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09/11/2011

AFINAL, PARA QUE SERVEM OS RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE?

Há não muito tempo, o termo sustentabilidade era visto como acessório, ou uma forma de “devolver alguns benefícios à comunidade”, conceito que se confundia, inclusive, com as atividades de filantropia. Atualmente, vislumbramos um ambiente no qual as corporações proativas competem entre si para reduzir a sua “pegada” ambiental, tornando o seu portfólio “mais verde”, juntamente com a sua cadeia de suprimentos.

 Uma história semelhante pode ser contada sobre os relatórios de sustentabilidade. Apesar de existirem há pelo menos 20 anos, apenas na década passada é que estes documentos passaram a ser usados como ferramenta de medição de performance e engajamento com as partes interessadas. Hoje, o reporte das informações não-financeiras é percebido cada vez mais como essencial, e é sistematicamente inserido no ciclo normal de operações de uma organização.

Para o bem e para o mal, o relato de informações de sustentabilidade também se profissionalizou nos últimos anos. A questão-chave é saber se todo esse desenvolvimento está alinhado às expectativas do público que efetivamente lê tais informações.
 
Com o objetivo de entender essa questão, a pedido da GRI (Global Reporting Initiative), a KPMG, juntamente com a SustainAbility e a Futerra, conduziu uma pesquisa com mais de 5.000 leitores de relatórios de sustentabilidade. O objetivo foi obter insights do motivo pelo qual as organizações reportam seu desempenho em sustentabilidade e se as necessidades dos leitores estão sendo atendidas.
 
A primeira conclusão é que estes reportes saíram da esfera “eurocêntrica” e passaram a ter uma atenção global, em especial no Brasil. Mais de 70% dos respondentes da pesquisa eram leitores brasileiros. O índice de chineses e indianos também subiu consideravelmente em relação à primeira edição, realizada há dois anos.
 
Os dois principais motivos citados para reportar foram a melhoria dos processos internos e a contabilização da performance em sustentabilidade. Entretanto, os leitores e os “reportadores” discordam sobre o papel do relatório como ferramenta de engajamento junto aos stakeholders. Mais da metade dos “reportadores” escolheu o relatório como um dos principais motivos para divulgação das informações, enquanto menos de 20% dos leitores dizem usar o documento como fonte de informação de como se relacionar mais amplamente com uma organização.
 
Este desalinhamento não é apenas semântico, e levanta questões complicadas a respeito do papel da divulgação destas informações, indicando que a forma e as estratégias de engajamento das partes interessadas devam ser revistas, bem como a escolha dos temas materiais a serem relatados.
 
Outro tema apareceu na pesquisa de modo claro: apesar de os leitores confiarem na seriedade dos reportes, apenas 10% consideram que os relatórios apresentados demonstram uma visão completa das organizações. Existe uma percepção que nem sempre os temas “desconfortáveis” para as empresas são tratados de maneira adequada. Para dar credibilidade às informações, os leitores citam a verificação externa independente como a melhor forma de evitar tal distorção, e os prêmios recebidos, como a pior.
 
O fato é que os relatórios de sustentabilidade podem ser entendidos como uma ferramenta de mudança. Por meio deles, as pessoas buscam informações extras antes de comprar um produto ou serviço, ou até aceitar uma oferta de trabalho. Um terço dos leitores afirmou que é inspirado pelos relatórios a repensar os processos de sua empresa e a buscar aprofundar a agenda de sustentabilidade, ou seja, estas informações, quando divulgadas de maneira transparente e crível, ajudam a influenciar os leitores e as outras organizações.
 
Ricardo Zibas, gerente sênior da área de Climate Change & Sustainability Services da KPMG no Brasil.


Fonte: abrampa.org.br



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