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17/09/2012

Seringa Contra a Calvície Pneumática

Professor Valverde

Mais uma vez me faltou inspiração para redigir uma matéria e honrar meu compromisso quinzenal de blogueiro com o site do Celulose Online. Por tal razão, ousei neste texto ao mudar do “pau” pra “borracha” e escrever sobre uma cultura florestal – a seringueira – que, em que pese o grande potencial do Brasil no mercado do látex, ainda aparece de forma incipiente, havendo pouca pesquisa sobre ela.

Embora tenhamos escrito tanta “borracha” e visto e ouvido tanta gente escrever e falar muita “borracha” na área florestal desconhecemos bastante sobre este polímero natural, assim como sobre os demais produtos florestais não madeireiros (PFNM). Há poucos profissionais dedicados ao desenvolvimento da cultura da seringueira, sobretudo da classe dos Engenheiros Florestais, como também há poucas universidades e centros de pesquisas com especialistas se dedicando full time à borracha, como para outras culturas.

O fato é que, mesmo tendo havido parca evolução tecnológica no cultivo da seringueira, nossas plantações começam a se tornar competitivas em relação à dos grandes produtores. Com avanços esperados em termos de material genético e de tratos silviculturais e considerando a quantidade de terras ociosas, com vocação para a heveicultura, ávidas para serem aproveitadas, tudo leva a crer que o Brasil, num futuro não muito longínquo, sairá do rol dos importadores para se tornar grande exportador.

Se investir em melhoramento genético em heveicultura como se investiu no eucalipto nos últimos 50 anos, o aumento da produtividade será inevitável, tornando os plantios brasileiros tão produtivos quanto os da Tailândia e Malásia.

Ocorre que, estranhamente, com tanta oportunidade para se investir em seringueira, o que mais se vê são propagandas de estímulo a plantios de espécies sem mercado como guanandi, cedro australiano, mogno africano, entre outras. Óbvio que, como todo projeto florestal, investimentos em seringueira são de alto risco, dado o caráter de longo prazo e o histórico de frustrações havidas pelos produtores com esta cultura quando o mercado era fechado e os preços controlados pelas grandes indústrias de pneumáticos. No entanto, com a globalização e com o crescimento das economias dos países mais populosos e em desenvolvimento, como os BRICS, o futuro que se pinta para o mercado da borracha no Brasil e no mundo tende a ser melhor.

Investir em seringueira passa a ser um bom negócio em qualquer estado do País, desde que considerado área de escape para a doença do “mal das folhas”. No caso dos Estados montanhosos, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de se revelar um bom negócio, é o que remanesce para estas regiões, dado que nelas nenhuma outra cultura agrícola se manterá competitiva com a praticada em áreas planas, como também a quantidade enorme de áreas ociosas se degradando.

O fato é que, embora a hevea seja uma espécie nativa, o Brasil importa dois terços da quantidade consumida de borracha natural. Oscilações históricas frequentes nos preços da borracha, atingindo períodos prolongados de valores aviltados, além da concentração do mercado levaram ao desestímulo da produção. Com preços que chegaram abaixo de US$0,80 por kg de borracha seca (BS) a acima de US$3,00, há tempo o valor tem se situado próximo de US$2, sinalizando oportuno para produtores da região sudeste.

Apesar de pairar um risco em função da possibilidade de sua substituição pela borracha sintética – o que poderia afetar na queda nos preços e na quantidade da borracha natural –, acredita-se ser pouco provável que isto venha acontecer, pois o preço do petróleo tem se mantido em patamares mais elevados. Creio que, para os mais afortunados, que não é o meu caso – também pudera, pela profissão que escolhi e amo -, está aí uma boa modalidade de investimento.

Com efeito, a partir da década de 1990, com a globalização, a estabilidade das moedas e o crescimento econômico dos grandes países populosos como a China, Índia, Indonésia, Rússia e também o Brasil, os chamados BRICs, o consumo de borracha natural vem crescendo significativamente. Este aumento no consumo tende a ultrapassar o limite da capacidade ofertada dos principais países exportadores, devido à limitação de áreas para novos plantios e a capacidade produtiva dos velhos povoamentos em produção.

Considerando o consumo per capita baixo destes países com economia pujante, no caso do Brasil, em contrapartida, talvez o maior problema em relação à cultura da borracha esteja relacionado à mão de obra. Com o campo se desertificando, há que se capacitar as pessoas para este trabalho e remunerá-las melhor para que possam obter rendas significativas que as mantenham trabalhando neste espaço.

Afinal, à medida que esta renda aumenta, cresce a demanda por automóveis, como também a de pneus novos, decretando o fim dos pneus “carecas” nas estradas, haja vista que as pessoas poderão, sempre que necessário, substituírem por novos. Triste saber que há tão pouco tempo atrás, nossa frota de veículos tinha idade média de 18 anos rodando com pneus em “petição de miséria” e que chegamos a importar usados da Europa para serem rodados aqui no Brasil.

Lamento aos carecas que imaginavam que iriam encontrar aqui nesta matéria alguma solução para falta de “teto” na cabeça. Mas, nunca percam as esperanças, porque o futuro está ai e o Primeiro Mundo


Fonte: Celulose Online



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