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23/02/2016

Em 15 anos exportações de serrados crescem 200% no Chile e apenas 36% no Brasil

Mas como teria nosso vizinho de continente atingido este patamar? Uma evolução de tal magnitude dificilmente é consequência de apenas um fator

Eugênio Pitzhan Jr: Economista e Consultor da Consufor (Reprodução)
No ano 2000 as exportações de serrados renderam ao Brasil cerca de USD213 milhões e USD190 milhões ao Chile. Quinze anos depois estes valores eram de USD290 milhões e USD569 milhões, ou seja, um incremento de 36% e de 200%, respectivamente (Figura 1).
Mas como teria nosso vizinho de continente atingido este patamar? Uma evolução de tal magnitude dificilmente é consequência de apenas um fator. Geralmente existe uma combinação de fatores que proporcionam um melhor ou, por vezes, pior desempenho. Desta forma, vamos analisar três dos principais componentes que impactam no resultado.
 
 
Taxa de Câmbio: normalmente apontado por “experts” do setor madeireiro como principal fator da perda de competitividade nacional. No período analisado o Peso Chileno desvalorizou cerca de 21%, enquanto no Brasil o Real atingiu um patamar 82% inferior ao inicial (Figura 2A). Pela teoria econômica clássica isso teria proporcionado mais competitividade ao Brasil, favorecendo o país no mercado internacional, o que parece não ter ocorrido.
Volume Exportado: em 15 anos o Chile conseguiu gradualmente inserir um volume cada vez maior de serrados no mercado internacional atingindo no último ano um patamar cerca de 88% maior que o inicial. No mesmo período de análise o Brasil adicionou apenas cerca de 2% (Figura 2B).
Preço Médio: também pela teoria econômica clássica maiores volumes transacionados derivam de preços unitários menores (salvo em casos de choques de demanda, como um furacão devastador nos EUA, por exemplo), mas em ambos os países sob análise obtiveram no período preços em Dólar significativamente superiores aos iniciais, cerca de 33% no Brasil e 59% no Chile (Figura 2C).
 
 
Mas, se a depreciação cambial foi mais favorável ao Brasil que ao Chile, o que proporcionou um aumento tão expressivo? A resposta é simples, mercado! O Brasil tradicionalmente volta sua produção ao mercado americano.
Em 2005, aproximadamente 75% de todo volume exportado foi destinado aos EUA. Novos mercados de relevância não foram abordados e quando a crise do housing chegou, as exportações brasileiras caíram mais de 58% em relação ao pico.
Apenas em 2015, conforme previsto pela CONSUFOR, o início da recuperação da demanda dos EUA combinada com uma taxa de câmbio ainda mais competitiva, proporcionou a volta de um patamar de exportações equivalente ao período pré-crise (2007). Desta forma, mesmo que novos mercados tenham sido inseridos, ainda são os EUA o principal comprador dos produtores nacionais respondendo em 2015 por aproximadamente 36% do volume enviado ao exterior (Figura 3).
 
 
No sentido oposto, os exportadores Chilenos diminuíram ano a ano sua dependência dos EUA (em 2015 estes adquiriram do país menos de 43% do volume adquirido quinze anos antes), mas aumentaram sua exposição a China em mais de 4.200%! Ainda assim, este país não responde por mais de 27% de todo volume exportado pelo Chile.
Como pode ser visto na Figura 4, outros países como Coréia do Sul, Japão e Arábia Saudita também tem forte participação nas exportações do país, diminuindo assim (e muito) a dependência e o risco da dependência de apenas um grande consumidor.
 
 
Obviamente fatores geográficos contribuem para vantagem do Chile no acesso aos países do continente asiático, mas isso por si só não explica o acesso facilitado. Recentemente a equipe da CONSUFOR entrevistou empresas Chilenas sobre o mercado local e internacional e foi identificado que a grande parte destas conta com uma subsidiária no continente asiático funcionando como um centro de distribuição regional. Esta opção comercial proporcionou enorme expansão das exportações ao continente no período de análise (Figura 5).
 
 
Esta estratégia também já foi implementada por algumas empresas brasileiras e visa a transferência de estoques entre empresas do mesmo grupo econômico. Apresenta diversas vantagens, pois além de melhorar a negociação com consumidores locais, uma vez que o produto já está no país de destino e pode ser fornecido em um curtíssimo prazo, possibilita também se apropriar as margens que um atravessador teria, elevando assim o preço médio recebido, sem mencionar a redução de custos de transporte com contratos de maior prazo e frequência de embarque.
No que tange a esfera governamental o Brasil escolheu privilegiar o Mercosul em sua política externa, enquanto o Chile assinou acordos bilaterais com diversos blocos econômicos e países. Isso sem sombra de dúvida proporcionou ao país Andino acesso expresso a grandes centros consumidores, enquanto empresas brasileiras lutam para transpor as barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pela não existência de acordos entre o Brasil e estes países.
Em síntese, o governo chileno fez sua parte e os exportadores não foram passivos, aguardando uma taxa de câmbio favorável e aumento da demanda externa. Aproveitaram sua vantagem da localização geográfica e potencializaram com estratégias comerciais mais agressivas, mas ao mesmo tempo de maior rentabilidade.
Em termos geográficos, o Brasil está de costas para a Ásia e ainda assim suprimos o continente com milhões de toneladas de minério e soja. Mesmo numa escala menor, a logística de exportação já existe e nos é favorável, pois sobram containers que vêm carregados do oriente e voltam vazios pois não tem mercadoria de retorno.
O produto está disponível, a tecnologia de produção está dominada e a logística de exportação é conhecida. Assim a pergunta que fica é: o que estamos esperando para buscar o mercado Asiático?
*Eugênio Pitzhan Jr é economista e consultor da Consufor.
www.consufor.com


Fonte: Painel Florestal



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