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29/01/2002

Produção de Gramíneas Forrageiras em Sistemas Agroflorestais

Em Rondônia, as condições para o estabelecimento de sistemas silvipastoris são satisfatórias, considerando-se as grandes áreas plantadas com culturas frutíferas, florestais e industriais.

A participação dos pequenos produtores na atividade é muito significativa e a utilização de pastagens associadas com culturas perenes pode favorecer a disponibilidade de proteína de origem animal, aumentando a sua renda, diminuindo os custos com os tratos culturais, além de reduzir a abertura de novas áreas sob vegetação de florestas.



As árvores exercem vários efeitos sobre o ecossistema das pastagens, a maioria dos quais benéficos para os animais, à própria pastagem ou para o meio ambiente. Para gramíneas tropicais tolerantes ao sombreamento, a produção e a qualidade de sua forragem podem ser incrementadas. Ademais, o sombreamento produzido pelas árvores reduz o estresse térmico dos animais, proporcionando a obtenção de melhores índices de desempenho zootécnico. Deste modo, torna-se necessário a seleção de plantas forrageiras adaptadas às condições de sombreamento, para que seja possível o estabelecimento de pastagens em sistemas silvipastoris na Amazônia Ocidental, as quais devem apresentar produtividade, composição química e persistência compatíveis com as necessidades nutricionais dos animais.



O experimento foi conduzido na Embrapa Rondônia, no município de Porto Velho (96 m de altitude, 8º46´de latitude sul e 63º5´de longitude oeste), durante o período de outubro de 1996 a dezembro de 1998. O clima da região é tropical úmido do tipo Am, com estação seca bem definida (junho a setembro), pluviosidade anual de 2.200 mm; temperatura média anual de 24,9ºC e umidade relativa do ar de 89%. O solo da área experimental é um Latossolo Amarelo, textura argilosa, com as seguintes características químicas: pH em água (1:2,5): 4,1; Alumínio: 2,5 cmol/dm3; Cálcio mais Magnésio: 1,6 cmol/dm3; Fósforo: 2 mg/kg e Potássio: 65 mg/kg. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com três repetições. Os tratamentos consistiram de oito gramíneas forrageiras: Brachiaria brizantha cv. Marandu, B. humidicola, Hemarthria altissima, Pennisetum purpureum cv. Mott, Paspalum atratum BRA-009610, P. guenoarum BRA-003824, P. regnelli BRA-00159 e P. plicatulum BRA-009661.



O plantio foi realizado durante a primeira quinzena de outubro de 1996 em uma área estabelecida com eucalipto há cerca de 12 anos, no espaçamento de 3 x 3 m. A adubação de estabelecimento constou da aplicação de 50 kg de P2O5/ha, sob a forma de superfosfato triplo. A densidde de semeadura foi de 15,0 kg de sementes/ha (Valor cultural igual a 40%). Cada parcela foi constituída por quatro linhas de 4,0 m de comprimento, espaçadas de 0,5 m. Os cortes foram realizados mecanicamente, a intervalos de 12 e 16 semanas, respectivamente para os períodos chuvoso e seco, sendo o material colhido após pesado, devolvido as parcelas. Os parâmetros avaliados foram altura das plantas, percentagem de cobertura, rendimento de matéria seca (MS) e composição química da forragem (teores de nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio e potássio). Durante o período experimental foram realizadas seis avaliações, sendo quatro durante o período chuvoso e duas no período seco.



As espécies do gênero Paspalum não conseguiram se estabelecer, provavelmente como consequência dos efeitos alelopáticos exercidos pelo eucalipto sobre as mesmas. Doze semanas após o plantio, as espécies que se destacaram com maiores percentagens de área coberta foram B. brizantha (100%) e B. humidicola (85%), enquanto que H. altissima apresentou o estabelecimento mais lento, com apenas 40% de cobertura. As maiores alturas das plantas, independentemente das estações do ano, foram registradas em P. purpureum, B. brizantha e H. altissima. Para os dois períodos de avaliação, as maiores percentagens de cobertura de solo foram obtidas com B. brizantha (100%). Os maiores rendimentos de MS, tanto no período chuvoso quanto no seco, foram fornecidos por P. purpureum e B. brizantha.



Todas as espécies avaliadas apresentaram crescimento estacional, sendo esta característica mais acentuada em H. altissima, a qual durante o período seco, contribuiu com apenas 22,9% da produção anual de forragem. Já, B. humidicola apresentou a melhor distribuição estacional da produção de forragem. As produções de forragem verificadas neste trabalho foram, em média, 50% inferiores àquelas relatadas para às condições edafoclimáticas de Rondônia, avaliando-se as mesmas gramíneas à pleno sol. Diversos trabalhos têm evidenciado um comportamento diferenciado das gramíneas forrageiras quando submetidas ao sombreamento. No Paraná, observou-se que o rendimento de forragem de B. decumbens e Digitaria decumbens foram marcadamente reduzidos pelo sombreamento, contudo, mesmo assim, foram as gramíneas mais produtivas em comparação com as outras avaliadas (H. altissima e Paspalum notatum). Na Malásia, para a formação de pastagens sob seringal jovem foram selecionados Panicum maximum, B. decumbens, B. brizantha e P. plicatulum como as gramíneas mais promissoras para o estabelecimento de sistemas silvipastoris.



Durante o período chuvoso, os maiores teores de nitrogênio, fósforo e cálcio foram registrados por H. altissima, P. purpureum e B. humidicola, respectivamente. Os teores de magnésio não foram afetados pelas gramíneas, enquanto que para o potássio, B. brizantha, B. humidicola e P. purpureum forneceram os maiores valores. No período seco, os teores de todos os nutrientes foram superiores aos registrados no período chuvoso, como conseqüência de um efeito de concentração, em função da menor produção de MS. Os maiores teores de nitrogênio, cálcio e magnésio foram obtidos por B. brizantha, P. purpureum e H. altissima, enquanto que para o fósforo e potássio, H. altissima apresentou os maiores teores. As concentrações obtidas neste trabalho foram inferiores àquelas reportadas para diversas gramíneas forrageiras tropicais, submetidas ao sombreamento artificial; no entanto foram semelhantes às reportadas para H. altissima e B. decumbens, avaliadas sob diferentes graus de sombreamento (30, 50 e 80%).



As gramíneas avaliadas responderam distintamente às condições de sombreamento por eucalipto. Considerando-se os rendimentos e a distribuição estacional de forragem, composição química e cobertura do solo, as gramíneas mais promissoras para a formação de pastagens em sistemas silvipastoris com eucalipto foram B. brizantha cv. Marandu e P. purpureum cv. Mott.



Fonte: Newton de Lucena Costa



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