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17/09/2010

Mercado Florestal Brasileiro – Contexto e Tendências

O momento atual do setor florestal Brasileiro é resultante de uma séria de fatos marcantes que ocorrem nos passados distante e recente.

Parafraseando Peter Drucker, quando criamos estratégias devemos desenhar o futuro como resultado dos fatos correntes e passados. Da mesma maneira, podemos afirmar que o momento atual do setor florestal Brasileiro é resultante de uma séria de fatos marcantes que ocorrem nos passados distante e recente.

Olhando para o passado mais distante, observamos três fases distintas fundamentais para o setor florestal. A primeira, entre 1960 e 1980, foi responsável pela formação da base florestal, que hoje soma aproximadamente 6, 5 milhões de hectares. Essa fase foi resultante de uma “política estratégica” do governo federal, que definiu as indústrias de papel e celulose e do aço como forças motrizes da economia brasileira e os incentivos fiscais para plantios florestais como o principal instrumento para mobilizar essas forças.

A segunda fase ocorreu entre 1980 e 2000, quando houve a consolidação do setor florestal. As florestas plantadas ficaram maduras, houve investimentos significativos em tecnologia e gestão e um processo intenso e crescente de industrialização, principalmente nas regiões sul e sudeste do país.

A última década marca o início da terceira fase, com o Brasil se consolidando como um grande player internacional. E, em síntese, hoje o setor florestal brasileiro se caracteriza por uma economia de mercado, apesar de ainda imperfeita; pela gestão sustentável, econômica e socioambiental; pela inovação tecnológica; pelo crescimento acelerado, com a abertura de novas fronteiras, caminhando para o interior do país; por uma matriz energética sustentável; e por estar organizada em “clusters florestais”, criando desenvolvimento regional e plataformas de exportação.

EVOLUÇÃO DO NEGÓCIO FLORESTAL BRASILEIRO

Grafico

Gráfico 2Entendido o contexto do setor florestal, podemos agora analisar as tendências. Para isso, é importante entender as ‘forças de sustentação, expansão e contenção’ que agem sobre o setor de florestas plantadas no Brasil.

As principais ‘forças de sustentação e expansão’ são a nossa competitividade (site, tecnologia e gestão); a atual dinâmica da economia brasileira; a demanda crescente por produtos e energias renováveis; e a mudança do modelo global de desenvolvimento, cada vez mais fundamenta no conceito de sustentabilidade.

Agindo em direção oposta das forças de sustentação e expansão, temos as ‘forças de contenção’ do setor florestal. Nesse grupo, destacam-se a infraestrutura brasileira; o custo e a disponibilidade da terra, principalmente nas regiões onde os clusters já estão consolidados; a carência de políticas e ações governamentais; e a possível intensificação dos conflitos pelo uso da água.

Ainda como ‘força de contenção’, um fato recente pode se constituir uma força expressiva de contenção: a resolução governamental que limita a aquisição de terras pelo capital estrangeiro. Ainda é cedo para medir o impacto dessa medida. Contudo, entendemos que ela era dispensável, uma vez que o governo Brasileiro já dispunha de instrumentos eficientes para garantir as funções social, produtiva e de soberania desempenhadas pela terra. A mensagem passada por essa medida, tanto para o investidor internacional quanto o nacional, foi negativa. Como consequência, deveremos observar uma redução significativa dos investimentos, pelo menos no curto prazo. Em uma economia onde a participação do capital internacional é crescente e complexa, as perguntas que se apresentam no momento são: Essa medida foi um fato isolado ou representa uma tendência? Qual será o seu real impacto dela sobre as atividades agrícola e florestal?

Além das forças especificadas nos últimos parágrafos, algumas outras forças que devem ser observadas com mais atenção, pois, dependendo do momento e da situação, poderão se comportar como forças de expansão/sustentação ou de contenção. Os movimentos socioambientais, o novo código florestal, o aquecimento global, os players internacionais, os valores de accountability e a própria organização do mercado florestal brasileiro, ainda muito verticalizado/integrado, são elementos importantes a serem monitorados.

PRINCIPAIS FORÇAS DIRECIONADORAS DA NOVA ORDEM ECONÔMICA

Gráfico 2

Com base nessas análises , podemos delinear as principais tendências para o setor florestal. No curto e médio prazo, espera-se: o crescimento de área florestal plantada, a consolidação da economia de mercado; a intensificação da migração do negócio florestal para o hemisfério sul, principalmente América Latina e África; a consolidação das novas fronteiras florestais brasileiras; a substituição parcial de florestas de Pinus por florestas de Eucalyptus no Sul do Brasil; e o desenvolvimento de novos mercados - produtos e negócios, como as biorefinarias e as bioenergéticas.

No médio e longo prazo, visualiza-se: a estagnação da economia florestal no sul do Brasil, a não ser que consolidemos o ‘Mercosul Florestal’; o Eucalyptus como multiproduto; a consolidação do modelo de clusters florestais; a intensificação da competição com outros países da América do Sul e África; a intensificação do conflito com a legislação socioambiental; o crescimento do conflito pelo recurso água; o aumento de nossa competitividade tecnológica e gerencial; um mercado crescente de novos de produtos florestais, principalmente energia, bioprodutos e pagamento por serviços ambientais; o aumento da importância da silvicultura no controle das mudanças climáticas; e uma maior atenção do governo para com o setor florestal, principalmente pela sua crescente importância para a economia do país.

Em termos de investimentos em novas plantações florestais, espera-se um crescimento marginal nas regiões sul e sudeste e um crescimento significativo nas chamadas ‘novas fronteiras’ - principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Piauí, Maranhão, Pará, Bahia e norte de Minas Gerais. No curto e médio prazo, os projetos de greenfield devem responder por uma área adicional da ordem de 600 a 800 mil hectares de novos plantios. Entretanto, devido ao esperado descompasso entre investimentos silviculturais e industriais, a taxa de expansão florestal poderá cair significativamente em certas regiões no médio e longo prazo. Uma ação integrada entre o governo e o setor poderá evitar esse problema.

Em termos de aquisição de ativos já existentes, novos investimentos deverão continuar limitados, principalmente devido ao preço corrente dos ativos (terras e florestas). Entretanto, os investimentos em florestas já existentes poderão se viabilizar através das ‘sociedades de propósito específico’ com as empresas de base florestal.

Em síntese, delineamos um cenário positivo no médio e longo prazo. Entretanto, uma série de desafios deverão ainda ser enfrentados para que este cenário se torne realidade.


Fonte: Jefferson Bueno Mendes, Diretor da Silviconsult citado por Painel Florestal



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