Facebook Twitter RSS

Avanço e Pesquisa

Versão para impressão
A-
A+


14/06/2007

Castanheira-do-brasil: uma espécie chave na promoção do desenvolvimento com conservação

Muito se tem discutido sobre o uso sustentável dos recursos florestais como uma das estratégias para promover o desenvolvimento da região amazônica sem a destruição de sua cobertura florestal, e neste contexto, o desenvolvimento de mercados e técnicas de manejo para os chamados produtos florestais não madeireiros tem importância fundamental.

Dentre as várias espécies com potencial de utilização e mercado, a castanheira-do-brasil pode ser considerada como espécie chave na promoção do desenvolvimento com a preservação das florestas, pois além de ser abundante na região amazônica, a castanha é colhida quase que exclusivamente em florestas naturais; é explorada por diversas comunidades a baixo custo; apresenta sólida demanda de mercado e a sua coleta pode ser considerada como de baixo impacto ambiental.

As florestas com castanheiras cobrem uma superfície de aproximadamente 325 milhões de hectares na Amazônia, com a maior parte distribuídas entre o Brasil (300 milhões), a Bolívia (10 milhões) e o Peru (2,5 milhões). No Brasil, o extrativismo da castanha se caracteriza pela alta concentração da produção em poucos estados onde o Acre, o Amazonas e o Pará detêm 80,7% da produção, com os demais estados (RO, MT, AP e RR) totalizando os 19,3% restantes. Roraima é o estado Amazônico de menor produção com uma média histórica de 2,03% da produção nacional.

No Brasil, o comércio da castanha data do século dezessete e ao longo destes anos sempre fomos os maiores exportadores mundiais com cerca de 80% da produção. No entanto, apesar de ser uma espécie protegida por lei, a derrubada dos castanhais aliada a desvantagens competitivas em relação à Bolívia e o Peru fizeram com que a produção nacional declinasse ao mesmo tempo em que investimentos e incentivos fiscais na Bolívia tornaram este país lider no mercado internacional. Atualmente, a Bolívia é responsável por 50% da produção mundial, contra 37% do Brasil e 13% do Peru.

Na Bolívia, a castanha se converteu no principal produto florestal de exportação devido ao valor agregado gerado pelo seu processamento e ao aumento da produção. Desde 1996 toda a exportação boliviana é feita sem casca e o aumento da produção foi obtido pela compra de castanha com casca do Brasil. Atualmente, a castanha representa 30% dos produtos florestais de exportação e 2,6% do total das exportações deste país.

No Brasil, o processo de coleta da castanha permanece inalterado há séculos e esta estagnação, ocasionou a perda de competitividade do produto brasileiro, exatamente como ocorreu com os seringais em relação aos plantios na Ásia no passado. Apesar de existir grande controvérsia em relação ao extrativismo como modelo de desenvolvimento para Amazônia, o fato é que a castanha apesar de desempenhar um papel fundamental no sustento de várias famílias amazônicas, não tem recebido a devida atenção pelas autoridades brasileiras.

Em estudo recente realizado pela Embrapa Roraima, foi feita uma análise do extrativismo e da cadeia produtiva da castanha em projetos de reforma agrária no sul do Estado, nos municípios de Caracarai, São Luis do Anauá, São João da Balisa, Caroebe e Rorainópolis. Verificou-se que em anos de preços em alta, como foi o caso de 2005, a castanha contribuiu de forma significativa na geração de renda na propriedade rural. O valor líquido da produção de castanha destinada ao mercado foi em média de R$ 3.288,53 o que correspondeu a uma receita líquida de R$ 822,13 por mês de coleta. A remuneração da mão de obra familiar foi em média de R$ 78,5, por dia de trabalho sendo muito superior ao valor da diária praticado na região (R$ 25,00).

No entanto, o extrativismo é realizado sob condições precárias e rudimentares, sem manejo e sujeito à contaminação por fungos causadores da aflotoxinas, micotoxinas que podem causar sérios problemas à saúde humana. A castanha produzida em Roraima não passa por nenhuma seleção e beneficiamento, sendo, portanto, de baixa qualidade e valor agregado. O estado e os municípios não possuem nenhuma política para o setor, e os extrativistas não têm acesso a nenhum tipo de crédito nem garantia de preço mínimo, o que faz com que, muitas vezes, tenham que financiar os insumos necessários à prática do extrativismo com os próprios atravessadores.

A instalação de uma usina de beneficiamento foi apontada pelos extrativistas como uma maneira de aumentar o valor agregado da castanha e diminuir o lucro excessivo dos atravessadores. O beneficiamento e a comercialização poderiam ser feitos pelas cooperativas já existentes na região, que, no entanto, precisam ser capitalizadas para que possam adquirir a produção e os equipamentos necessários. Medidas como a inserção de produtos derivados da castanha na merenda escolar, poderiam promover o aumento de seu valor nutricional e agregação de valor ao produto pelo seu beneficiamento.

Fica evidente que medidas que promovam a agregação de valor em produtos florestais não madeireiros como a castanha-do-brasil tem grande potencial para a geração de renda e emprego na produção familiar valorizando os recursos florestais e diminuindo o desmatamento.

Helio Tonini - Engenheiro Florestal, Dr. Pesquisador da Embrapa Roraima em manejo e silvicultura (helio@cpafrr.embrapa.br)


Fonte: Embrapa Roraima



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (2)


MAria Fernanda disse:

22/05/2012 às 19:03

NÃO GOSTEI

MAria Fernanda disse:

22/05/2012 às 19:03

NÃO GOSTEI

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

As mais lidas


Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

Do ponto de vista técnico e operacional, qual é a melhor unidade para comercialização da madeira para celulose?

volume de madeira sólida (metro cúbico)
tonelada de madeira
metro estéreo ou metro de lenha
unidade ou peças de madeira

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


2368 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE  |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey