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14/05/2013

Marcio Funchal: Brasil precisa investir na produtividade no setor florestal

Vantagens como terra com preço acessível e mão de obra de baixo custo são coisas do passado e, aliados a uma logística ruim, estes fatores fazem com que o País precise se refazer na silvicultura

Marcio Funchal, da Consufor

O 1º Encontro Painel Florestal de Executivos será nesta quinta-feira, 16, das 8h30 às 17h30, no Hotel Transamérica, em São Paulo. O diretor de Consultoria da Consufor, Marcio Funchal, será um dos debatedores na mesa redonda “Brasil: uma potência florestal ameaçada?” Confira uma entrevista concedida ao jornalista Elias Luz, do Painel e entre no clima do encontro que terá como resultado propostas para o desenvolvimento acelerado da silvicultura brasileira.

Painel Florestal: Você acredita que o Brasil é uma potência florestal ameaçada?

Marcio Funchal: Sim. O País viveu nos últimos anos um crescimento muito grande dos custos de produção, tanto na floresta como na indústria - tudo muito acima do crescimento da produtividade, para o mesmo período. Assim, uma das nossas principais vantagens competitivas, que era o baixo custo de produção, está cada vez menos expressiva.

Os demais fatores que nos deram vantagem em relação a outros importantes players mundiais foram a disponibilidade de terras (para novos projetos floresto-industriais), mão de obra barata e disponível, e uma logística de movimentação de produtos com relativa capacidade de operação. Todos esses fatores atualmente perderam a representatividade que tinham há 10 anos, por exemplo.

Hoje os preços de terras para expansão de projetos florestais em regiões consolidadas são extremamente elevados; nas regiões potenciais “novas fronteiras”, os preços muitas vezes já não são mais atrativos, como no passado, para compensar um investimento longe do centro consumidor.

Em termos de mão de obra, se vê claramente a escassez de trabalhadores em vários setores da economia, desde as funções básicas até as de elevadas competências profissionais. Na logística, vê-se cada vez a iniciativa privada integrando, em seus planos de investimento, soluções próprias para diminuir a dependência das soluções públicas. Esses fatores colaboram para gradativamente reduzir a competitividade do país.

Painel Florestal: Quais suas projeções e perspectivas para o setor florestal neste segundo semestre prestes a começar?

Marcio Funchal: O setor florestal passa por um período movimentado em termos de negócios. Os últimos dois anos foram de compasso de espera para novos projetos, pois as empresas optaram por postergar novos investimentos, finalizando apenas aqueles que já estavam em andamento. Dessa forma, vê-se um claro movimento de fusões e aquisições na produção florestal (plantios florestais), investimentos interessantes no segmento de chapas de madeira reconstituída e uma grata surpresa no segmento de madeira sólida.

Vários produtores de serrados e molduras implantando melhorias e expansões de plantas industriais, indicando uma retomada importante da parte da cadeia produtiva que mais sofreu após a crise financeira internacional. O segmento de celulose e papel continua a consolidar e expandir as atividades, como de costume. Já o segmento de gusa e aço vive um momento de reinvenção, mas não trará consequências positivas para o setor florestal nesse curto prazo.

Painel Florestal: Como é possível conter os avanços de custos na produção no setor?

Marcio Funchal: A melhor alternativa é via aumento de produtividade. A boa notícia é que isso é possível de diversas maneiras e, muitas vezes, com investimentos irrisórios. A má noticia é que as empresas precisam assumir que o ganho de produtividade só é possível com esforço diário. Entretanto, é a melhor ferramenta de que dispõe para aumentar sua competitividade.

Painel Florestal: Por que as empresas investem pouco em ganhos de produtividade?

Marcio Funchal: O principal problema é a inexistência da política de melhoria contínua dentro das empresas. Todo processo pode ser melhorado, seja para ser feito em menos tempo, ou ser feito com mais qualidade e/ou padronização, ou para ser feito com mais economia / menos recursos.

O que as empresas não percebem é que pequenas melhoras em processo individuais representam um ganho de performance fantástico ao serem somadas ao longo de uma cadeia de processos. É impressionante ver que na agricultura o tempo de reabastecimento de insumos de uma plantadeira é cronometrado na eficiência dos “segundos”, pois isso pode significar uma diferença grande de área plantada ao final do dia.

Já na silvicultura, não se vê importância no fato do trabalhador andar mais de 1 Km dentro de uma talhão para reabastecer um pulverizador costal na aplicação de herbicida em uma roçada química. Outro exemplo é nas serrarias, a cadeia industrial mais numerosa do país (6,7mil empresas em funcionamento), mas que possui, em regra geral, baixo nível tecnológico no processo produtivo.

Nessas empresas, é possível se obter ganhos de produtividade acima de 10% simplesmente ao selecionar o plano de corte ideal para cada diâmetro de tora, o que evita o desperdício de madeira, formação de resíduo e aumenta a equação do produto acabado por tora.

