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26/04/2020

O FUTURO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

Poder-se-ia aceitar, embora haja sempre o controverso, que o futuro do agronegócio estaria ligado umbilicalmente ao futuro do socioeconômico do Brasil e, via exportações, ao futuro do mundo.

O FUTURO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO*
Há milênios que faz parte da natureza humana tentar predizer o futuro, segundo crenças e costumes, uma espécie de antecipar o que estaria sendo desenhado para a humanidade numa perspectiva de tempo, o que configurava uma hipótese a ser confirmada ou descartada, pois as mudanças podem acontecer sem muito aviso prévio, sejam elas econômicas, sociais, estruturais, políticas, e aquelas ligadas aos ambientes naturais no campo e nas cidades. Lembram-se das barragens?!
O preço do barril de petróleo atualmente é o mais baixo da história, ninguém poderia antecipadamente prever esse fato singular e resultante de vários fatores adversos e conjugados.
E mais, e não raro, quando a natureza também revela seu poder hercúleo de provocar eventos de abrangente dimensão geográfica, como no caso do corona vírus, e suas sequelas múltiplas, contudo, estimulando parcerias, novas pesquisas, conhecimentos, e ganhos na medicina e nas logísticas para salvar milhões de vidas. Afirma-se e registra a história que toda pandemia passa; um ciclo de perdas e conquistas!
Sabe-se que as previsões de longo prazo, em que se presumem que os fundamentos básicos de hoje se manterão estáveis e numa reta ascendente, podem subestimar o fato de que há uma sinergia dinâmica que agrega novas condicionantes imprevisíveis por mais que se planeje o desenvolvimento, ou seja; o “Norte” de um País de dimensão continental como o Brasil, inclusive passando por mudanças estruturais de ponta.
Além disso, configuram-se igualmente essenciais os sistemas agroalimentares e agroflorestais num quadro de exigências tecnológicas, demandas de insumos modernos e ofertas de grãos, cereais, oleaginosas, frutícolas, orgânicos, olerícolas, fibras, energia limpa, biomassa, biogás, biodiesel; mais os produtos sucroalcooleiros, e do setor de florestas plantadas.
Por muitas razões associadas, o agronegócio brasileiro está definitivamente vinculado, no que lhe compete, com as atividades da pesquisa agropecuária, assim como dependente do comércio, indústria, agroindústria e serviços, o que implica também no regular abastecimento interno e nas exportações. Entretanto, as fragilidades, ainda que transitórias e até perversas, podem afetar a dinâmica e sinergia de todos esses segmentos, que são fatos mensuráveis e cíclicos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que essa pandemia aumentará em 265 milhões o número de famintos no mundo, afetando principalmente as economias mais pobres do planeta, e que o PIB mundial poderá encolher em 3% em 2020. A União Europeia estima em US$ 1,6 trilhão os recursos financeiros para reaquecer sua economia!
Para efeito apenas comparativo, o PIB brasileiro de 2019 foi de R$ 7,3 trilhões ou US$ 1,84 trilhão, sendo cotado o dólar comercial médio anual de R$ 3,958; teoricamente a UE deverá investir o equivalente a 86,9% do PIB brasileiro de 2019, a preços correntes. O EUA injetam US$ 2 trilhões na economia!
Não haverá milagre econômico, em que pese o Brasil ser a 9º economia mundial, mas nunca ter enfrentado um cenário dessa magnitude humana, econômica, política e social, com suas demandas urgentíssimas num curtíssimo espaço de tempo e ressaltando solidariedades e empenhos históricos.
O ministro da Economia Paulo Guedes disse; “O Brasil estava no caminho da recuperação e mantidos os sinais vitais da economia ele pode ainda surpreender o mundo, apesar do efeito corona vírus.”
Num cenário mais amplo, em 1950 o mundo colecionava 2,5 bilhões de habitantes, sendo que em abril de 2019 a ONU estimava 7,7 bilhões de habitantes, um crescimento 208%. Segundo estimativas do IBGE, o Brasil abriga 211,4 milhões de habitantes (15:30/ 21/04/2020), e com projeções de 223,1 milhões em 2030 e 228,1 milhões de habitantes em 2040, que seria o pico máximo demográfico, com tendências à redução até 2050, consequente das baixas taxas de natalidade. Mas é previsão. Contudo, a segurança alimentar é estratégica.
Alguns cenários, no entanto, são mais previsíveis, embora se possa afirmar que não há risco zero em nenhuma tomada de decisão no conjunto da economia, e muito menos no campo.
Apesar da dinâmica pendular dos mercados, podem-se aceitar como sendo consistentes algumas premissas fundamentais e indissociáveis para o desempenho agora e no futuro do agronegócio, entre elas; maiores investimentos públicos e privados na formação de pesquisadores e cientistas; acelerar a difusão de inovações tecnológicas nas culturas e criações.
