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07/11/2019

O DESEMPENHO DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA

O desempenho da agropecuária brasileira, desde a década de 1970, é tido como uma ameaça brasileira aos outros países produtores e concorrentes nos mercados externos.

O DESEMPENHO DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA – I*
O Brasil é o 5º maior país do mundo e abriga um território com 851,5 milhões de hectares de terras, diversificado  em climas, solos, culturas,  criações e vocações regionais, bem como consideráveis recursos hídricos a exigirem gestão e eficiência no uso da água para múltiplos usos nas paisagens rurais e nos centros urbanos, não apenas para o abastecimento humano, prioritário por Lei, agregando-se também as demandas hídricas essenciais ao saneamento básico, às usinas hidrelétricas, indústrias, agroindústrias e aos serviços. A água, elemento natural estratégico e insubstituível, constitui-se numa só para todas as serventias!
Vale assinalar, desde agora, que todos os dados básicos consultados nessa abordagem resumida têm origem no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa/SPA/DFI), e amplamente contidos no documento analítico “Agropecuária brasileira em números/setembro de 2019.”
O Valor Bruto da Produção (VBP) corresponde ao faturamento bruto da pecuária e das principais lavouras, dentro da propriedade rural, portanto, apenas em níveis de produtos, e não calculados em valores agregados ao se considerar os sistemas agroalimentares ou o agronegócio no abastecer e exportar. Além disso, ganhos de produtividade são essenciais no campo!
Assim posto, os cinco maiores VBPs (2019), a preços correntes, são; Mato Grosso, R$ 96,5 bilhões; São Paulo, R$ 75,1 bilhões; Paraná, R$ 72,5 bilhões; Minas Gerais, R$ 59,1 bilhões; e Rio Grande do Sul, R$ 56,2 bilhões. Concentração da produção, pois a soma desses cinco primeiros lugares atinge R$ R$ 359,4 bilhões ou ainda 59,2% do VBP brasileiro fixado em R$ 606,19 bilhões, onde R$ 398,09 bilhões são devidos à agricultura e R$ 208,10 bilhões ao setor pecuário. O Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo com 213,5 milhões de cabeças (IBGE/2018).
E mais, os cinco primeiros lugares no VBP da pecuária em 2019, a preços correntes, são os seguintes; bovinos, R$ 82,5 bilhões; frango, R$ 62,5 bilhões; leite, R$ 32,9 bilhões; suínos; R$ 15,9 bilhões; e ovos, R$ 13,9 bilhões ou R$ 207,7 bilhões em R$ 208,10 bilhões, atingindo 99,8%. Além disso, registrem-se também que os cinco primeiros lugares na oferta de grãos, em 2019, estão assim distribuídos; MT, 67,4 milhões de toneladas; PR, 36,5 milhões; RS, 35,3 milhões; GO, 24,6 milhões; e MS, 18,3 milhões de toneladas, totalizando 182,1 milhões de toneladas, 75,2% da colheita total de grãos dos 241,9 milhões de toneladas da safra 2018/2019.
Minas Gerais logrou o 6º lugar, com 14,2 milhões de toneladas. A safra brasileira de grãos foi de 241,9 milhões de toneladas em 2019, e previsão de 245,8 milhões em 2019/2020 em 63,9 milhões de hectares, outubro de 2019, sendo esse o 1º Levantamento numa série de 11 outros ao longo dos ciclos das culturas de grãos, cereais e oleaginosas. No caso do café, 3º Levantamento/setembro de 2019, estima-se uma safra de 49,0 milhões de sacas beneficiadas em 2019/2020, contra 61,7 milhões em 2018(Conab).
Em 2018/2019, a oferta de cana de açúcar foi de 620,4 milhões de toneladas e estimativa de 622,2 milhões em 2019/2020. Em 2018, o PIB do agronegócio brasileiro, que engloba os insumos, agropecuária, indústria e serviços, a preços correntes, foi de R$ 1,44 trilhão ou 21,1% do PIB do País (Cepea/USP), sendo presumível que possa atingir R$ 1,50 trilhão em 2019.
O DESEMPENHO DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA* - II
Por outro lado, o uso e a disponibilidade da terra no Brasil, com dados atualizados em outubro de 2019, revelam que a agropecuária em produção (grãos, pastagens, florestas plantadas, cana de açúcar, banana, café, mandioca, cacau, citrus, e demais permanentes) ocupa 247,8 milhões de hectares ou 29,1% do território nacional, com destaque para pastagens cobrindo 158,6 milhões de hectares ou 18,6% do Brasil.
