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07/03/2014

MODELAGEM DA BIOMASSA SECA E ESTOQUE DE CARBONO TOTAL EM Eucalyptus CONSIDERANDO DIFERENTES ESTÁGIOS INICIAIS DE CRESCIMENTO

Foto ilustração: Google
     O efeito estufa, causado pela liberação de gases na atmosfera, em particular o dióxido de carbono (CO2) tem provocado mudanças climáticas em escala global e acentuado a preocupação mundial quanto às consequências futuras permanentes. Sabe-se que o setor florestal brasileiro fornece excelentes oportunidades de projetos para sequestro de carbono. Fatores como a disponibilidade de área cultivável e a diversidade edafoclimática criam condições ideais para florestamentos e reflorestamentos, gerando emprego e renda para o país e contribuindo para a redução do CO2.
     O gênero Eucalyptus se destaca na absorção do carbono atmosférico, devido ao seu rápido crescimento e a sua alta produtividade. Além disso, os reflorestamentos com espécies de Eucalyptus asseguram a produção de madeira como matéria-prima para diferentes aplicações industriais e ameniza a pressão sobre os remanescentes de florestas naturais.
     Atualmente várias empresas do setor florestal utilizam a informação da estimativa de massa de madeira para fazer previsão da quantidade de produtos a ser gerada por material genético por área, além da quantidade de carbono fixado na planta e por idade. Estas informações dão suporte ao planejamento e tomada de decisão da necessidade ou não de aumento da área reflorestada, bem como para a obtenção de crédito de carbono.
     O objetivo geral do trabalho de dissertação foi determinar a quantidade de carbono fixado na raiz, tronco e folhas de Eucalyptus, em diferentes estágios iniciais de desenvolvimento da planta, bem como o ajuste de modelos de regressão para estimativa de produção de biomassa seca, estoque de carbono total e em volume, por material genético e idade.
     O experimento foi conduzido no viveiro comercial Nutrilyptus em Lavras, Minas Gerais, do mês de outubro de 2010 a outubro de 2011. Plantas de sete materiais genéticos de Eucalyptus foram cultivadas, sendo Eucalyptus urophylla S.T. Blake, Eucalyptus grandis Hill ex Maiden e Corymbia citriodora Hook. provenientes de sementes e os clones GG100 (híbrido do Eucalyptus urophylla S.T. Blake), AEC144 (híbrido do Eucalyptus urophylla S.T. Blake), 7085 (híbrido do Eucalyptus urophylla S.T. Blake) e 58 (híbrido do Eucalyptus camaldulensis Dehnh.), sendo estes largamente utilizados em plantios comerciais no estado de Minas Gerais. Foram realizadas avaliações nas plantas antes do plantio, aos dois, quatro, seis, oito e 12 meses de idade. O delineamento estatístico adotado foi em blocos casualizados dispostos em parcelas subdivididas, sendo a parcela o efeito de idade das plantas e a subparcela o efeito de material genético. Em todas as idades foram obtidos os dados de diâmetro na altura do coleto e comprimento da parte aérea da planta. A biomassa de cada planta foi separada em tronco, folhas e raiz, sendo cada compartimento seco em estufa à temperatura de 60ºC para determinação da massa seca e de carbono total das plantas. Determinou-se o teor de carbono elementar, por compartimento da planta e a densidade básica do caule. A estimativa de carbono por volume foi obtida pelo produto da densidade básica do caule e teor de carbono desse compartimento. Em cada material genético foram testados modelos de regressão para estimar a massa seca total e carbono total em função da idade, comprimento da parte aérea e diâmetro na altura do coleto da planta. Também foram testados modelos de regressão para as idades de dois, quatro, seis, oito e 12 meses para a estimativa da massa seca total, carbono total e em volume (m3) na planta em função da densidade básica do caule, do diâmetro na altura do coleto e comprimento da parte aérea. A seleção do melhor modelo foi com base na sua significância e dos seus coeficientes de regressão, coeficientes de determinação ajustado, erro padrão residual e análise gráfica dos resíduos padronizados.
    As características avaliadas nas plantas apresentaram uma tendência de aumento com a idade, sendo o comportamento distinto de acordo com o material genético. O sistema radicular aos 12 meses, considerando a média de todos os materiais genéticos, se destacou como o de maior produção de massa seca e estoque de carbono entre os compartimentos das plantas, seguido pelo tronco e folhas, respectivamente. A participação das folhas na massa seca e carbono total apresentou redução porcentual em função da idade. Aos 12 meses de idade, o clone 58 apresentou maior produção de massa seca e carbono total;  já o clone 7085 apresentou menor produção de massa seca e estoque de carbono total, em razão da menor altura e diâmetro na altura do coleto entre os demais materiais genéticos. Os modelos ajustados para os diferentes materiais genéticos e idades mostraram, de maneira geral, bons ajustes e precisão. No ajuste dos modelos de regressão, verificou-se que cada material genético e idade apresentaram comportamento particular de produção de biomassa seca, carbono total e carbono por volume, não sendo possível selecionar um único modelo que representasse todos eles. As diferenças identificadas quanto à produção de biomassa dos materiais genéticos de Eucalyptus no primeiro ano de cultivo sugerem a possibilidade de seleção de genótipos para condições distintas de plantio. Posteriores ajustes devem ser feitos com os modelos selecionados em indivíduos cultivados em condição de plantio, com idades mais avançadas, para verificação da confiabilidade de prognose das variáveis dependentes em questão.
 
 
Maíra Reis de Assis
Engenheira Florestal e Mestre em Ciência e Tecnologia da Madeira – UFLA
Doutoranda em Ciência e Tecnologia da Madeira - UFLA


Fonte: Adriele Lima - Bolsista do Polo de Excelência em florestas/ SECTES/FAPEMIG



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Comentário(s) (2)


Jomar disse:

09/04/2014 às 22:26

Prezado Ricardo,
recomendo que faça a colheita dessa madeira a partir dos 7 anos. Do 4 para o 7 ano há um aumento expressivo da biomassa do TRONCO da planta. Desse modo, você conseguirá alcançar uma relação de maior custo/benefício. Para fabricação de carvão, a madeira precisa estar bem formada, melhor dizendo, ela precisa conter maiores teores de lignina (componente estrutural da madeira). Essa lignina que será responsável pela maior conversão de madeira em carvão e ela aumenta a cada ano. Infelizmente o mercado HOJE de carvão vegetal não está bom iguais aos anos de ouro antes da crise de 2008. Mas acredito que o seguimento siderúrgico tem tido bons sinais de melhora de 2 anos para cá. Veja que os preços voltaram a subir, timidamente, mas tem reagido. Sendo assim, sua plantação florestal tende a ser colhida em um momento promissor. Espero ter contribuído com o senhor.Esta é a minha OPINIÃO. Um abraço.

RICARDO COSTA disse:

13/03/2014 às 20:51

Tenho duas propriedades com plantios de eucalipto de duas idades, 125 ha de 4 anos e 100 ha de 1 ano. Estou na região próxima a Sete Lagoas MG como consumidor de carvão vegetal para as siderurgicas do aço usi. Como investimento de maior rentabilização, qual a era ideal para corte deste produto? Podemos acreditar piamente nesta matéria em relação a confiabilidade de um futuro promissor para o investimento?
Aguardo resposta, boa noite.

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