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02/09/2019

A ONDA INOVADORA NO MUNDO

A ONDA INOVADORA NO MUNDO* A geração de inovações, não como conceito moderno, existe há milênios no planeta Terra, e foi baseada também na longa experiência humana do erro e do acerto. Entretanto, segundo o pesquisador Eliseu Alves, da Embrapa: ?A pesquisa é tão velha como o primeiro homem. A diferença é o uso do método científico para definir o problema, formular a hipótese, planejar o experimento, testar a hipótese, e avaliar os resultados obtidos. O uso do método científico separa o velho do novo. Apenas isto!?

A ONDA INOVADORA NO MUNDO*
A geração de inovações, não como conceito moderno, existe há milênios no planeta Terra, e foi baseada também na longa experiência humana do erro e do acerto. Entretanto, segundo o pesquisador Eliseu Alves, da Embrapa: “A pesquisa é tão velha como o primeiro homem. A diferença é o uso do método científico para definir o problema, formular a hipótese, planejar o experimento, testar a hipótese, e avaliar os resultados obtidos. O uso do método científico separa o velho do novo. Apenas isto!”
Contudo, nesse caminhar da humanidade, o celular de última geração, multifuncional, não deixa de ser um descendente direto do telefone inventado por Alexandre Graham Bell na década de 1870, e sabendo-se que o primeiro computador digital eletrônico de grande escala (ENIAC) foi construído nos EUA e lançado em fevereiro de 1946. O último megacomputador construído pela China faz 4 trilhões de cálculos por segundo.
O motor a quatro tempos (1876) e o Raio-X (1895) têm mais de 100 anos de usos continuados, e 1º arado de tração animal foi construído na China há 2.800 anos. A fórmula N+P+K teve sua origem em 1842, na Alemanha. Nem tudo é novo ou inovação!
Pesquisas paleobotânicas revelam que se plantava o milho há 7 mil anos na América Central, e há 6 mil anos o trigo é cultivado às margens do sagrado rio Nilo. Cultiva-se a uva há mais de 8 mil anos no Oriente Médio, e a adega mais antiga do mundo, com 4 mil anos a.C, foi descoberta na antiga Armênia.
Essas culturas, entre outras indispensáveis, ganharam avanços com a genética vegetal associada aos insumos e tratos culturais. Portanto, sem dar outras centenas de bons exemplos, será que existe realmente uma poderosa onda inovadora, sustentável, capaz de mudar radicalmente os conhecimentos humanos, a economia, e afetar as relações sociais, através do crescente relacionamento virtual e suas tecnologias de ponta?
A tese popular de que a máquina acabaria por substituir o homem teria alguma premissa científica, ainda que ousada? Seria possível a inovação superar o talento humano criativo, dominando-o? A inovação, não raro, carrega “mitos”, poderes extraordinários, domínio de mercado, e até ideologia embarcada.
Como colher mecanicamente a uva, pêssego, laranja, limão, caqui, tomate de mesa, com várias apanhas, maracujá, cacau, ameixa, figo, tangerinas, entre outras dezenas de frutíferas, bem como a salsinha. Serão robotizáveis?
Num cenário mais avançado, para além do campo, uma proposta inovação, em si mesma, seria uma ferramenta que estimulasse as desigualdades econômicas e sociais. Pode-se presumir também que a crescente aquisição de alimentos, produtos e serviços, via internet, sinaliza extinguir milhares de empregos diretos e com carteira assinada num País de desempregados?
Nos cenários do sistema bancário, nos últimos 25 anos, foram extintos mais de 200 mil empregos diretos, criando-se as possíveis agências virtuais, que devem ganhar espaços num futuro bem próximo, segundo analistas de mercados. Os clientes fazem todas as operações sem sair de casa ou em trânsito, e até fora desse País. O progresso reúne bônus e ônus!
