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01/04/2013

Um pólo moveleiro sem florestas? Ele existe, no Ceará

Projeto busca descobrir quais espécies florestais podem abastecer pólo moveleiro de Marco/CE

São estudadas espécies que se adaptam melhor à região

O município de Marco, na região norte do Ceará, possui, desde meados da década de 1990, um polo moveleiro que fabrica móveis para diversos estados e até para fora do Brasil. Dos seus 24 mil habitantes, 2 mil possuem alguma relação econômica, direta ou indireta, com a atividade moveleira. Vinte e oito indústrias moveleiras funcionam naquele arranjo produtivo local, além de empresas relacionadas à produção de móveis, como vidraçarias e marmorarias. Segundo Leonardo Aguiar, proprietário da movelaria Demarco, a arrecadação do ICMS em Marco é igual ao de Acaraú, uma cidade vizinha que tem o dobro de habitantes. A movimentação financeira na agência do Banco do Brasil também situa-se em um nível maior que a dos municípios próximos.

A madeira que abastece a produção, contudo, vem de longe. O polo consome cerca de 1.000 m3/mês desse material. Grande parte são provenientes de espécies do Pará. Em alguns casos, a origem pode estar a milhares de quilômetros dali, como o pinus adquirido no Sul do Brasil e o eucalipto, no Sudeste. Por causa disso, parte do material tem de ser transportado de barco, em um trajeto que leva cerca de 15 dias. "Grande parte do valor da madeira é combustível", constata Leonardo Aguiar. O Ceará possui cerca de 750 indústrias moveleiras, entre médias e pequenas. Além de Marco, a fabricação local é diversificada, com destaque para as empresas localizadas no municípios de Jaguaribe, Iguatu e Fortaleza.

Com a sustentabilidade do negócio e do meio ambiente em risco, haja vista a restrição cada vez maior à aquisição de madeiras nativas da Floresta Amazônica, a solução foi usar a criatividade. Por que não plantar em Marco as espécies moveleiras usadas no polo? Dito assim parece fácil, mas tanto o clima quanto o solo do semiárido são bastante diferentes dos habitats onde as árvores utilizadas no setor moveleiro se desenvolvem. Além do solo arenoso, a região, por ser litorânea, possui muitos ventos, favorecendo o tombamento das árvores.

Descobrir quais espécies poderiam se adaptar a esse ambiente e como lidar com elas é a tarefa assumida por duas Unidades da Embrapa: a Embrapa Florestas (Colombo-PR) e a a Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza-CE). O projeto é pioneiro no segmento florestal do Ceará e teve início em 2009. Ele conta com apoio financeiro do Banco do Nordeste e do Governo do Estado do Ceará. Em uma fazenda da zona rural de Marco, ligada ao Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), estão sendo testadas mais de 40 espécies florestais com potencial moveleiro. Elas estão divididas em três categorias: não-tradicionais (neste grupo encontram-se algumas espécies nativas, como cumaru, frei jaque, são gonçalo, violeta, aroeira e exóticas como o nim), exóticas (teca, mogno africano, casuarina, acacia mangium) e da Amazônia (andiroba, paricá e mogno). Além dos três grupos indicados, foram selecionados para avaliação alguns clones de eucalipto, atendendo a uma solicitação dos empresários da região, que usam esta madeira como alternativa para a fabricação de alguns móveis.

Metodologia

O projeto tem as seguintes metas: definição de seis espécies a serem utilizadas em instalações de plantios pré-comerciais (ensaio), sendo duas de espécies arbóreas não-tradicionais, duas de espécies da região amazônica e duas de espécies exóticas. Por meio de uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Florestas, será possível, em um prazo de três anos, testar e selecionar as espécies arbóreas, de material ou variabilidade genética adequada, com perspectivas de maior produtividade e melhor qualidade da matéria-prima para a indústria do Polo Moveleiro de Marco.

Um dos critérios de seleção das espécies para a fase seguinte é o cálculo do Índice Combinado de Crescimento (ICC), que é obtido pela fórmula: percentual de plantas vivas x altura média (em metros) x Diâmetro da Altura do Peito (DAP), indicador usado para medir o diâmetro das árvores­. Cada espécie terá um ICC que, depois de calculado, será colocado em ordem decrescente. As espécies com valor de ICC acima da média passarão para a segunda fase da metodologia.

Superada a etapa eliminatória, as espécies que melhor se adaptarem às condições de plantio deverão ser plantadas em uma área maior, seguindo manejo florestal específico. Esta fase é conhecida como "plantio de comprovação". O plantio de conservação, segundo o pesquisador Paulo Ernani, "nada mais é do que um plantio pré-conercial, devendo ser submetido às técnicas de condução e manejo, tais como podas ou derramas e desbastes, para o julgamento correto de seu valor silvicultural (cultura de florestas)".

A intenção é aproveitar parte dos 8.300 hectares de terra do Projeto de Irrigação do Baixo Acaraú localizados no município de Marco. Além de reduzir o custo da madeira, considerado elevado pelos produtores, o projeto deverá proporcionar a ampliação da área florestada no Estado, reduzindo assim a exploração indiscriminada de florestas nativas tropicais. Para os moradores do projeto de irrigação, a iniciativa pode resultar ainda em um fonte alternativa de renda e formação de mão de obra especializada local.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical e coordenadora do projeto, Diva Correia, os resultados das análises da qualidade da madeira (testes tecnológicos) dessas espécies fornecerão informações importantes para o desenvolvimento ou aplicação de métodos de seleção genética para a melhoria da qualidade da madeira e estabelecimento de plantios comerciais na região de Marco.

Fazem parte da equipe técnica, além da pesquisadora Diva Correia, os pesquisadores da Embrapa Florestas: Paulo Ernani (aposentado), Ivar Wendling, Edinelson Neves e Antônio Carpanezzi; os pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical: João Alencar, Antônio Teixeira, Marto Viana e Lindemberg Mesquita; o bolsista engenheiro agrônomo Dionis Araújo e o assistente de campo José Roque.

Desenvolvimento

Em visita ao local de plantio, em Marco, a reportagem da Agroindústria Tropical conferiu de perto o desenvolvimento das espécies florestais. O terreno foi limpo e as mudas plantadas em linha. A comparação entre o estágio atual de desenvolvimento das árvores e o início do plantio (as mais velhas têm nove meses) impressiona. É possível até mesmo abrigar-se à sombra de algumas delas.

Em média, tais árvores levam mais de 20 anos para serem cortadas e usadas comercialmente. O projeto é uma aposta no futuro. Vencidas as barreiras de clima e solo, o Brasil poderá contar com florestas destinadas ao uso moveleiro em lugares até então impensados, como o semiárido nordestino. Segundo a pesquisadora Diva Correia, o projeto surgiu por causa de uma encruzilhada vivida pelo setor moveleiro. "Não havia alternativa. Ou se acabava com o negócio ou se produzia uma floresta organizada. Nosso objetivo é criar as condições de uma floresta em Marco. Para isso, o conhecimento acerca das espécies é fundamental", afirma. Do ponto de vista ambiental, a expectativa é que as plantas se adaptem à nova região ecológica, diminuindo assim a pressão de consumo exercida atualmente sobre as florestas naturais. Além de fazer bem à economia de Marco, as novas florestas representam um excelente negócio para o meio ambiente.


Fonte: Embrapa Agroindústria Tropical



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