Se a resposta para isso é porque inovação custa caro, a justificativa não tem fundamento, pois boa parte problema produtivo das empresas pode ser resolvido com mudanças simples no processo produtivo, tanto na floresta como na indústria.

Painel Florestal: A restrição da compra de terras por estrangeiros emperra o desenvolvimento do setor?

Marcio Funchal: Não. É uma decisão soberana, no qual o País optou por cercar-se de algumas garantias para defender o direito de que brasileiros sejam donos de seu próprio território. O que precisa ficar claro é que o estrangeiro não está proibido de investir no País. As portas continuam abertas para o “bom capital”, desde que sejam seguidas as normativas vigentes. O modelo mais empregado hoje é a busca do sócio brasileiro.

Painel Florestal: Quais as vantagens que o Brasil tem sobre seus concorrentes estrangeiros no mercado de produtos florestais?

Marcio Funchal: Essa questão tem que ser olhada por produto e mercado, uma vez que sempre há vantagens e desvantagens no negócio.

Painel Florestal: Você acredita que o plantio de florestas em áreas degradadas é uma boa solução para o setor ou demandaria recursos financeiros gigantescos a ponto de inviabilizar o negócio?

Marcio Funchal: O problema não está no plantio em área degradada. É lógico pensar que uma terra exaurida de recursos vai precisar ser recuperada em termos de nutrientes, mas isso pode ocorrer em áreas que não estão degradadas ambientalmente, mas que por serem de baixa produtividade natural, vão demandar corretivos de nutrientes tanto quanto (ou mais) do que o primeiro caso.

A questão chave das áreas degradadas é a recuperação do potencial ambiental das porções naturais de preservação permanente e de reserva legal. Normalmente, quando se fala em área degradada, pode-se imaginar que não houve respeito à legislação florestal e o microssistema ambiental daquela propriedade deixou de funcionar (supressão de preservação permanente, existência de reserva legal abaixo do previsto, perda de nascentes e outros danos ambientais evidentes).

Nesse caso, o custo da recuperação do passivo pode ser inviável, mas o custo do plantio na área efetivamente útil da propriedade não necessariamente precisa ser mais elevado.

Painel Florestal: O novo código florestal trará avanços para o setor ou vai travar mais ainda processos de licenciamento ambiental, por exemplo?

Marcio Funchal: O plantio florestal já estava condicionado ao licenciamento. Dessa forma, a mudança do código traz pouco efeito sobre o setor. Já na agricultura e pecuária os efeitos devem ser mais importantes, visto que o processo de licenciamento dessas atividades não tem o mesmo rigor que a produção florestal.

Em termos de licenciamento para indústrias, o novo código não traz efeitos importantes. Entretanto, vê-se claramente uma tendência de aumento de rigor dos estudos preliminares (EIA) e seus relatórios (RIMA).

Painel Florestal: Quais os maiores gargalos do setor florestal brasileiro hoje?

Marcio Funchal: Os mais evidentes gargalos são os que a mídia mostra diariamente nos veículos de comunicação: logística, burocracia pública, tributos e etc. O mercado chama essas mazelas de Custo Brasil. Entretanto, aqui na Consufor, julgamos que os maiores gargalos do setor são dois: (i)falta de organização e representatividade como setor produtivo, nos moldes do que é o agronegócio, onde se tem o ente privado, o público e o financeiro trabalhando em conjunto; e (ii) falta de informações de qualidade, sejam elas em nível de políticas setores, estratégias de empresas ou de fatos de mercado.

As empresas ainda trabalham com pouca informação estratégica, se baseiam em premissas de mercado que não condizem com a realidade, e não veem o conhecimento das variáveis de negócio como diferenciais de competitividade.

Painel Florestal: O que você espera do 1º Encontro Painel Florestal de Executivos?

Marcio Funchal: A Consufor acredita que o Painel Florestal mais uma vez inova ao organizar o evento. Estarão reunidas as principais empresas do setor, cada qual com sua experiência e estratégias, com o intuito de fomentar alternativas para toda a cadeia produtiva. O setor não pode mais imaginar que os esforços individuais das empresas serão suficientes para garantir a perenidade dela no mercado. Nas cadeias produtivas de alta competitividade, a formação das rodadas de discussão de alto nível entre as empresas é fato comum. O Painel Florestal está encabeçando a iniciativa para trazer isso ao setor de base florestal.

 


Fonte: Painel Florestal



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Comentário(s) (1)


qDByBuQQOSKyMBYxz disse:

11/06/2013 às 05:23

Isso e9 absolutamente nmoral, ne3o precisa fazer tanto alarde. Je1 aconteceu comigo infameras vezes, trata-se de uma simples falha de contagem de entradas no banco de dados MySQL, mais especificadamente na tabela wp_comments'.As vezes aparece 0 como nfamero total de comente1rios, outras aparece como ai na imagem. Enfim, ne3o e9 bug no WordPress em si, mas sim na contagem de entradas no banco de dados.c9 raro ele acontecer, nmoralmente ocorre apenas em casos extremos em que o servidor este1 sobrecarregado (ou perto disso)

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