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19/09/2011

A importância das florestas originais

Recuperação de área desmatada não repõe variedade de plantas e animais

Florestas primárias são mais diversas; esta fica em Goianésia, Pará

 Recuperar a variedade de plantas e animais de uma floresta é muito mais difícil do que se imaginava. Isso se, de fato, for realmente possível. Há décadas pesquisadores de vários países tentam descobrir o que seria mais eficiente para manter a biodiversidade: focar as iniciativas na preservação das florestas primárias, com o mínimo possível de alterações pelas atividades humanas, ou recuperar áreas que já sofreram alguma modificação pelo homem, entre elas as florestas secundárias. Para quem não é especialista, a resposta mais óbvia seria: nada substitui as florestas primárias em termos de biodiversidade. Mas, pesquisadores tinham dúvidas. Estudos sugeriam que as florestas secundárias pudessem conter uma variedade de espécies tão relevante quanto às originais. Porém, uma pesquisa publicada em 14 de setembro no site da revista Nature reforça a ideia de que as áreas de floresta primária são mais ricas em biodiversidade.

A pesquisa analisou 2.200 comparações entre florestas primárias e secundárias feitas anteriormente em 28 países da América, Ásia, África e Oceania. Essa avaliação, possivelmente a mais ampla sobre o assunto, concluiu que as florestas primárias tropicais são praticamente insuperáveis em biodiversidade. “Esse padrão depende muito do histórico de perturbação e da paisagem onde as manchas de mata primária estão inseridas”, explica Carlos Peres, brasileiro radicado na Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e um dos autores do estudo da Nature.
 
Com base nesse raciocínio, a primeira escolha, em um mundo em que os recursos financeiros são limitados, seria manter as áreas de florestas primárias. Segundo Peres, investir na regeneração de mata secundária seria um bônus. “Reflorestar garantiria a sobrevivência de muitas espécies e a manutenção de serviços de ecossistemas como foi feito com a Floresta da Tijuca, área de mata atlântica, no Rio de Janeiro”, conta o norte-americano Thomas Lovejoy, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), no Brasil, e do Centro H. John Heinz III para Ciência, Economia e Meio Ambiente, nos Estados Unidos, outro autor do estudo feito em parceria com pesquisadores de outros países, entre eles o indiano Navjot Sodhi, que morreu de câncer antes da pesquisa ser publicada.
 
Regiões degradadas podem se recuperar sozinhas, mas reflorestar usando espécies nativas ou de outros ambientes é um trabalho lento, que pode durar séculos. “Áreas de mata atlântica secundárias com cerca de 400 anos no Paraná ainda não têm o perfil de espécies de plantas de regiões primárias”, alerta o pesquisador. A região do Petén, no norte da Guatemala, sofre do mesmo problema. “Quando os espanhóis chegaram, o local era tomado por milharais do Império Maia. Hoje, mais de 500 anos depois, uma mata vigorosa tomou o lugar, mas em termos de biodiversidade não chega nem perto do que poderia ser uma floresta primária da América Central”, afirma.
 
As atividades humanas interferem de modo diferente em regiões distintas. De acordo com o trabalho, as florestas tropicais da Ásia são mais sensíveis às transformações impostas pelo homem do as matas das Américas. Os diferentes grupos de animais, igualmente, respondem de forma distinta: os mamíferos, de modo geral, são mais resistentes às mudanças, ao passo que as aves são sensíveis.
 
Foram analisados 12 tipos de interferências humanas que afetam de modo diferente os ambientes. A prática mais agressiva é o uso do fogo, muitas vezes para abrir espaço para a agricultura, enquanto a que oferece menos risco para a biodiversidade é o corte seletivo. A retirada de apenas 3% das árvores de uma floresta já afeta a variedade de espécies do local. A monocultura de árvores de crescimento rápido, como o eucalipto, outra perturbação causada pelo ser humano ao ambiente, também é um problema para a biodiversidade, principalmente em locais como a Ásia e o Brasil.
 
O problema é mundial. O estudo da Nature reflete uma escassez de informações sobre a maior parte da biodiversidade tropical. “Praticamente não há pesquisas sobre florestas de vários países africanos e asiáticos”, diz Peres. De acordo com o estudo, também faltam trabalhos sobre grupos de plantas, invertebrados e vertebrados em mosaicos de floresta primária e áreas adjacentes de floresta degradada. 


Fonte: revistapesquisa.fapesp.br



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Comentário(s) (1)


Ricardo Elói de Araújo disse:

05/10/2011 às 09:38

Porque o eucalipto é um problema para a biodiversidade? Como pode uma floresta comercial de eucalipto perturbar o meio ambiente se tais florestas são independentes dos remanescentes nativos? Após um longo período de evolução do Homem sobre a Terra, o que significou uma exploração gradativa dos recursos naturais, concluiu-se finalmente que uma política florestal era necessária, pelo menos no Brasil, para compatibilizar a necessidade de utilização da terra e exploração dos recursos naturais com a necessidade de conservação da biodiversidade. De acordo com esta política, a biodiversidade pode ser preservada através da manutenção das áreas de preservação permanente e reserva legal, além das unidades de conservação. O As florestas comerciais de eucalipto não são um problema para a biodiversidade, pois foram introduzidas para fornecer matéria prima industrial e energia, e não para substituir as funções ecológicas das mata nativas, ou seja, o eucalipto e outras espécies florestais comerciais vieram para compor o ciclo produtivo. Apesar da finalidade das florestas monoculturais de interesse comercial não ser a preservação da biodiversidade, elas acabam servindo, de certa forma, como suporte para a vida animal silvestre, não na mesma intensidade que as matas nativas, ou seja, apesar destas áreas estarem destinadas à produção, e não à preservação da biodiversidade, elas ainda desempenham algumas funções ambientais como o corredor ecológico, abrigo temporário e redução da pressão sobre os remanescentes florestais nativos para obtenção de produtos madeireiros, adicionalmente às áreas destinadas à preservação da biodiverdade. Outras monoculturas não tem este potencial. Se as florestas monoculturais são um problema para a biodiversidade, as demais monoculturas também o são. A política florestal brasileira, apontada como impecilho ao desenvolvimento, surgiu como solução, ou tentativa de solução, para este problema. Penso que os pesquisadores "nadam e morrem na praia" quando desenvolvem estudos que apontam problemas, mas nunca pensam na solução. Digo isso também aos profissionais dos meios de comunicação. É preciso tomar cuidado com a formação de opinião.

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