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16/10/2017

Quais são os ganhos com tecnologias no campo?


Os estabelecimentos rurais são elos estratégicos e indispensáveis de um poderoso sistema agroalimentar que abastece o mercado interno, as agroindústrias, garantem as exportações do agronegócio brasileiro, sustentam a nossa balança comercial e se associam também à oferta de energia limpa renovável, embora o “Império do petróleo e seus derivados” continuará por muitas décadas no avançar desse século 21. Seria ingenuidade decretar sua falência prematura como forma de energia usada nos quatro cantos da Terra, se bem que a energia solar vem andando a passos largos.

Além disso, analistas de plantão, pouco afeitos à complexidade do agronegócio, insistem em afirmar sem nenhuma prova mais convincente, que a agricultura brasileira estaria dizimando os recursos naturais nesse país de 8,51 milhões de km2, a quinta maior extensão geográfica do mundo. Na safra agrícola 2016/17 foram cultivados 60,9 milhões de hectares com grãos, cereais e oleaginosas ou apenas 13,97% do território nacional (Conab).

De outro ângulo, não menos importante, comparando-se a safra agrícola brasileira de 1976/77 com a de 2016/17 a oferta de grãos cresceu 409%; a produtividade média por hectare, 210,7%; e a área cultivada apenas 63,2%. Se se tivesse mantida a produtividade média de 1,258 tonelada por hectare, havida na safra de 1976/77, a área de plantio exigida seria de 189,7 milhões de hectares e não apenas a de 60,9 milhões para colher 238,7 milhões de toneladas em 2016/17, portanto, uma diferença para mais de 128,8 milhões de hectares de novas áreas cultivadas ou ainda 2,19 vezes maior que Minas Gerais e seus consideráveis impactos adversos sobre os recursos naturais e a biodiversidade.

Vale salientar que de janeiro a setembro de 2017, numa economia claudicante como a do Brasil, o agronegócio gerou um superávit de US$ 62,95 bilhões, um novo desempenho auspicioso (Seapa).

Embora o futuro seja uma projeção, principalmente a de longo prazo, podem-se aceitar minimamente como factíveis quatro cenários: crescimento da população mundial; aumento da demanda por alimentos de origem animal e vegetal; avanços nas fontes de energia limpa alternativa e altas taxas de urbanização, irreversíveis.  Porém, essa convergência também implica em sistemas de abastecimento mais sofisticados e eficientes entre o campo e a mesa do consumidor onde ele estiver e auferir renda suficiente para suprir suas necessidades básicas essenciais.

O desempenho do campo está igualmente submetido às políticas públicas e regras dos mercados, o que não implica em afirmar que os empreendedores rurais, sejam eles familiares, médios e grandes empresários, não dependam dos estímulos de governos (ou de entraves) num universo geográfico com 5,2 milhões de estabelecimentos rurais e dos quais 551.617 estão nos domínios de Minas Gerais.
Torna-se também necessário reafirmar que o produtor rural tem compromissos indelegáveis com a sustentabilidade dos recursos naturais, mas essa conta é também da sociedade a que ele abastece e ele demanda por outro lado, no exercício de sua missão multiplicadora e conservacionista em nível de cenários rurais, insumos agropecuários, tecnologias, assistência técnica e requer a adoção de boas práticas nas culturas e criações.

Segundo o Eng. Agrônomo Maurício Fernandes, Mestre em Ciência do Solo, “a agricultura é uma verdadeira fábrica de alimentos, fibras, biomassa e energia limpa renovável.”

Como pano de fundo, nos eixos econômico, social e ambiental, emerge substantivamente a necessidade de investir em pesquisa, desenvolvimento e colocar as inovações disponíveis ao alcance de milhões de empreendedores rurais através das modernas tecnologias de informação, ou de antigas e tradicionais técnicas de comunicação visto o enorme número de pequenos produtores sem acesso aos modernos meios de comunicação, que devem universalizar os saberes científicos e tecnológicos necessários à tomada de decisão dos agentes públicos e privados.

Entretanto, segundo o pesquisador da Embrapa, Eliseu Alves, “a rentabilidade econômica é um fator poderoso na adoção ou rejeição das tecnologias propostas na agropecuária”, ou seja, sem rentabilidade econômica não subsiste nenhuma atividade empresarial, inclusive no campo.


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro Agrônomo



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