Noutra abordagem e na economia agropecuária, a internet no campo e a telefonia móvel não devem escapar dessas novas realidades e conjunturas no acessar aos mercados, buscar orientações técnicas, pagar, trocar, comprar e vender! É uma questão de tempo, e a pesquisa, assistência técnica pública e privada aos produtores rurais não devem subestimar essas mudanças, seus desafios e benefícios num país continental como o Brasil, e são essenciais à tomada de decisão no agronegócio.
Além disso, o binômio pouca gente no campo e milhões nas cidades é uma realidade demográfica e tendência mundial, irreversível. O Brasil tem 85% da população total vivendo nas cidades, e estimando-se que desembarcam anualmente na Terra 64,5 milhões de novos habitantes/consumidores, com previsão de 9,7 bilhões em 2050 (ONU).  O Sudeste brasileiro abriga 87,5 milhões de habitantes (42%) e 55,2% do PIB (IBGE-2018), e projeção de 226,3 milhões de brasileiros em 2050 (Google).
Embora não se possa dissociar o passado, presente e futuro, com seus cenários, desafios e perspectivas, há que se reconhecer os notáveis avanços dos saberes humanos e a amplitude das conquistas por seus pesquisadores e cientistas. Contudo, sabe-se ainda muito pouco em relação ao que se deverá pesquisar descobrir e ordenar nas complexidades e sinergias entre os seres vivos, e nos continentes, mares e oceanos da Terra.
Convergindo num amplo e complexo cenário de demandas e ofertas, um dos “insumos” mais estratégicos e sem subestimar nenhum outro, continuará sendo a educação de qualidade do berço à universidade, sendo indispensável que ela possa ser disseminada, compartilhada e democratizada. O conhecimento precede a qualquer mudança no campo e nas cidades.
Além do mais, presume-se num mundo marcado também por consideráveis incertezas e oportunidades, e derivando de muitas razões estratégicas que se associam; pesquisa, desenvolvimento, mercados, adoção de inovações, boas práticas e sustentabilidade continuem sendo seis forças hercúleas nesse viger do século XXI, exigindo novos modelos de desenvolvimento, acompanhamento, avaliação, assim como múltiplos indicadores de desempenho.
E a questão dos recursos naturais fundamentada nas demandas crescentes por alimentos, fibras, biomassa, produtos florestais, energia limpa renovável, entre outras condicionantes, é uma temática inovadora e recente?  Objetivamente, não!
É preciso resgatar um pouco da história e sem entrar no mérito dessas paisagens naturais, políticas, jurídicas, econômicas e ambientais complexas, indispensáveis e estratégicas ao Brasil, como de resto ao Mundo. No entanto, registrem-se alguns dados históricos relevantes. Em 1605, foi promulgada a 1ª lei de cunho ambiental no País; Regimento do Pau-Brasil, voltado à proteção das florestas. Em 1797, a carta régia afirma a necessidade de proteção a rios, nascentes e encostas, que passam a ser declarados propriedades da Coroa.
Em 1799, é criado o regimento de Madeiras, cujo teor estabelece rigorosas regras para derrubadas de árvores. Em 1850, é promulgada a Lei 601/1850, que disciplina a ocupação do solo e estabelece sanções para atividades predatórias. Em 1911, o Decreto Nº 8.843 cria 1ª reserva florestal no Brasil, no antigo Território do Acre.
Em 1934, governo Vargas, é criado “O Código das Águas”. Visão de sustentabilidade há séculos num país em que os recursos naturais eram singularmente exuberantes, diversificados e preservados? Mesmo assim e num cenário mais amplo, segundo a ONU/FAO, 75% das florestas primárias já foram dizimadas no mundo, e o Brasil, sendo açoitado por dentro e de fora, ainda preserva 67% da cobertura vegetal, segundo a Embrapa/NASA.
Veja-se o cenário demográfico de 1872, quando o Imperador Dom Pedro II determinou o 1º Censo Brasileiro. Eram 9,93 milhões de habitantes, incluindo-se os escravos à época, e essa população se concentrava no Nordeste, antes denominado Norte, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro (IBGE). Portanto, por lógica essa população, reduzida, não exercia substantivas pressões sobre os recursos naturais num território de 851 milhões de hectares de terras virgens, águas, matas, florestas e biodiversidades. A Amazônia exige cuidados, mas não pode ser administrada de fora para dentro, como aspiram alguns países!
Agora, o cenário demográfico é diferente, à medida em que houve grandes migrações humanas para o interior e não mais e somente grandes aglomerados urbanos vivendo no vasto litoral brasileiro. Dos 9,93 milhões de habitantes (1872) para 208,4 milhões (2017), um crescimento de 1.998%. Portanto, aumentam as pressões de demandas sobre os recursos naturais. Nenhuma novidade! E nos outros países?
Embora não haja consenso em torno desses dados, segundo o Banco Mundial-2014, a cobertura vegetal protegida era de 25,1% na União Europeia (UE-28 países); 14,6% na Austrália; 13,9% nos EUA; 11,4% na Rússia; 9,4% no Canadá; e 6,8% na Argentina. A maior safra de grãos brasileira, 2018/19, ocupa apenas 7,4% do território desse País, para exemplificar!
Ora, entre outros, coloque-se um caso apenas didático; o território da Alemanha é apenas 60% do território mineiro, que abrange 58,6 milhões de hectares, ou 37,5 milhões de hectares. Entretanto, a população da Alemanha é de 83 milhões de habitantes e um vigoroso PIB de US$ 3,67 trilhões (2017).
Quem exerce, nesse caso, maior pressão demanda sobre os recursos naturais e suas consequências diretas e indiretas? Somente não enxerga e avalia quem não se fundamenta em dados e análises.
Noutra vertente, o que houve com a agricultura brasileira para obter esse desempenho histórico e sequencial, desde a década de 1970? Ela ficou exposta aos desafios do abastecer o mercado interno e exportar para dezenas de países, cada vez mais exigentes com a segurança alimentar. E mais, o agro brasileiro ganhou fôlego suficiente ao contrário da indústria brasileira beneficiada com as políticas governamentais protetivas, e presumivelmente perdeu terreno precioso nos ganhos de produção, produtividade e qualidade, embora se contabilizem, sem dúvida alguma, os milhares de empresários bem-sucedidos no Brasil. Entre janeiro e julho de 2019, o superávit nas exportações do agronegócio foi de US$ 50,4 bilhões, sendo US$ 4,0 bilhões devidos ao agro mineiro (Seapa).
Somente há uma verdade comum nos cenários dos negócios, campo e cidades, o consumidor é soberano nas suas escolhas, e esse poder está definitivamente urbanizado, aqui dentro e nos mercados externos, e onde se concentram as massas salariais!
E mais, o processo inovador exige um longo caminho para que as boas práticas, sustentáveis, sejam disseminadas no campo e a inovação somente existe se for adotada, e contribuir à solução das demandas enfrentadas pelos empreendedores rurais e sejam eles familiares, médios, empresários, e haja lucratividade! Em 1949, a Acar-MG estabeleceu um programa estadual de difusão do milho híbrido, em nível de campo, inovador no Brasil numa escala estadual. O quatroessista (4-S) mineiro Sebastião Vitor (1960) ganha o Prêmio Internacional de Produtividade de Milho, com o equivalente de 12.476 quilos/ha. Viaja para os EUA, sendo também recebido pelo Rei de Espanha Juan Carlos.
Nesse caminhar, a difundida tese de que o planeta Terra estaria à beira de um colapso ambiental, e afirmando-se ainda que a capacidade dele em produzir alimentos e energia limpa correria um considerável risco pelo esgotamento dos recursos naturais, pode se configurar prematura, polêmica e presumivelmente tendenciosa! Onde estão os parâmetros científicos que podem definir os limites naturais de respostas da Terra, e sob as constantes intervenções humanas? Porém, não há impacto zero nas relações da sociedade com os recursos naturais, e a sustentabilidade é exigente. Engº agrº Benjamin Salles Duarte. * 
 




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Comentário(s) (1)


Antonio Padua Nacif disse:

02/09/2019 às 19:43

Muito boa an?lise, e muito oportuna.

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