambiental, com orientação aos pequenos agricultores para proteger as matas ciliares e recompor a vegetação de topos de morros, iniciativas que resultam na maior oferta de água superficial e ajuda a preservar o lençol freático, evitando a erosão e o assoreamento dos córregos e rios.

O trabalho preventivo contra a escassez de alimento e água no período crucial da estiagem é reforçado em Janaúba, na microrregião da Serra Geral, uma das partes do Norte do estado mais atingidas pela escassez de chuvas. “Desenvolvemos a orientação desde o início do ano. O agricultor deve se preocupar com reservas estratégicas – das capineiras e da silagem – para ter comida para o gado durante a seca. Mas, também precisa conservar a água’, assegura Arquimedes Batista Neves, técnico da Emater em Janaúba.

Nos
meses de janeiro e fevereiro, a região de Janaúba experimentou um “veranico” que destruiu grande parte das lavouras de milho e feijão. Em março, as chuvas voltaram a cair nessa parte do estado, contribuindo para elevar o volume dos mananciais. Porém, desde maio não chove na região, onde nos últimos dias, uma cena – já antiga – voltou a ser vista novamente: caminhões-pipas levando água para comunidades rurais.

Sem água, sem criação

Luiz Ribeiro

Embora a seca ainda não tenha atingido o seu estágio crucial, em diversos municípios do Norte de Minas, os pequenos agricultores já convivem com rios e córregos esturricados, sem poder criar o gado por falta de pasto e de água. “A nossa salvação está sendo uma cisterna”, conta o aposentado João Lima, de 83anos, dono de um sítio na comunidade de Mocambo Firme, no município de Montes Claros. “Se não fosse a cisterna, a gente não teria como criar galinha e porco e nem mesmo molhar as plantas. Morreria tudo”, diz “seu” João. O córrego Cabeceiras, que atravessa Mocambo Firme, já está completamente seco. O experiente agricultor relata que, devido escassez de recursos hídricos, não tem como criar nem sequer uma vaquinha no sítio. “Sem água, não dá para criar o gado”, disse.

Resignado, Hélio Alves, de 50 anos, outro morador de Mocambo Firme, afirma que os problemas da estiagem se repetem a cada ano. “A gente tem que se preparar porque a seca, quando chega de vez, castiga muito”, diz Hélio, que recebe água captada em um poço tubular. “Desta vez, o que espero é que a seca não seja tão pesada como ocorreu dois anos atrás”, diz Hélio, lembrando da mortandade de reses em 2008. Ele ressalta ainda a necessidade de construção de mais barragens na região. Ainda na mesma comunidade, a moradora Maria do Carmo, de 38, destaca a importância da preservação da água. “Para nós, a água é tudo. Sem água, não podemos plantar nada”, disse.

 

O melhor é prevenir

 

Graziela Reis

 

“Depois da seca instalada, não há muito o que fazer.” A frase da pesquisadora da Embrapa Cerrados, Arminda Moreira de Carvalho, mostra a importância da prevenção em regiões que sofrem todos os anos com a falta de chuvas. Ela explica que o produtor rural, independente do seu porte, tem de fazer um planejamento anual para enfrentar a seca ainda no período das águas. “Temos zoneamentos agroclimáticos que são divulgados anualmente. Eles já podem ajudar a programar o plantio de acordo com as condições do clima”, explica.

Mas mesmo os agricultores e pequenos pecuaristas que não têm acesso a essas informações podem se preparar para garantir o manejo das propriedades durante a estiagem. Em março esse planejamento já deve estar pronto, uma vez que a seca, mesmo sem ser convidada, marca presença nas fazendas. Uma das alternativas apresentadas pela pesquisadora é a do plantio de plantas de cobertura, como o milheto, o sorgo, o feijão bravo do Ceará, a mucuna e crotalárias. “Semeadas no fim do período de chuvas, elas ajudam o solo a aguentar esse baixo teor de água. O importante é não deixar a terra descoberta”, explica Arminda de Carvalho. Dessa forma, quando o produtor voltar a plantar qualquer outra semente, como milho, por exemplo, o solo não vai estar tão sacrificado e a produção da lavoura pode ser maior.

A irrigação é uma das alternativas, mas ela só é possível em propriedades que contam com rios que não secam durante a estiagem. “E o programa de bacias de captação de água de chuva também pode ser eficiente, mas elas também não se mantêm por quatro meses ou mais”, observa a pesquisadora. Cisternas, em sua opinião, são apenas para subsistência e pequenas criações, de frangos ou suínos.


Fonte: Estado de Minas



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (0)


CIFlorestas disse:

08/12/2019 às 11:14

Nenhum comentário enviado até o momento.

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

As mais lidas


Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

Do ponto de vista técnico e operacional, qual é a melhor unidade para comercialização da madeira para carvão?

volume de madeira sólida (metro cúbico)
tonelada de madeira
metro estéreo ou metro de lenha
unidade ou peças de madeira

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


2605 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE  |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey