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06/03/2013

Eldorado Brasil planeja produzir cinco milhões de toneladas de celulose por ano

Segundo diretor técnico, empresa ainda dribla deficiência de mão de obra na região.

 Em dezembro do ano passado, a Eldorado Brasil inaugurou a maior fábrica em linha única de celulose do mundo. Localizada em Três Lagoas (MS), polo mundial de celulose, tem capacidade para a produção de 1,5 milhão de toneladas por ano.  A planta fabril recebeu investimentos na ordem de R$ 6,5 bilhões, sendo que R$ 4,5 bilhões foram destinados à construção da fábrica. A empresa estima faturar R$ 2 bilhões no primeiro ano e tem planos traçados até o ano de 2021, quando a produção poderá chegar a cinco milhões de toneladas. Sobre o assunto, veja abaixo o que disse à redação do CeluloseOnline o diretor técnico e industrial da companhia, Carlos Monteiro .

CeluloseOnline - O crescimento de 55% no setor de celulose e papel previsto para este ano no Mato Grosso do Sul deve-se também à instalação empresa da Eldorado no Estado?

Carlos Monteiro - A chegada da Eldorado Brasil Celulose ao Mato Grosso do Sul introduz mais 1,5 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto no mercado mundial. Isso certamente aumenta a capacidade produtiva da região e reafirma a vocação da região para  a produção de celulose.

CeluloseOnline - Por que grandes empresas deste setor estão instaladas nesta região? Como foi o caso da Eldorado? Por que a escolha de Três Lagoas?

Carlos Monteiro - A escolha se deu pela soma de alguns fatores: a disponibilidade de terras, que eram basicamente utilizadas para agropecuária e se tornaram atrativas para plantio de eucalipto, e o fator de a geografia e o clima favorecerem o crescimento do eucalipto na região, que tem grande disponibilidade de água. 

O local escolhido para a construção da fábrica da empresa é extremamente estratégico, o que nos possibilita  utilizar modais rodo / hidro / ferroviário, que além do baixo impacto na emissão de carbono, são processos que deixam nosso produto ainda mais competitivo.

Outro ponto a ser levado em consideração é o incentivo governamental para atrair grandes empresas e transformar o Estado, que era basicamente agropecuário, em um polo com diversidade industrial.

CeluloseOnline - Para a Eldorado, qual a importância econômica e social do setor de celulose para o Brasil?

Carlos Monteiro - A participação do setor de celulose e papel na balança comercial do Brasil foi de 2,7% em 2012. A Eldorado Brasil, como novo entrante, propicia uma alternativa aos clientes em todo o mundo, principalmente em função do tamanho da empresa e de sua capacidade produtiva.

A demanda global por celulose de fibra curta cresce mundialmente entre 1% e 1,5% ao ano, o que representa a necessidade de mais 1 milhão de toneladas por ano. Com isso, a empresa também contribuirá com a evidência da produção brasileira frente ao mercado internacional, mantendo a liderança de celulose de fibra curta. 

CeluloseOnline - Na visão da Eldorado, o que pode ser melhorado no setor? Ainda falta algum investimento, alguma lei, alguma abertura política?

Carlos Monteiro - O Brasil é o país mais competitivo do mundo em celulose, que continua exportando e ganhando mercado de maneira contínua. Pensado no setor industrial e não apenas no segmento, o país precisa encontrar caminhos para desonerar a indústria brasileira para exportação dos tributos. Isso poderia acontecer por meio do Programa Reintegra, por exemplo. O governo está sensível à indústria e começa a tomar decisões importantes nessa direção. 

CeluloseOnline - E quais os pontos negativos do setor (de celulose e papel) na atualidade?

Carlos Monteiro - O maior desafio é mão de obra. Na região em que atuamos, considerando Três Lagoas e as cidades próximas (Selvíria, Inocência e Água Clara), a população é muito pequena e não atende nossa demanda.  A Eldorado qualifica os funcionários, mas a questão na região não é a formação e sim a quantidade de pessoas disponíveis. Nosso grande desafio, principalmente na área florestal, é captar esta mão de obra considerando inclusive regiões mais distantes.

Atualmente, contamos com 2.500 colaboradores fixos, contratados ou terceiros. Este número certamente será ampliado com as expansões, pois precisaremos de mais gente em todas as áreas: florestal, industrial, logística , entre outras.

CeluloseOnline - Alguns otimistas dizem que o setor de celulose é o que mais vai crescer e será um dos mais importantes para a economia do País. O senhor concorda com isso?

Carlos Monteiro - O mercado de papel e celulose continua crescendo no mundo porque tem encontrado novas aplicações, por exemplo, o mercado de papéis para fins sanitários e decorativos. Esse mercado cresce de forma muito expressiva no mundo todo, principalmente nos países emergentes. 

Acreditamos que o mercado de celulose cresce de um milhão a um milhão e meio de toneladas por ano. Isso significa que, em um ano ou um ano e meio, nossa primeira linha de produção de 1,5 milhão de toneladas será necessária apenas para acompanhar o crescimento da demanda de mercado mundial. E o desafio é conseguir acompanhar esse crescimento com competitividade e sustentabilidade. Temos responsabilidade social e ambiental fortemente apoiada em um modelo inovador que valoriza o papel e a importância das pessoas.

CeluloseOnline - A Eldorado usa o slogan: “A maior linha de produção de celulose do mundo”. O que faz ela ser a maior do mundo? 

Carlos Monteiro - Para atingir o objetivo de conquistar a liderança no setor de celulose, nosso projeto prevê o investimento de R$ 20 bilhões em três linhas de produção. Isso nos permitirá atingir uma escala de 5 milhões de toneladas de celulose por ano já em 2020/2021. Atualmente, a Eldorado Brasil possui a maior e mais moderna linha de produção de celulose do mundo. Maior, pois conta com o mesmo digestor, um único processo de cozimento para produzir a capacidade total de produção de 1,5 milhão de toneladas/ano. E mais moderna, pois é a mais nova e conta com uma fábrica altamente tecnológica com foco em competitividade, inovação e sustentabilidade.

Utilizamos o que há de mais moderno disponível atualmente. O projeto teve investimento de R$ 6,2 bilhões, sendo que R$ 4,5 bilhões foram destinado à construção da fábrica. Os outros R$ 1,7 milhão foram direcionados à logística (R$ 800 milhões) e à composição das florestas próprias de eucalipto (R$ 900 milhões).

CeluloseOnline - Como funciona essa linha de produção de celulose?

Carlos Monteiro - Um dos grandes diferenciais da Eldorado é ter toda a cadeia primarizada. Na floresta, por exemplo, plantamos em terras arrendadas, mas toda a mão de obra é da Eldorado. Isso garante qualidade e aumenta eficiência e competitividade. Um dos grandes ativos da companhia é a valorização de pessoas. Trabalhamos com uma equipe excelente e altamente capacitada em suas áreas de atuação. 

Outro fator importante é a Eldorado ter construídos portos próprios e ter adquiro uma frota de trens e vagões para o transporte da celulose. Estes diferenciais atrelados a uma fábrica altamente tecnológica com foco em inovação e sustentabilidade fazem da Eldorado uma empresa competitiva e com grandes diferenciais.

CeluloseOnline - Há a expectativa para que a Eldorado chegue a ser a maior do mundo? A estimativa é para daqui há quantos anos?

Carlos Monteiro - A Eldorado atingiu as metas de produção de celulose previstas para o primeiro mês da sua learning curve, inclusive com classificação da celulose de exportação. Já iniciamos os processos de exportação, com o primeiro embarque break-bulk para Mobile, EUA. Os principais destinos são Europa, Ásia e EUA. A média de produção atingiu a meta prevista na learning curve e superando as curvas de benchmarking.

O foco da Eldorado é exportar cerca de 90% da celulose produzida para os mercados de papel localizados na Ásia (50/55%), Europa e Oriente Médio (30/35%) e América, incluindo Brasil e Estados Unidos (10/15%). Acreditamos que 2013 será um ano muito promissor para as exportações de celulose, sendo que a Eldorado entra em operação no momento oportuno. A empresa já estuda possíveis desengargalhamentos para avançar na produção da linha atual.


Fonte: Irving Malaguti/CeluloseOnline



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