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05/07/2010

Estudo de Baixo Carbono Brasil: Uma Reciclagem do Discurso dos Velhos Atores

Esse estudo é uma amostra da estratégia de reciclagem do discurso e da nova roupagem que velhos atores, como o Banco Mundial, rapidamente estão adotando para liderar esta transição para o que chamam de "desenvolvimento de baixo carbono".

No ano passado, uma consultoria internacional de empresas, a McKinsey & Company, também lançou seu estudo Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil. – É importante avaliar criticamente o uso cada vez mais indiscriminado deste recurso que é a construção de um (ou mais) "cenário de referência". No caso do estudo do Banco Mundial, foi uma projeção para 2030, que cria uma projeção linear extrapolando todo o tipo de "tendência" e criando um panorama de crescimento e emissões absolutamente ilusório, ignorando inclusive todas as limitações ambientais, bem como os impactos econômicos, gerados com a mudança do clima. – As principais ações propostas pelo estudo no cenário de referência (projeção para 2030 das tendências históricas, dinâmicas e tendências atuais) são pertinentes ao maior fator de emissões de gases de efeito estufa pelo Brasil: a mudança do uso do solo (expansão da agricultura e pecuária) e do consequente desmatamento. O cenário alternativo, chamado de "baixo carbono" pelo Banco, não contesta a expansão do agronegócio, da pecuária e das monoculturas para agroenergia. Pelo contrário, parte do princípio de que estes são "motores fundamentais da economia brasileira" e trata de reforçar o crescimento continuado destes setores, tentando acomodar esta expansão no cenário de "baixo carbono" e com os compromissos ambiciosos do Brasil de redução de desmatamento (redução de 72% do desmatamento na região Amazônica até 2017, segundo o órgão Política Nacional sobre Mudança do Clima). – O tom do estudo reforça que, com "ajustes tecnológicos" que reduzem as emissões (tais como plantio direto, intensificação e confinamento do gado, melhoria genética dos plantéis etc.), o agronegócio e a pecuária poderão crescer ainda mais. Isso se somando ainda às oportunidades de "redução" de emissões com a ampliação do uso do etanol e biodiesel (ou seja, mais monoculturas de cana-de-açúcar e a crescente palma africana/dendê), assim como as vastas oportunidades para os negócios de "reflorestamento", tanto da reserva legal e das áreas de preservação permanente como de pastagens degradadas. – Este é o cerne do debate, devemos discutir e qualificar o que estamos considerando como "desenvolvimento", para além de renovar esta mesma e cansada ideologia que já se mostrou tão destrutiva do "crescer pelo crescer". Qual o Brasil que queremos? Há um risco muito grande neste reducionismo brutal da questão ambiental e climática à redução das emissões de dióxido de carbono, pois as inter-relações que afetam os ecossistemas são muito mais complexas e imprevisíveis, assim como a poluição. – É preciso retroceder com urgência, na verdade. Deter os planos de construir Belo Monte e outras grandes obras de infraestrutura e energia na Amazônia. Precisamos discutir o uso do pré-sal em um processo de transição para uma sociedade pós-petróleo, redimensionar as expectativas da agroenergia somente para o mercado nacional e em acordo com uma redução do transporte individual e do fomento ao transporte coletivo etc.


Fonte: Painel Florestal



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