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29/12/2005

Contribuições ao Plano Nacional de Energia 2006-2010, no Componente Florestas Energéticas

A energia de biomassa no mundo

Bio-energia tem sido uma importante opção para mitigação das emissões de gases de efeito estufa e substituição de combustíveis fósseis.

A utilização de energia renovável na União Européia tem sido uma estratégia chave para atendimento de objetivos ambientais e de segurança de suprimento. Na Polônia, ela tem sido identificada como a mais importante e promissora fonte de energia renovável. Dentre as formas de energia renovável, a oriunda da biomassa é uma das mais utilizadas no mundo. Estima-se que seu consumo atual esteja entre 10% e 14%. Para 2020, há estimativas de que ela atinja 11%.

Nos paises em desenvolvimento o consumo é bem superior. São pequenas as variações em relação aos dados apresentados sobre consumo atual nesses países. Estima-se um consumo de 38 e 34% para os paises em desenvolvimento e de 58 e 60% para a África, em particular. No Sudão, por exemplo, de 87% a 85% da necessidade de energia é provida pela biomassa sendo que destes, cerca de 45% na forma de lenha e 30% na forma de carvão. Algo muito parecido ocorre em Camarões, onde 64% da energia usada provém da biomassa, em particular da biomassa florestal.

Por seu lado, os paises industrializados, apesar de terem um consumo médio atual de energia de biomassa em relação ao consumo total de energia por volta de 3% os mesmos já entendem a importância desse tipo de energia como resultado do visível dano para o meio ambiente ocasionado com o uso de combustíveis fósseis, do limite das fontes desse tipo de combustível e da dependência que o mesmo causa para a economia de alguns países, mesmo os industrializados. Portugal, por exemplo, tem muito pouca ou quase nenhuma reserva de energia fóssil de boa qualidade, sendo dependente de importação de energia e tendo, portanto, bastante interesse em fontes de energia alternativa

Nos Estados Unidos, 2,82% da energia utilizada é oriunda de biomassa, correspondendo a um total de 187 milhões de toneladas secas por ano, sendo que desse total 166 milhões são de recursos florestais. No sortimento desse material temos que 35 milhões são oriundos de lenha, 44 milhões de resíduos de madeira, 35 milhões de resíduos urbanos de madeira e 52 milhões de licor negro. Ainda nos Estados Unidos existe uma previsão de que 4% da energia elétrica a ser produzida em 2010 seja oriunda de bioenergia, sendo que este valor deve ser de 5% em 2030. Ao mesmo tempo, o consumo de biocombustíveis aumentará dos 0,5% registrados em 2001 para cerca de 20% em 2030. Na Finlândia e Suécia o uso de energia de biomassa chega a 19,4% e 15,3% do suprimento total de energia sendo quase que totalmente proveniente da biomassa florestal.Na América Latina, 12% da energia consumida, cerca de US$ 12 bilhões, é oriunda de lenha.

A energia proveniente de biomassa tem uma relação direta com os objetivos do milênio principalmente, com o primeiro (erradicar a pobreza extrema e a fome) e o sétimo (assegurar o desenvolvimento sustentável). No World Summit on Sustainable Development (WSSD), em 2002, fez-se explícita referência ao fato de que a energia, desde que proveniente de processos sustentáveis, deve ser considerada uma necessidade básica humana como qualquer outra: água limpa, sanidade, alimento seguro, biodiversidade, sanidade e moradia. Ficou claro também que há uma estreita inter-relação entre pobreza, acesso à energia e sustentabilidade. Coincidentemente, o numero de pessoas que vivem com menos de um dólar americano por dia (dois milhões) é o mesmo daquelas pessoas que não dispõem de energia comercial.

A energia de biomassa no Brasil

Na condição de exportador de aço, alumínio, ferroligas, celulose, açúcar e outros produtos de baixo valor agregado, o Brasil apresenta estrutura produtiva intensiva em energia e capital.

De acordo com informações obtidas através do Ministério de Minas e Energia - MME, a Oferta Interna de Energia – OIE brasileira em 2003, foi de 201,7 milhões de toneladas equivalentes de petróleo – tep, superior em 201% á de 1970 e cerca de 2% da demanda mundial; cerca de 43,8% dessa OIE proveio de fontes renováveis. Neste particular, conforme o MME , a contribuição da biomassa no cômputo das fontes renováveis é de 29,2%. Assim, o Brasil supera a média mundial de participação da energia de biomassa na OIE, que gira em torno de 13,6%, e ultrapassa em muito aos paises desenvolvidos onde essa participação está em torno de apenas 6%. O Consumo Final de Energia – CFE, no mesmo ano, foi de 180,8 milhões de tep, cerca de 89,6% da OIE e 2,9 vezes superior ao de 1970. A indústria com 37%, o transporte com 26% e o residencial com 12%, responderam por 75% desse consumo. Desse consumo, apenas 11% adveio de importação.

Em função da recente ocorrência de um apagão energético no Brasil, atualmente, é grande a preocupação e o debate sobre a possibilidade da ocorrência de outros que pode ser evitada a partir de várias ações governamentais incluindo o aproveitamento da biomassa (lenha e resíduos de atividades florestais, agrícolas e pecuárias) em regime de co-geração.

A utilização de biomassa no Brasil para fins energéticos tem uma grande importância em relação à diminuição da taxa de emissão de CO². Atualmente, juntamente com a participação da energia hidráulica, a taxa brasileira já é de 1,69 tCO²/tep bem menor que a média mundial que é de 2,36 tCO²/tep.

