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13/09/2011

Capim-elefante: de alimentação bovina à geração de energia

Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), estão produzindo um biocombustível sólido (briquetes) a partir da biomassa de capim-elefante, gramínea muito utilizada na alimentação de bovinos.



Google: Foto ilustrativa

Ao encontro dessa proposta, pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), com o apoio do edital Prioridade Rio, da Faperj, estão produzindo um biocombustível sólido (briquetes) a partir da biomassa de capim-elefante, gramínea muito utilizada na alimentação de bovinos. Segundo Hernán Maldonado, pesquisador responsável pelo projeto, o Carvocapim, como foi nomeado, está sendo pensado para competir com o carvão vegetal tradicional, principalmente, com o que é feito a partir da exploração de florestas de eucalipto remanescentes e/ou reflorestadas. 

"Os briquetes de Carvocapim podem ser utilizados, por exemplo, em fornos de padaria, pizzarias, caldeiras industriais e na indústria de cerâmica. Esta última, inclusive, representa uma das atividades econômicas mais expressivas da região norte fluminense."

Maldonado destaca que o principal diferencial do Carvocapim é o grande volume de sua produção anual: enquanto o corte final do eucalipto só acontece a partir do quinto ano após plantio, o capim-elefante após o primeiro ano de plantio pode-se obter dois cortes anuais para finalidades energéticas. 

"Além disso, diferente do capim-elefante usado para a alimentação bovina, alguns tipos genéticos da gramínea usada no projeto chegam a atingir cerca de quatro metros de altura, com a estimativa de produzir em média 70 toneladas de matéria seca por ano. Essa biomassa, submetida ao carvoejamento a 380ºC (processo de fabricação dos briquetes), produz entre 25% e 30% de briquetes de Carvocapim por hectare, a cada ano", acrescenta o pesquisador.

Mais do que reduzir os desmatamentos florestais, o Carvocapimtambém diminui a dependência do consumo de combustíveis fósseis, como o carvão mineral, que são finitos e que emitem gases intensificadores do efeito estufa. O pesquisador ressalta, ainda, que o novo biocombustível sólido é uma fonte de energia limpa, já que o CO2 produzido com sua queima é reutilizado no ciclo de crescimento das novas plantações de capim-elefante.

PRESENTE E FUTURO

Em uma face do projeto, Maldonado conta que estão sendo feitas três avaliações importantes para verificar a viabilidade da aplicação industrial e comercial do Carvocapim. A primeira é o levantamento de todos os custos envolvidos desde a preparação do solo até a produção final. A outra é a quantificação do poder calorífico dos briquetes. Por último, uma análise dos gases desprendidos pela combustão do novo biocombustível. "Para ser viável e competitivo, temos que associar baixo custo de produção, alto poder de geração de energia e, claro, desenvolvimento sustentável", sintetiza.

Até o momento, segundo Maldonado, os resultados são satisfatórios. Ele destaca ainda que, em outra parte do estudo, os pesquisadores estão trabalhando no aproveitamento das cinzas oriundas da queima do Carvocapim. "Essas cinzas estão sendo utilizados na fabricação de cerâmica vermelha e estamos observando uma melhora na plasticidade e na qualidade da argila. Isso caracteriza um fim ecologicamente correto dos resíduos", comemora.

Para o futuro, o pesquisador adianta que o Carvocapim será produzido por outro método de carvoejamento, realizado acima de 400ºC e na presença de pouco ou nenhum oxigênio. "Esse modelo de produção, conhecido como Biochar, retém entre 30 a 50% do carbono presente na biomassa e nos permite outra utilização do Carvocapim: poderá ser utilizado como adubo a ser incorporado ao solo e os gases produzidos no processo podem ser utilizados como fonte energética", explica Maldonado.

"Além de integrar especialistas com larga experiência no manejo do capim-elefante, o projeto conta com a participação do professor José Fernando Coelho da Silva, da área de Nutrição de Ruminantes; do professor Carlos Maurício Fontes Vieira, pesquisador do Laboratório de Materiais Avançados da UENF, do professor Marcelo Silva Sthel, membro fundador do Núcleo de Energia Alternativa da UENF e especialista na detecção de gases poluentes e do doutorando Lucival de Souza Júnior, do programa de Ciência Animal da UENF", agradece Maldonado.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente(Pnuma), a destruição da natureza causa prejuízos anuais de, no mínimo, R$ 8 trilhões. Desse montante, cerca de R$ 4 trilhões são perdidos nos desmatamentos e queimadas florestais. "Portanto, é melhor investir em propostas de desenvolvimento sustentável, como a produção e as propostas de utilização do Carvocapim", resume Maldonado.

 


Fonte: www.agrosoft.org.br



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Comentário(s) (2)


Ir7m8ct44H disse:

28/09/2013 às 17:36

Eita que o canto do Grauna me inspira! Esse, mais que os ourtos cantos e ne3o sei pq, e9 o que me traz mais memf3rias visuais desse nosso Reino Ouvi os cantos fechando os olhos e pude sentir o cheiro da manhe3 le1 no sedtio Essa sua (digo, nossa!) discoteca e9 f3tima!!!Obrigada, abrae7os fraternos, Thayse Vilar.

MAURICIO JOSÉ DA CRUZ JUNIOR disse:

01/11/2011 às 19:12

Boa noite,
venho acompanhando a evolução desse projeto na expectativa de logo poder utiliza-lo em meu projeto.
estamos montando uma empresa ceramista aqui em goiás, e priorizamos pelo avanço tecológico dos processos industriais abrangendo toda cadeia com a utilização de automação e combustível limpo.
então descobri algumas matérias referente a esse sistema supracitado.
espero poder contar com informações sobre o avanço do projeto.

sem mais despedimo-nos.

Mauricio José da Cruz Junior
Adm. de Agronecócios - PUC-Go.


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