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Avanço e Pesquisa

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02/08/2010

Do Eucalipto, o Mentol

Pesquisadores conseguem extrair essência a partir do óleo do eucalipto citriodora, Amplamente usado na indústria. Brasil poderia deixar de depender da importação

Pesquisadores conseguem extrair essência a partir do óleo do eucalipto citriodora, Amplamente usado na indústria. Brasil poderia deixar de depender da importação

O que o eucalipto da espécie Citriodora, cultivado no Norte de Minas, tem a ver com o poderoso mercado do mentol, que movimenta ao ano US$ 18,5 bilhões em todo o mundo? A resposta vem de um grupo de pesquisadores do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O grupo conseguiu transformar, pela primeira vez, o óleo essencial do eucalipto em mentol sintético. O produto químico é utilizado em larga escala por indústrias de produtos de limpeza, cosméticos, medicamentos, fragrâncias e aromas, e até mesmo pela indústria de alimentos, que emprega o componente na fabricação de balas e pastilhas com aroma, sabor e frescor mentolado.

Apesar de ser grande produtor de óleos essenciais, o Brasil é um grande importador do mentol sintético. Por ano, são US$ 15 milhões pesando na balança comercial. Todo o produto é comprado do Japão e da Alemanha, que detêm a tecnologia de produção do mentol, obtido a partir de plantas do gênero Mentha. A novidade da pesquisa mineira foi mostrar que o óleo essencial, extraído por meio de decantação das folhas da espécie Citriodora, também pode ser transformado no componente sintético. O óleo obtido de outras espécies, como o eucalipto utilizado para a indústria do papel, não têm propriedades aromáticas. A ideia é que a partir de agora o produto passe a ser produzido no país, abastecendo o mercado interno e reduzindo a dependência internacional. Com a nova tecnologia, o país também ganha a chance de concorrer no bilionário mercado externo.

O estudo, coordenado pela professora Elena Goussevskaia, já está patenteado. No país não foram identificadas outras rotas de produção, nem mesmo com patentes estrangeiras. O novo produto é resultado da aplicação de um processo químico inovador. Foi utilizado um catalisador que transforma o citronelal, composto presente no óleo de eucalipto, em mentol. Além do óleo, principal insumo da pesquisa, a tecnologia envolve também o uso do gás hidrogênio e dos catalisadores.

O processo ocorre em um reator, no qual o óleo de eucalipto Citriodora entra em contato com o catalisador e gás hidrogênio, formando o óleo mentolado, ou seja, ocorre a transformação do citronelal, constituinte majoritário do óleo de eucalipto, obtendo-se o mentol. "A molécula essencial é transformada em uma molécula sintética", explica a pesquisadora Patrícia Robles Dutenhefner. Segundo ela, o produto produzido a partir do eucalipto tem as mesmas características aromáticas do mentol atualmente encontrado no mercado e, por isso, tem potencial para abastecer indústrias como a de fragrâncias.

Outra inovação do estudo é que com o uso do catalisador foi possível, em uma única etapa, sair do óleo de eucalipto e chegar ao mentol. Como explica Robles, mundialmente o mentol sintético é obtido a partir de seis etapas químicas. A obtenção da matéria-prima é sempre um desafio e assim, mais um diferencial do mentol mineiro. Em Minas, a espécie Citriodora já é cultivada em larga escala e para dar impulso à nova tecnologia, as plantações poderiam ser fomentadas por meio de cooperativas agrícolas, o que garantiria o fornecimento do óleo essencial, para ser transformado no produto de maior valor agregado, impulsionando também produtores agrícolas.

MERCADO PROMISSOR Com perspectivas para ganhar o mercado, o estudo já saiu do laboratório com ótimos resultados de rendimento, e está agora sendo testado em um projeto pré-piloto para grande escala. Em laboratório, o rendimento para o mentol chega a 90%. Em grande escala, Patrícia Robles destaca que este percentual pode ser menor. No entanto, será aplicado uma engenharia de reaproveitamento de itens importantes, como a energia, para baratear o custo final da produção. Segundo a pesquisadora, como o procedimento é simples, realizado em uma única etapa química, a tecnologia nacional poderá ter custo mais barato que a dos concorrentes internacionais.

A intenção é que o mentol de eucalipto se transforme em um negócio lucrativo. "Para que o Brasil se torne uma potência em ciência e tecnologia, é preciso direcionar as pesquisas para o mercado", defende o gerente de inovação e tecnologia do Sebrae-Minas, Anizio Vianna. Juntamente com a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, o Sebrae desenvolve projetos para fomentar a criação de empresas e o projeto de transformação do óleo do eucalipto em mentol sintético chamou a atenção das instituições pelo seu potencial.

O estudo da viabilidade do mercado para o mentol já está concluído e a próxima etapa será o plano tecnológico. Vianna destaca que o processo de síntese do produto sintético atual é uma tecnologia internacional, controlada por duas empresas de origem japonesa e alemã. "Todo o mentol utilizado no Brasil é importado. O país está entre os maiores exportadores do óleo essencial, pouco utilizado para síntese de compostos de alto valor comercial."

Outros óleos essenciais, como o de pinho e laranja, estão sendo estudados pelo grupo de pesquisadores da UFMG, já que também podem ser transformados no mentol sintético. No entanto, a pesquisa está avançada apenas com o eucalipto. "Cada produto tem suas dificuldades para ser encontrado na natureza", pondera Robles, reforçando que este é outro diferencial do eucalipto. A espécie é encontrada de forma abundante no estado e a princípio a matéria-prima atua como um facilitador do processo de comercialização do produto final de alto valor agregado.


Fonte: Marinella Castro para o Estado de Minas



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Comentário(s) (1)


Ananias Carvalho Carneiro disse:

23/12/2010 às 14:23

Olá. Sou Eng. Agronomo e Agricultor e possuo uma propriedade agricola no Sudeste de Milnas. Tenho interesse em reflorestar e, gostaria de saber como esta a cadeia produtiva, perspectivas de negócios, resultado econômico, etc.. Com quem contactar... Agradecido.

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