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26/11/2020

ODS e ESG: como essas siglas estão provocando uma transformação nas empresas do agronegócio

A ONU consolidou a preocupação com um mundo mais sustentável através dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável ? ODS, em 2015. Foram definidos 17 objetivos para que se possa atender a Agenda 2030 - plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, buscando fortalecer a paz universal. 193 países se comprometeram com este grande plano, no contexto de uma economia verde e da erradicação da pobreza.

ODS e ESG: como essas siglas estão provocando uma transformação nas empresas do agronegócio
 
Fabiana Santos Vilela[1]
 
A ONU consolidou a preocupação com um mundo mais sustentável através dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS, em 2015. Foram definidos 17 objetivos para que se possa atender a Agenda 2030 - plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, buscando fortalecer a paz universal. 193 países se comprometeram com este grande plano, no contexto de uma economia verde e da erradicação da pobreza.
Neste novo cenário, acelerado pela Pandemia COVID-19, de onde a origem remonta que um determinado coronavírus que acomete morcegos sofresse uma mutação, passando a infectar humanos; incrementasse, no mundo dos negócios, uma maior preocupação daquilo que já era exigido dos empresários: o triple bottom line[2] da sustentabilidade - a conservação ambiental, a promoção econômica e a participação social.
Em muitas empresas, o vértice ambiental era centrado no cumprimento da legislação ambiental, que, no Brasil, já é um desafio para qualquer empreendedor, dada sua complexidade e amplitude. Mas, para o mercado, ainda era pouco. Era preciso reconhecer que só conseguirão existir no longo prazo, se realmente, se comprometerem ao crescimento verde e num novo modelo de produção, não mais linear, mas numa economia circular – onde não há geração de resíduos.
O lucro é necessário, mas é insuficiente para despertar a atenção dos clientes e garantir sua fidelidade à marca; dos colaboradores e seu engajamento ao propósito da empresa; aos investidores apostarem seus recursos financeiros e à própria garantia da longevidade do negócio.
Na verdade, vários movimentos vêm emergindo abortando a ideia do lucro acima de tudo e afirmando que é uma ideia ultrapassada. O próprio Triple Bottom Line já defendia essa causa: no vértice ambiental – perceber a finitude de recursos; no social – olhar a comunidade e no econômico - garantir a longevidade da empresa. Michael Porter, o grande “Papa” da administração, destacou a necessidade de gerar valor compartilhado para todos os envolvidos. Pesquisadores de Harvard defendem a teoria do consumo consciente.
Na evolução deste pensamento, aliado aos compromissos dos países e empresários de todo o mundo, em 2019, 181 CEOs da cooperação Business Roundtable[3] anunciaram o lançamento de uma nova Declaração de Propósito, onde se comprometeram a liderar suas empresas para o benefício de todas as partes interessadas: clientes, funcionários, fornecedores, governos, comunidades e acionistas.
Em 2020, em Davos, a última edição do Fórum Econômico Mundial, trouxe um novo conceito: o capitalismo stakeholder[4]. As discussões refletiam que as decisões dos empresários somente observavam o interesse dos acionistas (shareholder), ignorando àqueles que dependem da empresa (clientes, fornecedores, colaboradores, governo). Com isso, o objetivo central da empresa era a obtenção de lucro para “pagar” o acionista. O lucro sobrepunha aos impactos ambientais, sociais, e principalmente, nas relações com as comunidades, ignorando-as por completo. Esse modelo, já era. Agora, um novo modo de pensar é necessário.
Durante este debate no Fórum Econômico Mundial, Mark Benioff, CEO da Salesforce disse: “o planeta é o maior stakeholder existente”.
A Climate Action 100+, iniciativa com mais de 500 investidores, representando mais de US $ 47 trilhões em ativos, propôs que as empresas onde eles têm investimentos, atinjam emissões de gases de efeito estufa zero líquido até 2050, cobrindo as emissões em toda a cadeia de valor. Esta organização visa promover a tomada de medidas necessárias sobre a mudança climática nos maiores emissores corporativos de gases de efeito estufa. A mudança do combustível utilizado, da fonte de energia elétrica são exemplos das medidas que essas empresas vêm adotando a fim de reduzir ou zerar suas emissões.
E assim, chegamos ao termo ESG, que resultou da publicação do relatório Who Cares Wins, Connecting Financial Markets to a Changing World, uma iniciativa conjunta desenvolvida pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), juntamente com diversas instituições financeiras, nos anos 2000.
