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06/08/2013

A silvicultura e a dança da produtividade

Pode-se criar expectativas inatingíveis, no curto prazo, e com isso matar oportunidades reais para o desenvolvimento de regiões de alta vocação florestal, além do descrédito de investidores. Por: Nelson Barboza Leite

Foto: Nelzon Barboza Leite

A silvicultura brasileira nos últimos 50 anos deu um salto extraordinário na produtividade das florestas. Saímos de menos de 20 metros cúbicos/ha/ano para mais de 50 metros cúbicos.

Essa maravilha não dá para ser generalizada. Isso é possível em regiões com características bem definidas de solo e clima e onde, acima de tudo, aplica-se um elevado nível tecnológico, resultado de muitas pesquisas e experimentações.

Para essas áreas tradicionalmente produtoras de madeira, desenvolveu-se um pacote tecnológico bem completo e com suas devidas e necessárias adequações. Soma de ciência e profissionalismo.

Fala-se de produtividade média brasileira em torno de 42 metros cúbicos/ha/ano, segundo dados da ABRAF, estimada por declarações das próprias empresas. Pode-se considerar uma produtividade bastante razoável, mas que parece distante de inúmeras situações que se vê no campo!

Alguns exemplos de problemas de campo observados com muita frequência e que podem estar impactando negativamente na média são as extensas áreas em regiões sem informação e sem nenhuma tradição em silvicultura; grande quantidade de florestas em segunda e terceira rotação; variação no comportamento de clones conhecidos; cortes com idades inadequadas, etc.

Fala-se, sem o menor constrangimento, em valores variando de 30 a 50 metros/cúbicos/ha/ano, até em locais sem nenhuma tradição de silvicultura. Um campo fértil para imaginações e contas de chegar. Um risco para o sucesso da silvicultura!

Pode-se criar expectativas inatingíveis, no curto prazo, e com isso matar oportunidades reais para o desenvolvimento de regiões de alta vocação florestal, além do descrédito de investidores.

Regiões do Maranhão, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Bahia, entre outras representam áreas onde a expectativa de produtividade precisa ser devidamente compreendida.

Encontram-se nessas regiões plantios florestais onde se observa de tudo: desde florestas de altíssimas produtividades com boas condições de manejo, até florestas de baixíssima produtividade e sem nenhuma preocupação com nutrição, espaçamentos, mato-competição, etc.

Não precisa ser nenhum especialista para se perceber que alguém está queimando dinheiro! O grande problema para a silvicultura é quando não se percebe que as causas de todas essas encrencas são bruxarias operacionais e incompetência técnica na adoção de procedimentos adequados.

Não se pode esquecer que a produtividade das florestas está ligada a uma enorme cadeia de cuidados de campo, insubstituíveis e específicos para as diversas condições. É muito comum a utilização de milagreiras alternativas operacionais impostas por economias casuísticas induzidas pela soberana TIR ( Taxa Interna de Retorno).

Para o bem desse inseparável instrumento de controle, tudo pode ser questionado e colocado na mira de cortes orçamentários. E aqui a palpitaria nada de braçada! Economia em manutenções, diminuição de nutrientes, forma de fazer a adubação, etc. são exemplos de atividades onde os palpiteiros adoram meter o bico!

A qualidade das florestas e a sua produtividade dependem diretamente das prescrições tecnológicas e da sua aplicação no momento certo. À semelhança de qualquer empresa, ter lucro é sempre o carro-chefe do negócio, mas não se pode esquecer que na empresa florestal isso só é possível quando se cuida muito bem daquilo que se planta, seja eucalipto, pinus, paricá, etc.

O prioritário e inadiável é aquilo que é bom para a floresta na quantidade e no momento certo. Em mais ou menos quantidade, e fazer mais cedo ou mais tarde pode resultar no mesmo estrago. A qualidade das florestas e a sua produtividade dependem diretamente das prescrições tecnológicas e da sua aplicação no momento certo.

Há de se considerar, no entanto, que diferenças nas produtividades podem refletir eventuais impactos de condições adversas e que podem ser corrigidas. Isso é possível e perfeitamente admissível. Faz parte da rota do desenvolvimento! Mas se essas diferenças forem causadas por adivinhações, bruxarias ou economias casuísticas, há de se preocupar!

Em qualquer empreendimento florestal para fins econômicos, há de se esperar, no mínimo, que os plantios iniciais estejam numa faixa em torno de 30 a 35 metros cúbicos/ha/ano . E há de se ter perspectivas de que esses valores possam ser elevados na medida em que se conte com materiais genéticos selecionados e com práticas silviculturais desenvolvidas, especificamente, para as condições de cada região.

A definição das produtividades para as diferentes condições e espécies vai sempre depender de pesquisas, experimentações, das tecnologias utilizadas e acima de tudo da experiência e responsabilidade dos profissionais que desenvolvem os trabalhos operacionais.

Determinar os níveis de produtividade é necessidade obrigatória de todo empreendimento para sua própria referência e orientação de trabalho. Aliás, pela importância estratégica que essas definições representam esse assunto mereceria se transformar numa das prioridades do Serviço Florestal Brasileiro.

Um inventário nacional das florestas plantadas, com certeza, além de definir com clareza as produtividades das várias regiões de produção, facilitaria sobremaneira o estabelecimento de políticas públicas, tão necessárias para consolidar a sustentabilidade da silvicultura no Brasil.


Fonte: Painel Florestal



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Comentário(s) (1)


Renato Fernandes disse:

12/08/2013 às 08:55

Caro Nelson,

Em primeiro lugar, parabéns pelo excelente artigo!

Ele exprime claramente situações que já visualizei em algumas "fronteiras silviculturais" daqui da Bahia. Florestas excelentes, próximas a florestas péssimas e, não tão próximas assim, de florestas morrendo, por terem sido plantadas em áreas não tão distantes, mas que já estão em regiões marginais e mesmo não aptas para o cultivo de eucaliptos. Vi também árvores das florestas excelentes, morrendo por restrição hídrica, na seca de 2012.

Além disso, e talvez com maior gravidade, considero muito preocupante a total falta de perspectiva de comercialização para a madeira, em algumas regiões, onde não há demanda a distâncias razoáveis e, mesmo em regiões onde há demanda de madeira para energia, a total desarticulação da cadeia produtiva.

Abraços,

Renato Fernandes
Eng. Agrônomo - consultor em gestão de cadeias agroindustriais e business liaison
membro da Câmara Setorial de Florestas da Seagri/BA

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