Facebook Twitter RSS

Notícia

Versão para impressão
A-
A+


12/12/2012

Plantio e manejo de florestas nativas - Florestas nativas

A iminente aplicação do ?novo? Código Florestal reacendeu as discussões relativas ao aproveitamento econômico da reserva legal (RL) e, em menor escala, das áreas de preservação permanente (APP).

Luciano Budant Schaaf - Gerente de Planejamento e Tecnologia da Amata
Dado que, mesmo com atraso de décadas, obrigatoriamente áreas de vegetação nativa em RL ou em APP deverão ser mantidas, é fundamental que elas sejam incorporadas ao arranjo econômico das propriedades rurais, em adição às atividades agropecuárias e florestais existentes nas áreas de uso alternativo do solo (AUAS), elevando sua rentabilidade total. 

Cada um dos componentes das propriedades, AUAS, RL e APP, deve possuir atributos econômicos, ambientais e sociais. Caso contrário, haverá desperdício no uso de um recurso escasso, que é a terra, tanto do ponto de vista do proprietário quanto do País. 

Portanto é necessário romper o paradigma de produção versus conservação, potencializando o alcance social da atividade florestal nativa. Para vencer esse desafio, algumas lacunas precisam ser preenchidas. Devido o desenvolvimento do setor florestal brasileiro ter se concentrado nas florestas de eucalipto e de pinus, várias questões ainda permanecem em aberto em relação à silvicultura e ao manejo das espécies nativas.

Do ponto de vista florestal, há dúvidas sobre espécies a plantar, padrões de crescimento, comportamento de plantios puros ou mistos, espaçamento, fonte de material genético e integração de manejos madeireiros e não madeireiros. E as questões vão além: qual o melhor desenho de plantio, as idades, tipos e intensidade de corte? Deve-se optar pelo replantio ou pela regeneração natural ao longo dos diferentes ciclos? Não há um pacote tecnológico definido que possa ser aplicado em larga escala para gerar benefícios econômicos.

O reduzido conhecimento disponível hoje está concentrado em alguns pesquisadores e profissionais. Há gargalos no fornecimento de mudas e sementes, na dispersão e no tamanho reduzido das áreas, nas limitações para a mecanização e na logística. 

A RL, geralmente, situa-se em áreas descartadas pelas atividades produtivas tradicionais, com topografia mais acidentada e solo de pior qualidade, o que dificulta seu aproveitamento. O cenário se agrava na APP. Porém a infraestrutura da propriedade já se encontra instalada e pode beneficiar a operação em RL e APP. Também é possível otimizar o trabalho das equipes de campo que já operam em AUAS. Tudo isso contribui para diluir os custos fixos da propriedade. 

No campo comercial, as limitações dizem respeito a que produtos serão gerados – madeireiros, não madeireiros e serviços ambientais – e com que características. Além disso, é necessário considerar a escala de produção, diante da variedade de espécies e produtos, e a dinâmica dos preços.

Sendo a intensidade da colheita a base para a rentabilidade da RL, uma alternativa é gerar receitas antecipadas, pelo plantio de espécies madeireiras de rápido crescimento ou pela venda de produtos não madeireiros e serviços ambientais.

Um complicador é a regulamentação ambiental, que pode tanto viabilizar como solapar as tentativas de criação de uma economia florestal baseada no manejo de RL e APP.

Os pontos mais críticos são as restrições para a realização dos plantios, como o número mínimo e tipos de espécies, os arranjos silviculturais e sistemas de manejo, a quantidade a ser colhida e o intervalo entre as colheitas. 

Tendo em vista que o plantio e o manejo de florestas nativas podem tornar-se uma alternativa de fornecimento de madeira tropical rastreável, em contraponto ao produto de origem duvidosa que domina o mercado, a academia, o governo, os proprietários rurais e os empreendedores deveriam intensificar seu engajamento na superação dos desafios que se apresentam. 

De um lado, é preciso estimular o investimento em desenvolvimento tecnológico pelas agências de fomento. Do outro, o governo deve disponibilizar capital, na forma de incentivos, financiamentos e subsídios, para o plantio e o manejo de espécies nativas, já que essa é uma atividade de alto risco, porém essencial para o País. E, onde há risco, também existem grandes oportunidades. 

Cabe aos empreendedores rurais e florestais buscá-las. As perspectivas são boas. Com a tendência de queda nas taxas de juros, os investimentos de longo prazo, como o plantio de espécies nativas, tornam-se mais atrativos. Esse cenário, ao lado da mobilização dos principais atores e do cumprimento da legislação, que finalmente está sendo colocada em prática, deve dar um grande impulso à atividade nos próximos anos.


Fonte: revistaopinioes.com.br



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (0)


CIFlorestas disse:

20/09/2020 às 00:57

Nenhum comentário enviado até o momento.

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

As mais lidas


Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

Do ponto de vista técnico e operacional, qual é a melhor unidade para comercialização da madeira para carvão?

volume de madeira sólida (metro cúbico)
tonelada de madeira
metro estéreo ou metro de lenha
unidade ou peças de madeira

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


1890 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE  |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey