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25/10/2017

Agrotóxicos ainda causam polêmicas


Os agrotóxicos, também denominados defensivos vegetais ou agroquímicos, são substâncias usadas no controle sistemático de bactérias, vírus, ácaros, fungos, nematoides, insetos, entre outros, que atacam os grãos, cereais, as oleaginosas, hortaliças, frutas, os legumes e causam, se não houver um mínimo de controle, prejuízos de bilhões de reais para os produtores e ao que se somam outros reflexos econômicos ao longo dos sistemas agroalimentares do campo à mesa do consumidor, e consequentemente alimentos mais caros por quebras nas colheitas.

Mas existem outras perdas, substantivas ou não, que derivam de secas prolongadas, chuvas excessivas e granizos, estes com considerável poder destrutivo. As intervenções humanas nos domínios da agricultura exigem segura orientação técnica, fundamentada na ciência e tecnologia, para que os impactos adversos sejam minimizados, considerando ainda que o seguro rural brasileiro ainda caminha a passos lentos. Em 2017, até meados de outubro, a seca já resultou num prejuízo estimado de R$ 5,47 bilhões, principalmente no semiárido e no Noroeste mineiros (Seapa).

São igualmente relevantes, sem nenhum outro discurso ideológico, as alternativas indispensáveis ligadas à agroecologia e agricultura orgânica, pois, em havendo mercados, o consumidor é e será soberano em suas escolhas alimentares, desde que possam pagar por elas. Os agrotóxicos exigem também períodos de carências, o que significa o tempo entre o uso nas culturas e o consumo humano, com mais segurança alimentar.

Por outro lado, a pesquisa desenvolve estudos para ampliar a capacidade de controle desses agroquímicos com menor quantidade por hectare e ao que se acrescentam também aqueles com princípios naturais ou biodefensivos. Entretanto, a poluição das águas/solos não se deve exclusivamente aos agrotóxicos, mas igualmente, onde houver, à falta de saneamento básico, metais pesados, rejeitos de minérios, lixos não tratados, dejetos humanos, animais, efluentes industriais, e outras de fontes poluidoras corrigíveis com programas governamentais.

Na safra brasileira de grãos, cereais e oleaginosas de 2016/17 foram cultivados 60,9 milhões de hectares para ofertar 238,7 milhões de toneladas para abastecer e exportar, um verdadeiro banquete para as pragas e doenças se não houver tratos culturais, o que implica nas pulverizações e controles sanitários. Estima-se que, em não havendo essas práticas, poder-se-iam perder até 50% das colheitas a depender da intensidade, duração e escala geográfica desses ataques às plantas alimentares. Esses cenários são desafios havidos e por haver entre a natureza, os produtores, a pesquisa agrícola, mas os defensivos agrícolas não devem ser demonizados, sob pena de enormes prejuízos aos produtores e consumidores, respeitadas as normas técnicas de aplicação.

O Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo, porém, é igualmente o campeão mundial no recolhimento de suas embalagens primárias (Sistema Campo Limpo), que desde o ano de 2000, quando foi criado, até setembro de 2017 já promoveu o destino ecologicamente correto de 450 mil toneladas de embalagens, o que corresponde a 7,5 milhões de sacas de milho de 60 quilos.

Sem dúvida alguma, um esforço hercúleo em sintonia com os recursos naturais, o que revela parte do esforço e dos cuidados conscientes que o nosso agricultor tem nesse setor indispensável do agronegócio brasileiro. Em 2016, segundo o BNDES, o Brasil recolheu 94% das embalagens primárias de defensivos agrícolas; Alemanha, 76%; Canadá, 73%; França, 66%; Japão, 50% e EUA, apenas 30%. Não é um bom exemplo?!

Assinalem-se também os avanços no controle integrado de pragas e doenças, que reduz o uso intensivo de defensivos agrícolas, e a necessidade indispensável de combater com herbicidas as ervas daninhas ou as plantas invasoras nas culturas. Entretanto, cumpre assinalar que as abelhas, entre outros agentes polinizadores naturais, são responsáveis por polinizarem 50% das florestas e 73% de todas as culturas agrícolas do mundo (Estadão), e a biodiversidade, como um todo, não deve ser submetida ao uso indiscriminado de defensivos agrícolas por seus efeitos adversos.

Os ganhos científicos e tecnológicos, numa perspectiva de tempo, devem descobrir novas formas de controle das pragas e doenças das culturas em milhões de hectares entre as anuais e perenes, uma questão de tempo. No foco da sustentabilidade dos recursos naturais e qualidade dos alimentos, a evolução científica, gerando inovações, é um processo dinâmico, interminável e exige substantivos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

O Brasil, segundo maior produtor de alimentos do mundo, dispõe também de aviões agrícolas e até de helicópteros adaptados, que aplicam os agroquímicos nas vastas áreas de plantio e que somam milhões de hectares entre as culturas perenes e anuais, o que não eliminam os pulverizadores tratorizados e os costais. “O conceito e a prática da sustentabilidade passam por um balanço ambiental positivo no campo e a requerer igualmente a sustentabilidade econômica dos empreendedores rurais (Eliseu Alves/Embrapa).”


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro Agrônomo



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19/11/2017 às 06:39

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