A energia de biomassa florestal no Brasil

No mundo, e em especial nos países em desenvolvimento, a contribuição da biomassa florestal na energia de biomassa é bastante significativo. No Sudão, por exemplo, cerca de 45% da energia de biomassa é ofertada na forma de lenha e 30% na de carvão. Algo muito parecido ocorre nos Camarões onde a maior parte da oferta de energia de biomassa também tem base florestal No Brasil, em 2003, a lenha e carvão vegetal representaram 12,9% da Matriz Energética, resultado um ponto percentual acima de 2002.

A lenha e o carvão, apesar de serem produtos dependentes do preço das fontes de energia não renováveis e das modificações de padrões de consumo têm, atualmente, e continuarão a ter no futuro, uma grande importância em nossa matriz energética.

As respostas às variações de preços de combustíveis oriundos de fontes não renováveis são normais e continuarão a ocorrer como respostas às variações de oferta de combustíveis de fontes não renováveis.

No que tange aos efeitos da modernização e da globalização, as mudanças serão menos drásticas, mas, em nosso entendimento, mais duradouras. Assim, o aumento das vendas de fogões a GLP tem diminuído o consumo de energia de biomassa florestal na área urbana, enquanto que o êxodo rural e a transferência de muitas atividades ao setor industrial têm sido responsáveis pela diminuição de consumo na área rural.

Um aspecto relevante que também tem sido bastante considerado é a baixa eficiência da energia de biomassa, cuja melhoria tem sido creditada à melhoria da eficiência de equipamentos e motores e à substituição de fontes menos eficientes, dentre elas a lenha, nos setores de geração residencial, comercial, agropecuário e industrial.

A baixa eficiência da lenha deve-se a vários aspectos destacando-se entre eles: a heterogeneidade do material utilizado; o uso de materiais não selecionados para produção de energia; o uso de material in natura; o pouco uso de “pellets”, briquetes, dentre outras formas mais adequadas.

Mesmo assim a lenha ainda tem no mundo e no Brasil, uma grande importância como fonte de produção de energia. Em 2003, por exemplo o setor residencial e a produção de carvão consumiram 25,7 e 34 milhões de toneladas de lenha, equivalentes a 31% e 41% da produção de lenha brasileira. O carvão vegetal teve em 2003 um crescimento de 17,7%, em relação a 2002, em função da demanda de “guseiros” independentes e da produção de silício metálico.

A produção de lenha e carvão no Brasil tem em nossas condições edafoclimáticas, em nossa silvicultura do eucalipto e em nossa biodiversidade, aliados importantíssimos. As plantações florestais comerciais de eucalipto no Brasil, com a tecnologia hoje em uso permitem produções de 45 metros cúbicos por hectare ano sem muito problema. Existem informações de até 70 metros cúbicos em algumas empresas nacionais. Sem contar que apesar dessa produção nossos sistemas de colheita e de beneficiamento de madeira ainda deixam muitos resíduos que poderão ser aproveitados para queima.

O eucalipto será sem dúvida uma importante ferramenta para o desenvolvimento de um Programa Nacional de Energia no Brasil. Em um comparativo do custo para a geração de um Gcal a partir de diferentes fontes, temos que a partir de carvão mineral são necessários R$ 188,88, a partir de óleo combustível são necessários R$ 81,66, a partir de gás natural são necessários R$ 70,95 e a partir de eucalipto são necessários R$ 35,63.

O uso do eucalipto como carro-chefe do programa não inviabiliza a utilização de inúmeras outras espécies reconhecidamente potenciais para produção de energia e nativas de diversas regiões brasileiras, como táxi – branco bracatinga,pau-jacar, angico-branco angico-cascudo,angico-vermelho, timbó, maricacanudo-de-pito,sabiá farinha-secafaveira,e pau-darco-cabeludo.

A partir dessas importantes possibilidades da produção de energia de biomassa florestal é que o Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, recém lançou o Pólo Nacional de Biocombustíveis na USP/Esalq visando a criação de um programa de estudos e pesquisas na área de biocombustíveis. A ESALQ, a partir do Instituto de Pesquisa Florestais-IPEF, já na década de 1970, desenvolvia pesquisas sobre a produção de energia a partir da biomassa florestal.

Também contribuiu para a tomada de posição do ministro o fato do Brasil possuir a melhor tecnologia no mundo para a implantação, manejo e exploração de florestas de eucaliptos. Nossa produtividade média de eucalipto, que em 2000 era de 36 m³/ha ano para 3 ciclos de 6 anos, atingiu 44,8 m³/ha ano em São Paulo, embora já existam informações que dão conta de produtividades de até 50 m³/ha ano. Isto permitiria em São Paulo, segundo trabalhos do MME considerando valores em R$ para 2000, custos de US$ 1,16/GJ para a produtividade atual e de US$ 1,03 para a produtividade alta em distâncias de 21,4 km em média.

CONCLUSÕES

O uso da bioenergia não pode ser considerado como uma panacéia para todos os problemas energéticos. Ela deve ser considerada junto com outras opções considerando a sua combinação com outros fatores como: existência de fontes de matéria prima, empresas produtoras interessadas, padrões de consumo que lhe sustente e características técnicas de produção.


Fonte: Sociedade Brasileira de Silvicultura - SBS



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