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12/08/2010

Projeto bilateral vai gerar mais dados sobre a atmosfera amazônica

Acordo vai criar uma torre de 320 metros de onde serão coletados dados relativos à troca de gás carbônico entre floresta e atmosfera, evapotranspiração, fluxos de energias e o processo de formação das nuvens na Amazônia.

Um acordo bilateral entre os governos do Brasil e da Alemanha vai permitir o estudo mais complexo da atmosfera amazônica, a partir de informações que serão geradas pelo Observatório Amazônico de Torre Alta (ATTO). Trata-se de uma torre de 320 metros, de onde serão coletados dados relativos à troca de gás carbônico entre floresta e atmosfera, evapotranspiração, fluxos de energias e o processo de formação das nuvens na Amazônia, entre outros.

A formação de nuvens determina o regime de chuvas e esse processo recebe influência das trocas gasosas entre atmosfera e a floresta (biosfera) através dos aerossóis. Importantes também na ciclagem de nutrientes, os aerossóis são partículas que estão presentes naturalmente na atmosfera  (p. ex. fungos, pólen, fuligem, poeira de solo, etc.). O ATTO funcionará 24 horas por dia no período de 20 a 30 anos.

No acordo bilateral, o Brasil está representado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ambos sediados em Manaus. Pela Alemanha, está o Instituto Max Planck de Química, com sede na cidade de Mainz. O ATTO será o primeiro equipamento desse porte na América do Sul e ficará na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, em São Sebastião do Uatumã, Amazonas.

Segundo informou a Assessoria de Comunicação do Inpa, o planejamento do projeto começou em 2007, mas ainda está em fase implementação devido à demanda por uma considerável logística que envolve a instalação de laboratórios, moradias, sistema de energia e meios de acesso ao local. Jochen Schöngart, cientista do Max Planck, afirmou que o ATTO fornecerá dados mais confiáveis sobre a floresta Amazônica e sua interação com a atmosfera.

“A vantagem dessa torre grande é o alcance na camada limite atmosférica, com isso, vai obter um sinal muito estável, não sofrerá tanto as variações de dia e noite. O problema dessas pequenas torres é essa variação de dia e noite. À noite as turbulências na floresta são muito baixas, o gás carbônico não é mais visível no fluxo vertical”, declarou Schöngart à Ascom, referindo-se às torres do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

Complementar ao ATTO, o projeto Claire (Cooperative LBA AIrborne Regional Experiment) vai gerar informações sobre o processo de oxigenação dos radicais na atmosfera. O Claire vai trabalhar com duas ou três torres, com alturas de 60 a 80 metros, na mesma área do ATTO. As medições dos gases serão em tempo real. Um delas terá um elevador anexado, com laboratório completo, que se moverá 24 horas verticalmente, a uma velocidade aproximada de 2 a 4m por minuto.

Jürgen Kesselmeier, coordenador do projeto ATTO pelo lado alemão,  compara os radicais como “detergente da atmosfera”, responsável pela limpeza da atmosfera. Ele cita o exemplo do radical hidróxido, que pode afetar o metano. “São gases que limpam a atmosférica”. Para Schöngart, essas torres são fundamentais para entendimento dos fenômenos climáticos na região.

“Toda a massa de ar que estão em processo de troca entre a floresta e atmosfera, os ventos trazem para essa torre e os sensores medem a concentração e o fluxo, com isso vamos obter dados mais robustos sobre a função da floresta Amazônica, em termo de armazenar carbono, ‘sequestrar carbono da atmosfera’, formação de nuvens e o impacto no clima da região”, afirmou.

Os pesquisadores destacam que tanto o projeto Claire quanto o ATTO vão dar uma contribuição muito importante o Brasil, principalmente no que diz respeito à formação de recursos humanos na Amazônia. “Será uma ferramenta importante para capacitar jovens que futuramente continuarão estudando e darão seguimento ao projeto”, concluem.


Fonte: D24am



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