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05/12/2017

O agronegócio brasileiro começou nos tempos do Império

Durante séculos, principalmente no viger do Império, a agricultura brasileira usou generosamente as terras resultantes de desmatamentos, que eram férteis, pois os fertilizantes não existiam, e ao contar com a mão de obra escrava e barata. Além disso, ao longo do tempo, se consolidaram os ciclos do Pau Brasil, da cana-de-açúcar, borracha, do cacau, do café, que entrou no Brasil desde 1727, bem como de outras culturas emblemáticas como a do tomate e da batata cultivados liminarmente nos Andes peruanos. No rastro, o milho e fumo originários da América Central (Globo Rural), e as frutíferas e hortícolas, que ganharam espaços graças também à diversidade de solos, climas, mercados, e vocações regionais nesse País continental.

Em 28 de janeiro de 1808, em Salvador, foi assinado pelo Príncipe-regente de Portugal Dom João de Bragança o Decreto de Abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas (Google). Uma experiência inovadora, quando ainda não se tinha clara ideia sobre a globalização dos mercados para tecnologias, produtos e serviços. Em 1837, o café se torna o principal produto de exportação do Brasil Império (História do Café), e em 1845 já produzia 45% do café mundial (ClubeCafé-SP).

Essa liderança mundial na produção e exportação dessa bebida emblemática se consolidou até hoje nos mercados doméstico e externo, e Minas Gerais, líder na oferta nacional, busca ainda mais qualidade, com CertificaMinasCafé. Entretanto, vale ressaltar que os produtos florestais fazem parte indissociável dessa caminhada épica e memorável, bem como a agro energia e produção de açúcar, em que o País lidera no mundo como produtor e exportador, e na boa companhia do suco de laranja. Em 1532, Martim Afonso de Souza foi responsável pelo primeiro engenho de açúcar no País (História da Cana-de-Acúcar), portanto, também uma cultura secular e um marco histórico brasileiro.

 Destaca-se ainda que em 1534 houve a introdução do gado bovino na Capitania de São Vicente (SP), segundo o historiador Leopoldo Costa, e hoje o Brasil é o segundo maior exportador de carne bovina do mundo (Usda). Registrem-se também os avanços havidos na avicultura de corte e postura, suinocultura, e na oferta do algodão. Nos últimos 45 anos, tempo curto, o País se torna o segundo maior produtor de alimentos do mundo, superado apenas pelos EUA. Um feito extraordinário principalmente para análise e avaliação dos críticos ferrenhos do agro brasileiro.

Assim, sem maiores aprofundamentos, pode-se aceitar que o agronegócio, conceito norte-americano formulado por John Davis e Ray Goldberg (Harvard-EUA), em 1957, estava dando os seus primeiros e decisivos passos. Quando se afirmar que o passado já era, presume-se pouca consciência do que foi construído solidariamente, distorcida percepção dos cenários de hoje, e das presumíveis perspectivas que poderão viger no século 21, que se sinaliza polêmico, instigante, e definitivamente urbanizado.
Esse planeta também poderá receber, para ficar, 57,6 milhões de novos habitantes anualmente até 2050 ou 157,8 mil por dia (ONU/FAO). Apenas discursos não devem resolver esses desafios sem fronteiras e há visivelmente uma corrida contra o tempo.

Entretanto, o fator terra, antes abundante e fértil, com base no Censo Agropecuário de 2006 explicou apenas 10% da adoção de novas tecnologias nas safras agrícolas brasileiras desde o último Censo, e onde 68% foram devidos aos ganhos de produção e produtividade por unidade de área cultivada. Porém, quais foram os fatores aceleradores dessas mudanças substantivas?

Entre outros, mais pesquisas, públicas e privadas, inclusive com a criação da Embrapa em 1972, sem demérito de outras instituições de ensino e pesquisa, acesso às informações agropecuárias, com base nas tecnologias de informação, insumos modernos, mercados estimulantes, assistência técnica, ganhos de renda per capita, gestão para resultados e exportações crescentes. 

E mais, saldos positivos nas vendas externas do agronegócio, crescimento demográfico da população brasileira e mundial, melhoras nas logísticas operacionais, mas não suficientes, e outros fatores associados, que devem convergir liminarmente para o produtor rural e que ele obtenha renda anual suficiente para pagar suas contas, lograr qualidade de vida, e adotar as inovações tecnológicas nas culturas, criações, e na proposta sustentabilidade dos recursos naturais via entendimento e prática dos agroecossistemas.

Além disso, o agronegócio gera milhões de empregos diretos e indiretos nos desdobramentos não apenas dos sistemas agroalimentares, como também noutros setores da economia rural e florestal, setor este que ocupa o quarto lugar nas exportações brasileiras, sem desconsiderar nenhuma outra atividade econômica nos eixos da indústria, do comércio e dos serviços. O agronegócio continua sendo uma poderosa âncora verde numa economia pendular como atualmente navega o Brasil.


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro Agrônomo



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17/12/2017 às 09:36

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