E mais, estimular a prática da sustentabilidade dos recursos naturais, bem como os agentes de mudanças públicos e privados internalizarem também que o aumento das taxas de urbanização, processo irreversível, hoje com 179,4 milhões de habitantes nas cidades, concentra a grande massa salarial, consumidores, abriga as lideranças políticas, institucionais econômicas e empresariais; o poder de decisão é urbano!
E mais, alinham-se as crescentes demandas por alimentos saudáveis e maior acesso à agua; manejo do correto uso do solo; necessidade de ampliar a distribuição da renda per capita, que estimula o consumo de alimentos, produtos e serviços; pactuar as vendas externas do agro brasileiro para novos mercados, - mas quem compra quer vender- ; gerar superávits externos no mercado globalizante e concorrido; pesquisar soluções efetivas e sistêmicas nas logísticas operacionais!
Colocar numa moldura bem visível como lembrete histórico; a relação custo/benefício. Todas essas e outras condicionantes são sistêmicas e conectadas, dentro e para além da porteira da fazenda num universo potencial de 5,073 milhões de estabelecimentos agropecuários no Brasil (IBGE).
Vale ressaltar um pequeno trecho do documento elaborado pelos pesquisadores Eliseu Alves, Geraldo da Silva e Souza, e Renner Marra, todos da Embrapa, sobre o excedente exportável; “Quando se importa significa que o Brasil usa os excedentes dos países exportadores em benefício de seus consumidores e em investimentos.”
O excedente está na forma de bens, ou empréstimos para aplicação no território nacional, pagar dívidas, financiar importações e exportações. As importações são pagas com exportações e é bom que reste um saldo em forma de divisas. Quando a balança comercial é confortável e se acumula saldo em divisas, as expectativas favorecem o Brasil em termos de taxas de juros e tetos para novos empréstimos; é vital exportar e importar.” Esses pesquisadores também alertam; “As políticas públicas que visam a modernização da agricultura como capaz de ajudar a resolver o problema da pobreza rural vão fracassar se não forem corrigidas as imperfeições de mercados, que discriminam os pequenos produtores.”
O agro brasileiro tem presença forte na economia brasileira, pois somente nos meses de janeiro a março de 2020 já acumula um superávit de US$ 17,7 bilhões; o superávit do agro mineiro foi de US$ 3,19 bilhões, no mesmo período (Seapa).
Os esforços do governo federal para reaquecer a economia brasileira são visíveis, como também no atendimento à saúde pública nesse desafio sem fronteiras por que passa a sociedade; terá que superar e vencer. Não há outra saída!
Portanto, noutro ângulo convergente, há também de aceitar que não planejar o futuro, por mais incerto e desafiante que possa se afigurar num mundo em permanente mudança, poderia ser uma catástrofe socioeconômica anunciada, e por não haver parâmetros e memórias suficientes para corrigir distorções e obter bons resultados nesse caminhar rumo ao futuro, que começou ontem. Existe também uma sinergia constante entre o passado, presente e futuro.
O 1º arado de tração animal, segundo registros históricos, foi construído há 2.800 anos na China, presumivelmente um ancestral dos arados de última geração usados no cultivo de milhões de hectares no Brasil, e no mundo! O domínio acumulado do conhecimento humano levará a inovação ser agregada aos processos produtivos, e ampliar a renda rural! Uma questão de tempo se houver oportunidades de adoção.
Segundo dados do MAPA, estima-se que em 2020 o VBP da agropecuária, em nível de fazendas, alcance R$ 689,97 bilhões, um crescimento de 8,3% na lavoura, e de 6,7% na pecuária. Confirmado esse desempenho, presumo que o PIB do agronegócio brasileiro poderia atingir até R$ 1,72 trilhão!
Vale relembrar que o cientista alemão Nikolaus August Otto construiu o 1º motor a combustão interna a quatro tempos em 1876, portanto, há 144 anos. Essa inovação está firme no mercado até hoje, apesar dos novos avanços tecnológicos embarcados nos motores de baixa, média e alta potência. Entretanto, as conquistas científicas, tecnológicas, espaciais, econômicas e sociais são consideráveis, mas ainda há muito o que fazer entre o discurso e a prática para assegurar renda e o bem-estar social como qualidade de vida para 211,1 milhões de brasileiros, por enquanto!
Contudo, é uma tarefa hercúlea e solidária entre os governos, lideranças e a sociedade ao longo de anos de muito trabalho e convergências, acima de tudo, e baseada também numa ampla educação de qualidade do berço à universidade, acessível para todos. Saber para compartilhar! Poder-se-ia aceitar, embora haja sempre o controverso, que o futuro do agronegócio estaria ligado umbilicalmente ao futuro do socioeconômico do Brasil e, via exportações, ao futuro do mundo.
Engº agrº Benjamin Salles Duarte* - abril 2020.
 


Fonte: O Autor



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27/09/2020 às 00:35

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