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17/12/2012

Sustentabilidade na ponta do lápis

Com 251 anos de existência, uma das mais antigas empresas do mundo, a Faber-Castell desenha seu futuro pautada em princípios sustentáveis

por Juliana Guarexick, da Envolverde

“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo. E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.” Ao ouvir o trecho da músicaAquarela do compositor Toquinho, logo vem à mente o marcante comercial da Faber-Castell, a mais antiga fabricante de materiais para escrever, desenhar, pintar e promover o desenvolvimento da criatividade, principalmente de crianças.

No vídeo, os traços leves e seguros vão aos poucos construindo um mundo que inclui atores da natureza, como a gaivota, o Sol e a chuva. Mas a relação com o meio ambiente vai além do cenário traçado no papel. A sustentabilidade faz parte dos pilares da fabricante e está inserida em toda sua cadeia produtiva.

“Em todas as áreas da empresa, sejam elas administrativas ou operacionais, são identificados aspectos e impactos ambientais associados a atividades, produtos ou serviços”, descreve Otávio Perez, gerente de sustentabilidade da Faber-Castell. Este diagnóstico citado pelo executivo é refletido em posturas ambientalmente corretas, que contribuem para a concretização de um modelo de negócio sustentável.

A fabricante, que ainda hoje tem sua sede localizada na Alemanha, ao lado do castelo da família fundadora, está longe de ser retrógada e antiquada. A companhia é referencial em inovação e cuidado com o meio ambiente. No Brasil, a Faber-Castell possui 9,6 mil hectares de florestas, sendo que, dessa área, cerca de 2,7 mil hectares são áreas de reserva legal e preservação permanente.

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Vista de um dos parques florestais localizados no município de Prata, Minas Gerais. Foto: Juliana Guarexick

Toda essa extensão está dividida em dez parques florestais situados nos municípios de Prata e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Tanto o plantio de madeira, como o próprio EcoLápis, produto carro-chefe da fábrica brasileira, possuem certificação Forest Stewardship Council (FSC), principal órgão internacional na área de manejo florestal sustentável.

O mais interessante é que a matéria-prima excedente da produção do EcoLápis é reutilizada no processo industrial ou vendida para outras empresas, resultando no aproveitamento de 100% de cada árvore. Os resíduos, como folhas e galhos finos, por exemplo, são aproveitados como adubo, devolvendo à terra os nutrientes necessários para a renovação do solo.

O espaço, porém, não é meramente uma fonte de renda para a empresa. Os parques florestais são ambientes propícios para a preservação da fauna e da flora locais. “Após identificar o número de espécies existentes, a etapa atual é melhor a alocação para que as aves, por exemplo, não sejam presas fáceis de predadores”, explica o gerente de sustentabilidade.

Otávio refere-se ao projeto Animalis, que há 20 anos monitora e identifica os animais que vivem nos parques florestais da Faber-Castell, incluindo espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira. A preservação da flora também é uma preocupação da empresa, com o projeto Arboris, que consiste na preservação, recuperação e adensamento de remanescentes da flora nativa local.

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Estação de Tratamento de Efluentes. Foto: Juliana Guarexick

Para tratar da água utilizada em seus processos industriais, a Faber-Castell possui uma Estação de Tratamento de Efluentes, que purifica toda a água utilizada antes de devolvê-la ao meio ambiente. A água tratada passa por um aquário com peixes que atestam sua pureza antes da devolução aos rios. “Até agora nenhum peixe morreu”, enfatiza Otávio, reforçando a qualidade do processo.

Além do tratamento da água a empresa destina corretamente o lixo produzido. Todos os resíduos são encaminhados para Estação de Tratamento de Resíduos e separados. O lixo reciclável é vendido para outras empresas, para serem posteriormente reutilizados. Os resíduos industriais são triturados, acondicionados e encaminhados para coprocessamento em uma fábrica de cimento em Minas Gerais.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos inclui a responsabilidade das empresas pelo ciclo de vida dos produtos. É a chamada logística reversa, ou seja, a coleta e destinação correta dos resíduos sólidos após seu uso. “A Faber-Castell está antecipando-se às exigências da lei, que só é aplicada hoje a pilhas, baterias e materiais eletroeletrônicos”, acrescenta o executivo ao mencionar o processo de reciclagem realizado pela empresa.

Em parceria com a TerraCycle, a instituição promove a coleta de instrumentos de escrita, como canetas, marcadores e suas respectivas embalagens, transformando-os em matéria-prima reciclada. O programa prevê o reaproveitamento de materiais de outras marcas, bastando o consumidor se inscrever gratuitamente no Programa de Coleta e na Brigada de Instrumentos de Escrita Faber-Castell pelo site da TerraCycle.

Os principais problemas ambientais são a geração de resíduos sólidos e as emissões atmosféricas que causam males irreparáveis ao meio ambiente. A Faber-Castell reconhece a importância desta preocupação e estabelece metas para que as populações futuras possam ter acesso aos recursos naturais que temos hoje. “A Faber-Castell já está em sua oitava geração e a nossa ideia é que ela não termine nesta geração”, finaliza Otávio. 


Fonte: Envolverde



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