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02/10/2014

Desafios para a produção de biocombustíveis de madeira

Em entrevista, o professor Jorge Luiz Colodette, da UFV também coordenador do Laboratório de Celulose e Papel da UFV, explica de que forma o material é produzido e os principais desafios

Professor Jorge Luiz Colodette
A produção de celulose para a fabricação de papel teve um decréscimo em escala mundial nos últimos anos devido à tendência da substituição de papel pelas mídias online. Por outro lado, esta queda na produção possibilitou ao Brasil despontar no setor como um dos líderes no segmento, já que a nossa produção pouco se alterou neste período.

Pensando em alternativas para utilização da celulose produzida no Brasil, a partir do final da década de 90 e início dos anos 2000, houve uma grande tendência de investimentos em biorrefinarias, já que os combustíveis produzidos por estas são ecologicamente mais interessantes do que aqueles de origem fóssil.

O etanol celulóstico, combustível feito a partir da biomassa excedente da celulose, ainda está em fase de pesquisa. Na Universidade Federal de Viçosa (UFV) existe o Laboratório de Celulose e Papel especializado em pesquisas para o melhoramento da qualidade da celulose e na produção de biocombustíveis. Em entrevista, o professor Jorge Luiz Colodette, também coordenador do laboratório, explica de que forma o material é produzido e os principais desafios:

Como é produzido o etanol celulóstico?
A nossa produção utiliza um processo misto de pré-tratamento da biomassa envolvendo o vapor, que de certa forma pode ser considerado tradicional. Nós fazemos um pré-tratamento térmico seguido de pré-tratamento com hidróxido de amônio, que apresentou ótimos resultados, com muito mais eficiência no processo produtivo, quando comparado à adoção apenas da primeira etapa. Após essa dupla fase, fazemos o tratamento enzimático e por fim a fermentação.

Como o Laboratório de Celulose e Papel da UFV pesquisa o assunto?
Há quatro anos o laboratório da UFV e outros do mesmo segmento no Brasil conquistou um projeto financiado pela União Europeia com valor total de 5 milhões de Euros. Isso possibilitou que trabalhássemos nessa área. Hoje nós temos a nossa linha de pesquisa voltada para produção de biocombustíveis e é muito forte: nós abordamos desde a produção da madeira até o produto final. Temos processos próprios de tratamento da madeira que têm apresentado resultados muito significativos.

Por que o Brasil deve investir na área de biocombustíveis de madeira?
Nós temos uma indústria pujante, com grandes projetos na área de celulose e papel. Como os países como Estados Unidos e Canadá têm apresentado grande queda na produção por não ser mais um setor interessante para eles, é a oportunidade do Brasil investir nesta área. Existe uma tendência muito grande de substituição de papel pelas mídias online, porque o papel ocupa muito espaço e gera um trabalho muitas vezes desnecessário, por isso a necessidade de buscar outras formas de aproveitamento da celulose.

Como as indústrias estão produzindo o biocombustível?
As empresas brasileiras que estão produzindo o biocombustível de madeira estão aliando sua produção ao etanol tradicional. Dessa forma, durante o processo de produção os dois líquidos se misturam, formando um único produto.

Existe alguma vantagem na produção do etanol celulóstico se comparado ao tradicional?
Basicamente não tem. O produto é o mesmo e apresenta o mesmo desempenho. A única vantagem, do ponto de vista filosófico, é que a produção de madeira não ocupa áreas destinadas à agricultura, já que a produção de cana-de-açúcar compete muitas vezes com a produção de alimentos. Se comparado à gasolina, os dois biocombustíveis apresentam o mesmo desempenho.

Qual o principal desafio da produção do etanol a base de celulose?
A produção deste biocombustível ainda é um processo antieconômico, pois hoje a produção de etanol de madeira ainda não desperta o interesse em grandes empresas devido à falta de competitividade com a gasolina. No Brasil, o etanol de cana-de-açúcar, e o etanol de amido nos Estados Unidos ainda são mais atrativos economicamente. Além disso, o processo em geral produz muitos resíduos, como a lignina, cujo aproveitamento ainda é escasso. Outro grande desafio para a produção do etanol-celulose é a queda nos custos de produção e umas das alternativas é a redução do custo da matéria-prima que compõe cerca de 40% do custo total da produção. Este é um caminho longo, já que o bagaço da madeira precisa passar por três fases de processamento, enquanto a cana-de-açúcar, apenas uma.


Fonte: Janaína Campos/AMP Comunica



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