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04/03/2020

O CAMPO NA PONTA DOS DEDOS

O processo de difusão de inovações no campo, que abrange as culturas, criações e os recursos naturais, requer permanente acesso à pesquisa agrossilvipecuária, gestão para resultados, e fina sintonia com os mercados interno e externo.

O CAMPO NA PONTA DOS DEDOS*
O processo de difusão de inovações no campo, que abrange as culturas, criações e os recursos naturais, requer permanente acesso à pesquisa agrossilvipecuária, gestão para resultados, e fina sintonia com os mercados interno e externo.
Podem-se destacar, entre outros avanços tecnológicos ao longo de décadas, a presença marcante da televisão nos cenários rurais mineiros ou na residência urbana dos produtores, e o advento do “radinho de pilha,” no Brasil, que acompanhava os produtores nas suas atividades de campo, o que superava, mas não resolvia, à época, a falta de energia elétrica nos estabelecimentos rurais do Estado. O rádio continua firme em pleno viger do século XXI.
Acrescentem-se as centenas de programas de rádio que foram conduzidos pelos extensionistas da Emater-MG, desde a década de 1950 e, há 25 anos difundindo inovações através do programa televisivo “Minas Rural.”  Já somam 1.313 programas replicados por 20 emissoras de televisão no País. É acessado no Yotube!
É preciso entender e avaliar a dimensão geográfica de Minas Gerais, com 586,5 mil km2 e 607.488 estabelecimentos agropecuários, e do Brasil, com 851 milhões de km2 e 5.073 milhões de estabelecimentos (IBGE), um continente onde se produz o ano inteiro, com suas singularidades e vocações regionais, diversidade de solos, acesso ou não à água de irrigação, e exigências tecnológicas das culturas, criações e do setor de base florestal.
Destaque-se, num cenário mais abrangente, que a migração rural de milhões de brasileiros rumo aos centros urbanos, fenômeno multidisciplinar na sua lógica analítica, foi num crescendo desde a década de 1950 em Minas Gerais, resultando hoje com 85% da população vivendo nas áreas urbanas. Contudo, existe uma sinergia socioeconômica entre o rural e o urbano! Segundo os demógrafos, o êxodo rural perderá força e deverá atingir taxas mais baixas. Reforço que a hipótese de um campo totalmente desidratado e sem gente é mera especulação, obra de ficção, pois nem todo mundo poderá ou quer morar nas cidades!
A agroeconomia teria perdido sua importância estratégica no abastecer e exportar? Claro que não, pois as inovações tecnológicas foram sendo adotadas e houve substantivos ganhos de produção, produtividade e qualidade. Entretanto, persiste um desafio considerável que é o de universalizar a assistência técnica pública, e sem subestimar as empresas privadas e prestadoras de serviços no atendimento às necessidades crescentes por tecnologias na agrossilvipecuária.
Numa série histórica desde 1975, a oferta de grãos tem crescido e presume-se um novo recorde histórico na safra 2019/2020.  Comparando-se a safra de grãos de 1980 com a de 2020 a oferta passou de 50,8 milhões de toneladas para 251,1 milhões (5º Levantamento/Conab) ou mais 394,3%, sendo ainda o Brasil o 3º maior produtor mundial de alimentos, caminhando para o 2º lugar, o que deverá ser uma resultante conjuntural, que envolve a integração entre políticas agrícolas, mercados e inovações.
Além disso, os meios de comunicação digitalizados, na ponta dos dedos, não dispensam a presença física e atuante dos agentes de mudanças nos cenários rurais, compartilhando tecnologias no plantar, criar e comercializar, conservar e preservar os recursos naturais, incluindo-se as boas práticas florestais, indispensáveis!
Aliás, pode-se aceitar que receita pronta não funciona em decorrência da complexidade dos sistemas agroalimentares e agroflorestais, e as tecnologias não têm poderes mágicos. Num elenco de condicionantes ligados ao agronegócio emergem também as conexões crescentes das exportações brasileiras para o mundo, agregando-se ainda os debates acalorados sobre a sustentabilidade ambiental; tema polêmico e ainda controverso entre os analistas, estudiosos, pesquisadores e cientistas. Porém, o controverso é um dos fundamentos da pesquisa e da Ciência!
E mais, abrem-se novas perspectivas de abordagens tecnológicas e educativas envolvendo os sistemas de ensino, pesquisa, extensão rural e universitária por consequência também dos avanços das tecnologias de informação (TI), coletando milhões de dados que circulam igualmente associados aos processos de georreferenciamento e geoprocessamento, e formulando novos cenários para o planejamento e avaliação dos 5,073 milhões de estabelecimentos agropecuários no Brasil, dos quais 607.488 em Minas Gerais, que é o estado brasileiro mais diversificado em culturas e criações, segundo o Censo Agropecuário 2017(IBGE).
