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18/07/2010

Embrapa e Serviço Florestal Americano Capacitam Profissionais em Planejamento de Estradas Florestais

A engenharia de estradas tem o papel de encontrar alternativas economicamente viáveis para a construção e manutenção das estradas florestais, potencializando os pontos positivos e minimizando os aspectos negativos do processo.

Importante atividade econômica na Amazônia, o manejo de florestas impõe o constante desafio de conciliar crescimento econômico com preservação ambiental, exigindo de gestores públicos, instituições de pesquisa e ensino e dos diversos atores do setor florestal o desenvolvimento e implementação de práticas sustentáveis. Pensando nisto, a Embrapa Acre, em parceria com o Laboratório Virtual da Empresa nos Estados Unidos (Labex/EUA) e Serviço Florestal Americano (SFA) realizam o curso Planejamento de Estradas Florestais de Impacto Mínimo.  O evento aconteceu no período de 12 a 16 de julho, com apoio do governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Florestas (Sef).

Professores universitários, profissionais de instituições ligadas à fiscalização ambiental, pesquisadores e técnicos que atuam com manejo florestal nos Estados do Paraná, Mato Grosso, Amazonas, Rondônia, Acre, e Distrito Federal vão aprender sobre os princípios do planejamento de estradas florestais, identificação de padrões de projeto e especificações de construção adequadas, técnicas para alocação de estradas no campo, processos de construção com ênfase em drenagem e processo de análise ambiental para projetos de estradas rurais, além do uso do Modelo Digital de Exploração Florestal (Modeflora) no planejamento de estradas entre outros conteúdos.

O curso também terá outra tecnologia a serviço do conhecimento dos participantes: o sistema Lidar (perfilamento a lazer aerotransportado), desenvolvido pela Embrapa/Labex EUA e Serviço Florestal Americano. Testada recentemente em florestas do Acre, a tecnologia inovadora considera informações sobre a composição, estrutura, redes de drenagem e topografia no mapeamento de florestas e apresenta estes dados em terceira dimensão.

O engenheiro florestal James Sherar e o engenheiro geotécnico Gordon Keller, pesquisadores do SFA, ministram a capacitação, com aulas teóricas no auditório da Embrapa Acre, a partir das 8h, e práticas em áreas de manejo florestal. O curso é resultado da articulação de pesquisas na área de manejo florestal, junto ao Serviço Florestal Americano, realizada pelo pesquisador da Embrapa Acre, Marcus Vinício Neves d´Oliveira, que há dois anos trabalha no Labex/EUA. Os dois pesquisadores americanos são referência em planejamento de estradas florestais e, em virtude do público diversificado, as aulas acontecem com tradução simultânea.

Aulas práticas

De acordo com o pesquisador Luciano Ribas, um dos coordenadores do evento, o objetivo é mostrar alternativas para garantir a adequação do trabalho de planejamento e gestão de estradas florestais e assegurar o componente ambiental no manejo da floresta. “A construção de estradas tem grande influência nos níveis de impacto da atividade florestal sobre o meio ambiente. Por isto, o seu planejamento e execução devem obedecer a critérios de engenharia, como forma de garantir a sustentabilidade ambiental e reduzir custos. Além disso, uma estrada bem desenhada apresenta maior tempo de vida útil, resultando em economia para o produtor”, afirma.

As aulas práticas acontecem em áreas florestais que utilizam o Modeflora e dispõem de plano de manejo aprovado para 2010. Na sexta-feira (16), os participantes visitaram a Fazenda Floresta, na BR-317, no município de Sena Madureira, para conhecer técnicas de recuperação de estradas e práticas de controle de erosão.

Com base nos conhecimentos adquiridos e na experiência de cada participante, ao final da capacitação será elaborado um documento indicando índices e padrões de estradas florestais para os planos de manejo da Amazônia. Os participantes também vão discutir a adequação de uma grade curricular mínima para a disciplina Estradas Florestais, oferecida no curso de engenharia florestal de universidades amazônicas.

A adoção de práticas sustentáveis no desenvolvimento da atividade florestal deve começar na fase de planejamento. Na opinião de Ribas, a topografia e hidrografia influenciam os custos de construção das estradas florestais e, neste aspecto, o Acre apresenta duas realidades distintas. “Existem terrenos planos, com poucos igarapés, onde é possível evitar a colocação de pontes e minimizar gastos e impactos da atividade, mas também encontramos áreas com relevo acidentado e excesso de nascentes, que exigem maiores investimentos“, explica.

Engenharia de estradas

Para o pesquisador Gordon Keller, o planejamento é o ponto de partida para o projeto de construção de uma estrada. Este aspecto contempla fatores como localização, desenho e a própria construção e manutenção. Por outro lado, o processo de vistoria e acompanhamento das atividades é outro fator decisivo para o sucesso do projeto. Verificar aspectos como tamanho, largura, relevo, hidrografia e a estabilidade do terreno evita erros e desperdícios de recursos materiais, humanos e financeiros, bem como prejuízos ambientais.

“A engenharia de estradas tem o papel de encontrar alternativas economicamente viáveis para a construção e manutenção das estradas florestais, potencializando os pontos positivos e minimizando os aspectos negativos do processo. Cada região tem suas peculiaridades, mas recomenda-se evitar a presença de corpos d´água (rios, igarapés, nascentes) e terrenos inclinados ou alagadiços porque nestas situações, o uso de modernas tecnologias pode ajudar, mas, certamente, o custo será elevado”, diz.

Outra questão importante para garantir a viabilidade econômica das estradas florestais, de acordo com James Sherar, é a avaliação do uso destas estruturas. O desenho deve levar em consideração se a estrada será utilizada por veículos pesados e estimar a capacidade de suporte do terreno. No caso das estradas de alto volume, o pesquisador enfatiza a necessidade de investimentos mais elevados tanto na construção como na manutenção. Isto garantirá a segurança de quem trafega nestas vias, que deve ser uma das principais preocupações na formatação e execução do projeto.


Fonte: Embrapa/Acre



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