A sigla ESG (Environment, Social and Corporate Governance) incorpora um conjunto de princípios que refletem uma governança corporativa comprometida não apenas em monitorar impactos do negócio, mas também, em promover ampla preservação ambiental e desenvolvimento social.
  1. Ambiental: os investimentos que prejudicam o nosso mundo podem não ter valor a longo prazo.
  2. Social: as empresas afetadas por controvérsias sociais podem sofrer reduções significativas de valor por meio das respostas da comunidade, do regulador e do governo.
  3. Governança: melhor gestão e engajamento, levando a melhores retornos às empresas.
Toda esta mudança dentro das corporações criou novos direcionamentos aos seus dirigentes:
  1. A necessidade da definição de um propósito para a empresa capaz de conseguir transformar o mundo por meio da inspiração de negócios consciente, sustentáveis e inovadores.
  2. É preciso um novo perfil de líder: capaz de traduzir o propósito maior da empresa em direcionamentos e que consigam realizar suas ações com confiança na transmissão da cultura e entregas aos colaboradores, trazendo satisfação e engajamento;
  3. Tornar a empresa como um agente transformador da sociedade através de pessoas que agem orientadas a valores (da empresa e transmitidos para a sociedade) à esfera externa, numa relação de confiança e fidelidade à sua marca;
  4. Gerar valor ao longo da cadeia: fornecedores, acionistas, governo e à própria empresa garantindo a longevidade de todos.
Além dessa mudança de postura do empresário, do investidor, do colaborador, do fornecedor para atingir esses propósitos e metas, há uma necessidade de financiamento para que esse novo modelo se instale, efetivamente, em empresas de qualquer porte. Há uma transição que precisa ser custeada. Mas, por quem?
É verdade que o financiamento do clima e financiamento verde têm aumentado, mas é necessário mais. O investimento privado continua a representar a maior parte dos investimentos climáticos. E, ainda, há necessidade de um grande investimento em adaptação reduzindo a vulnerabilidade dos ecossistemas e das populações.
Grupos de investidores e fundos de investimento têm mobilizado trilhões em capitais para financiar a economia de baixo carbono e projetos com baixo impacto climático, comprometidos a migrarem investimentos para projetos de emissões líquidas igual a zero.
Nesta linha, o Brasil tem uma excelente oportunidade em captar estes recursos, mas para isso, precisa coordenar as entidades (públicas e privadas) para concatenar estratégia e projetos, desenvolver pipelines de projetos sustentáveis, desenvolver instrumentos de gestão de riscos e buscar os ativos lastreados em sustentabilidade.
No agronegócio, o Plano ABC - agricultura de baixo carbono, é uma destas oportunidades, tornando o agro mais competitivo, mais resiliente e com menor impacto ambiental. Conseguir comunicar aos investidores os fatores de mitigação e de sequestro de carbono significa trazer investimentos aos bolsos dos produtores rurais. Recursos estes necessários para a transformação da agricultura para esse “novo mundo” com menos carbono, mais resiliente e adaptado.
O desafio se faz na integração das entidades, capazes de atrair os investidores, elaborar projetos consistentes, mensurar a redução dos impactos e as externalidades positivas, desenvolver políticas públicas de desenvolvimento de territórios sustentáveis, capazes de promover a geração de valor às regiões. Desta forma, viabiliza-se, financeiramente, os empresários a adoção real deste “novo normal”.
1 - Fabiana Santos Vilela é Médica Veterinária, M.Sc., atualmente, é analista de agronegócios no SEBRAE MG.
 E-mail: fabiana.vilela@sebraemg.com.br
2020 novembro
 
 
[1] Fabiana Santos Vilela é Médica Veterinária, M.Sc., atualmente, é analista de agronegócios no SEBRAE MG. E-mail: fabiana.vilela@sebraemg.com.br
[2] TBL (Triple Bottom Line) ou Tripé da sustentabilidade: compreende as dimensões econômica, social e ambiental, sendo componente das estratégias das empresas na inovação e geração de valor. (ELKINGTON, 1994, em seu livro clássico Canibais com Garfo e Faca).
[3] Business Roundtable é uma associação de diretores executivos das principais empresas da América que trabalham para promover uma economia americana pungente. Desde 1978, a Business Roundtable publica Princípios de Governança Corporativa.
[4] Stakeholders são aqueles acionistas que dependem da prosperidade da companhia a longo prazo, e estão ligados a ela. Os principais stakeholders são os empregados, os fornecedores, os consumidores, ou seja, todos aqueles que tem uma ligação com a companhia.
 




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