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20/03/2020

GESTÃO PARA BONS RESULTADOS NO CAMPO

Nos processos de mudanças não basta somente gerar a inovação; é preciso constante sintonia com os mercados; logísticas eficientes, escalas de ofertas; capacidade de inovar; lucratividade na gestão para bons resultados em níveis de estabelecimentos agropecuários e empresas rurais.

GESTÃO PARA BONS RESULTADOS NO CAMPO*
Os estabelecimentos agropecuários somam 5,073 milhões no Brasil, e 3,897 milhões de estabelecimentos são enquadrados como sendo da agricultura familiar, respondendo por 76,82% do total recenseado no País. Em Minas Gerais, dos 607.448 estabelecimentos, 441.829 mil são familiares e representam 72,72% do universo mineiro pesquisado, segundo o Censo Agropecuário 2017. No País, a agricultura familiar ocupa 10,1 milhões de pessoas ou 67% do total de 15,036 milhões (IBGE).
São cenários com seus desafios e oportunidades na lógica dos mercados, pesquisa agropecuária, assistência técnica privada, extensão rural pública, conjuntamente com produtores rurais, quando se aborda a gestão para resultados econômicos, sociais, e ligados aos recursos naturais. Não há como subestimar a missão da agricultura familiar, no que lhe compete, no somatório dos esforços produtivos nas culturas e criações, que reúnem também os médios produtores e os empresários rurais!
Segundo o Censo Agropecuário 2017, em Minas Gerais no Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária a agricultura familiar respondeu por: 55,89% na horticultura; 75,71% na extração vegetal; 68,42% na produção de mandioca; 49,78% na produção de leite de vaca.
Segundo a Emater-MG, estimam-se que podem ser enquadrados como familiares; 50% dos horticultores; 68% dos fruticultores; 84% dos apicultores; 60% das propriedades que cultivam o café; e respondem por 70,8% do VBP do café. O Censo Agropecuário de 2006 acusava 167.153 produtores de leite considerados como familiares (74,9%) do total de 223.076 em Minas Gerais (IBGE), uma referência, até novos dados! O estado lidera a cafeicultura nacional!
Além disso, é bom recordar que os pesquisadores Eliseu Alves, Geraldo Souza e Renner Marra (Embrapa), com base no Censo Agropecuário de 2006, revelaram que dos 4,4 milhões de estabelecimentos agropecuários recenseados no Brasil, à época, apenas 27,3 mil (0,62%), com mais de 200 salários mínimos de renda bruta mensal, responderam por 51,2% do Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária em 2006 (IBGE). Concentração, o que não excluem, por consequência, nem os agricultores familiares e nem os médios produtores nesse País continental!  
O pesquisador Eliseu Alves alerta para a necessidade de reduzir as imperfeições de mercado que ainda discriminam a pequena produção, pois compram caro os insumos e vendem barato o que produzem! Assim, num cenário continental, pode-se avaliar a complexidade que envolve a tomada de decisão no campo, com suas singularidades econômicas e de mercados, gestão de pessoas, onde dezenas de condicionantes precisam ser acessadas para fundamentarem as atividades agropecuárias e agroflorestais tracionadas pelos mercados!
Embora ainda não haja uma pesquisa abrangente e confiável, presume-se que fora as médias e grandes empresas do agronegócio, que exigem maiores investimentos, planejamento exemplar e gestão eficiente para bons resultados, não era, ou ainda não é, de hábito e tradição para a maioria dos produtores rurais, salvo exceções, exercitarem o controle de suas despesas e ganhos.  
E mais, também não é de praxe os produtores rurais avaliarem a produtividade econômica nas culturas e criações, renda bruta e renda líquida. Vale também ressaltar o cenário estadual em 1949 quando havia 265.559 estabelecimentos rurais, dos quais 158.542 abaixo de 50 hectares (59,7%); a população rural mineira somava 5,49 milhões de habitantes (70,2%); a urbana, 2,32 milhões (29,8%), totalizando 7,81 milhões de habitantes no Estado (IBGE). Minas Gerais era rural. A Acar foi fundada em dezembro de 1948; e houve uma reversão demográfica; hoje, 85% vivem nas cidades!