Num horizonte mais amplo, projeção com base na produção mundial de grãos de 2010, a FAO/OCDE estima que até 2030 poderá haver uma demanda de consumo adicional de 34% de carne bovina; 47% de carne suína; 55% de carne de frango; 59% de açúcar; 19% de arroz; 29% de milho; e 49% de soja. Há uma procura crescente de milho para a produção etanol veicular. Tudo indica que a saca de milho que chegou aos R$ 15,00 em algumas regiões produtoras é uma página virada sem retorno!
Esse desempenho acima dependerá da melhor distribuição da renda per capita mundial, que estimula o aumento do consumo de alimentos in natura e agroindustrializados.
Além disso, as mensagens e dados virtuais de comunicação circulantes e estratégicos devem estar alinhados com outras diversas e consagradas metodologias de comunicação, tais como: dias de campo, semanas tecnológicas, cursos, visitas às propriedades bem-sucedidas, concursos de produtividade, excursões técnicas e seminários, o que não impede ouvir os produtores rurais; e nas amplas abordagens sobre a fruticultura e olericultura. O Anuário Brasileiro de Hort & Fruti/2019 (Editora Gazeta), substantivo, revela; “mais de 3,4 milhões de produtores atuam em 24 cultivos nas áreas de fruticultura e olericultura no Brasil.” Os alimentos orgânicos também ocupam 1,13 milhão de hectares no Brasil, a 12ª maior área cultivada no Mundo (MAPA).
E, por que não, visitas planejadas dos produtores aos centros de pesquisa, em havendo razões e condições suficientes, para capacitação da mão de obra para saber lidar com as inovações, bem como na busca constante da redução de custos, processo que também dependerá do gerenciamento correto dos fatores de produção!
Podem-se presumir também novas formas de cooperativismo e associativismo rurais, pois as mudanças não param, os cenários são dinâmicos e diversificados, o acesso aos alimentos prenuncia novas configurações de transportes, distribuição e consumo, e o agronegócio é complexo e sinérgico. O Dr. Eliseu Alves (Embrapa), conceitua; “ O futuro do agronegócio é o futuro da pesquisa.”
Em 2019, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), os produtos alimentares e bebidas, a preços correntes, faturaram (líquido de impostos indiretos) R$ 699,9 bilhões. De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro atingiu R$ 7,23 trilhões em 2019 que, se convertido ao dólar médio comercial do ano passado, soma US$ 1,83 trilhão.
NOTAS GERAIS; o Censo Agropecuário 2017 (IBGE) cobriu um universo de 5,073 milhões de estabelecimentos agropecuários brasileiros e revela outros dados interessantes, entre os quais; produtores e produtoras de 2,358 milhões de estabelecimentos (46%) têm de 55 anos a mais de 75 anos de idade, com suas consequências socioeconômicas e sucessões familiares!
Considerando-se o total de 5,073 milhões de estabelecimentos recenseados, à data da pesquisa de campo, 58% não fizeram adubação; 20% usaram a adubação química; 12% a orgânica; e 10% a orgânica e química; e 65% não aplicaram agrotóxicos.
E mais, em 45% do total desses estabelecimentos são adotados o cultivo convencional; 36%, o cultivo mínimo; e 19% o plantio direto na palha. Quanto ao financiamento de governo, 53% dependem dele e 47%, não; 15,105 milhões de pessoas estão ocupadas nos estabelecimentos agropecuários em nível nacional; o agronegócio abastece 211,1 milhões de brasileiros (1/3/2020/IBGE), e fundamenta também as exportações anuais superavitárias para mais de 160 países.
Portanto, sem considerar outros dados adicionais estratégicos contidos no Censo Agropecuário 2017, ainda há muito o que fazer nos cenários rurais numa considerável perspectiva de tempo, havendo lucratividade, somando esforços e dividindo bons resultados no campo e nas cidades, e consolidando as boas práticas sustentáveis num horizonte indissociável do tempo exigido pelas mudanças em função de suas complexidades e soluções recomendadas!  Repetindo-se: inovar custa dinheiro, gestão para resultados e presume sucesso.
Além disso, que haja investimentos substantivos na pesquisa e desenvolvimento nos sistemas agroalimentares e agroflorestais, assistência técnica privada e extensão rural pública eficientes e inovadoras.  – Presumo financiamento privado.
Nessa caminhada, dados do 5º Levantamento da Conab revelam os seis estados maiores produtores de grãos na safra 2019/2020, assim descritos; MT, 72,2 milhões de toneladas; PR, 39,4 milhões; RS, 33,3 milhões; Goiás, 24,5 milhões; MS, 19,9 milhões; e MG, 14,2 milhões de toneladas de grãos, totalizando 203,5 milhões de toneladas (81%). Entre 2004 e 2019, o superávit nas exportações do agro brasileiro somou US$ 1,06 trilhão (MAPA). 
*Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte – março de 2020.
 


Fonte: O Autor.



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CIFlorestas disse:

05/06/2020 às 22:11

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