Noutro ângulo, igualmente importante, as áreas protegidas pela legislação ambiental vigente somam 563,5 milhões de hectares dos 851,5 milhões ou 66,2% do território brasileiro distribuídos assim: unidades de conservação, 151,9 milhões de hectares (17,8% da área do Brasil); terras indígenas, 117,6 milhões de hectares (13,8%); reserva legal e preservação permanente, 268,0 milhões de hectares (31,5%); cidades, estradas, hidrelétricas e outros, 26 milhões de hectares (3,1%), e áreas disponíveis para a agropecuária, 40 milhões de hectares.
Portanto, abrangem um total 851,5 milhões de hectares (IBGE – Censo Agropecuário 2017/ Conab/Embrapa/IBÁ). Contudo, sem entrar no mérito dessa questão, as terras indígenas, com seus 117,6 milhões de hectares, são maiores do que duas vezes o Estado de Minas Gerais, com seus 58,6 milhões de hectares, sendo ainda 4,73 vezes superior à área total do Estado de São Paulo ou 26,9 vezes maior que o Estado do Rio de Janeiro, e ainda 2,89 vezes o território do Paraguai, enquanto País!
Noutros cenários e sem expressar todos os dados contidos no documento básico do MAPA, a posição do Brasil no mercado mundial se reflete nesses eventos comerciais; 1ºs lugares nas exportações de açúcar, café e suco de laranja; 2ºs lugares na produção de carne bovina e carne de frango, e 1ºs lugares nas exportações; 3º lugar na produção de milho e 2º lugar nas exportações.
E mais, 2º lugar na produção de soja grão e 1º lugar nas exportações; 3º lugar na produção de farelo e 1º lugar nas exportações; 4º lugar na produção de óleo de soja e 2º lugar nas exportações; 4º lugar na produção de algodão e 2º lugar nas exportações; e 4ºs lugares na produção e exportações de carne suína (USDA/agosto de 2019).
Tecnologias, mercados e adoções de inovações no campo explicam esses desempenhos, segundo Eliseu Alves (Embrapa). O pessoal ocupado nos estabelecimentos foi de 15,1 milhões em 2017 contra 16,5 milhões em 2006. A mecanização é fator relevante na redução de mão de obra, mas não explica o êxodo rural, por si mesmo, que é um processo multifatorial e diversificado em motivações socioeconômicas focadas em colocar o pé na estrada rumo aos centros urbanos à procura de renda e bem-estar social!
O plantio direto na palha passou de 17,8 milhões de hectares em 2006 para 33,0 milhões em 2017, avançando 85,4% e contribuindo com o manejo correto do solo e da água, sustentáveis. A posse de aparelhos telefônicos nos estabelecimentos agropecuários cresceu de 1,2 milhão em 2006 para 3,1 milhões em 2017, um ganho de 158%, bem como 1,43 milhão de produtores tem acesso à internet à busca de conhecimentos indispensáveis à tomada de decisão em seus negócios agropecuários.
Entretanto, entre os 5,073 milhões de estabelecimentos agropecuários recenseados em 2017, apenas 1,025 milhão recebeu orientação técnica (20,2%) pública e privada. Um desafio a ser vencido! Porém, os programas agropecuários veiculados pela televisão não podem ser subestimados como fontes indiretas de informações, tecnologias, preços e mercados!
Existem 502,37 mil estabelecimentos agropecuários com 6,7 milhões de hectares irrigados, por diferentes métodos de irrigação, cenário em que houve um significativo aumento de 56,2% em relação ao número de estabelecimentos irrigantes e 47,2% relativos à área irrigada se comparados com o Censo Agropecuário de 2006. A agricultura familiar, por definição de Lei, abrange 3,897 milhões de estabelecimentos agropecuários (77%). Em Minas Gerais, setembro de 2019, ela responde por 24,98% do Valor Bruto da Produção (VBP) do Estado (IBGE).
Estimam-se em 30 milhões de hectares o potencial da agricultura irrigada no Brasil (IBGE). Ressalte-se igualmente que entre 2010 e 2018, o superávit acumulado nas exportações do agro brasileiro foi de US$ 697,9 bilhões (MAPA) que, se fosse atualizado e baseando-se no dólar médio comercial de 2018 ou R$ 3,654 seriam R$ 2,55 trilhões. Esse desempenho eficiente comprovado, desde a década de 1970, é tido também como uma “ameaça” brasileira aos outros países produtores e concorrentes nos mercados externos. Pode-se aceitar que não existe almoço de graça no mundo dos negócios!
Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte*
 


Fonte: O autor



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