Além disso, é preciso registrar que pioneiramente no Brasil as modalidades de crédito rural, principalmente o supervisionado, habitacional, orientado e juvenil permitiram, como ferramentas de extensão rural, à época, uma radiografia considerável das propriedades rurais assistidas direta e regularmente pelos extensionistas da Acar/Emater-MG. No período entre 1949 e 1966, por exemplo, o retorno bancário do crédito rural supervisionado foi em média 99,79%, com a aplicação, a preços correntes, de Cr$ 1,278 bilhão. Não deixava de ser uma “gestão para bons resultados há 70 anos.”
Portanto, as memórias do campo e sua gente laboriosa não podem ser perdidas, e elas também ajudam a explicar o desempenho vigoroso do agronegócio brasileiro, dinamizado a partir da década de 1970, pois o País era, até então, um grande importador de alimentos. O Brasil é hoje o 3º produtor mundial de alimentos!
Contudo, nessa sequência, não implica afirmar que os controles nas atividades rurais seriam zero, uma hipótese presumível sem fundamento e lógica, e subestimando até a capacidade do produtor em conduzir os seus negócios, via também de experiências vividas e acumuladas ao longo de muitas décadas nas artes de plantar, criar, comprar, vender e pagar!
No entanto, configurava-se uma contabilidade prática circulando nos estabelecimentos rurais, não raro. Exemplos; quantas sacas de milho para comprar uma tonelada de fertilizantes? De quantas vacas leiteiras um bom ordenhador manual poderia dar conta diariamente? A venda de um bovino compraria quantas bezerras? Evidentemente que não resolviam tudo dessa forma, mas ajudavam no entendimento de como desenvolver seus negócios agropecuários. Mesmo assim, permanece ativa e atual uma questão de fundo no aperfeiçoamento dos processos e decisões compartilhadas no campo, contribuindo na geração de ganhos de produção, produtividade, qualidade e lucratividade! Em 2019, o PIB do agro brasileiro foi de R$ 1,55 trilhão!
Assim posto, cenários complexos, é de se esperar que os “Centros de Inteligência” públicos e privados nos domínios das Ciências Agrárias desenvolvam pesquisas e soluções cerca das plataformas digitais simplificadas, eficientes e operacionais, sem relegar os produtores familiares, que contribuam à tomada de decisões nas relações custos/benefícios. A posse da internet se multiplica nos estabelecimentos agropecuários, e nas moradias urbanas dos produtores rurais! O mundo na ponta dos dedos!
Segundo o Censo Agropecuário 2017, em Minas Gerais 200,47 mil estabelecimentos agropecuários já estão conectados à internet e 1,43 milhão no Brasil, entre banda larga e internet móvel. Por acréscimo, ainda 3,64 milhões de estabelecimentos agropecuários brasileiros (71,8%) não têm acesso à internet; um mercado aberto às logísticas de informações!
Evidentemente, no mundo da economia globalizante, políticas agrícolas, crédito rural, mercados e adoção de tecnologias explicam o crescimento do agronegócio brasileiro; na lógica a tomada de decisão é conjuntural, e dependerá cada vez mais do acesso à informação e às boas práticas rentáveis nas culturas e criações! Para os produtores familiares e médios; estimular as formas de associativismo e cooperativismo, indispensáveis!  
Resumindo; nos processos de mudanças não basta somente gerar a inovação; é preciso constante sintonia com os mercados; logísticas eficientes, escalas de ofertas; capacidade de inovar; lucratividade na gestão para bons resultados em níveis de estabelecimentos agropecuários e empresas rurais.
*Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte – março de 2020.
 


Fonte: O Autor



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