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12/06/2012

Novos atores na fazenda sustentável

Por Benjamin Salles Duarte, Engenheiro Agônomo.

Foto: Google
Minas tem um universo de 551.617 estabelecimentos rurais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  O Produto Interno Bruto(PIB) do agronegócio mineiro somou, em 2011,  R$ 118 bilhões. Portanto, estamos diante de um segmento estratégico e indispensável à economia estadual, juntamente com a indústria, comércio, agroindústrias e serviços, pois entre eles há sempre convergências de tecnologias, inovações, mercados, demandas, pesquisas, crédito, políticas públicas, entre outros. Ressalte-se também que a multifuncionalidade dos empreendimentos rurais transcende a porteira da fazenda e se projeta em níveis de município, estado, União e mundo, onde desembarcam os produtos agrícolas, pecuários e florestais das terras mineiras.

A agroeconomia brasileira tem enfrentado singulares restrições, numa série histórica considerável, e entre elas o claudicante sistema logístico que privilegia o transporte rodoviário com 65,6% das cargas transportadas num país continental como o Brasil e incluindo-se necessariamente as safras agrícolas. Em termos de desempenho logístico, a Alemanha ocupa o primeiro lugar; os EUA o 15º lugar; e o Brasil o 41º lugar. Sabe-se que os produtores brasileiros têm produtividades médias na agricultura compatíveis, e até superiores, comparando-as aos níveis internacionais, mas os gargalos persistem nos caminhos da comercialização do campo à mesa do consumidor nos mercados interno e externo. Não há nenhuma novidade nisso.

Num contexto, igualmente ampla, há que se ressaltar o projeto do governo mineiro que se chama Adequação Socioeconômica e Ambiental das Propriedades Rurais do Estado, que reúne solidariamente a Secretaria de Agricultura de Minas, como coordenadora, Emater-MG, Epamig, Embrapa Milho e Sorgo, UFMG, Fundação João Pinheiro, IEF e produtores selecionados numa primeira etapa e aplica os indicadores de sustentabilidade em seus estabelecimentos rurais. Esse modelo de pesquisa visa avaliar, pioneiramente no Brasil, o desempenho das propriedades nas vertentes econômica (renda), social (qualidade de vida) e ambiental (uso planejado dos recursos naturais) no foco da sustentabilidade e com equilíbrio entre esses fatores analisados. 

O projeto se alinha perfeitamente com as questões de fundo que são discutidas no cenário internacional, ou seja, conciliar desenvolvimento e sustentabilidade. As planilhas de campo são preenchidas pelos extensionistas da Emater-MG, capacitados em treinamentos, e delas deriva o planejamento da propriedade. 

Além disso, são usadas as tecnologias adequadas de levantamento de dados, inclusive o geoprocessamento, conciliando-os com entrevistas pessoais com os produtores para lograr uma nova leitura do espaço rural, o que também implica na qualidade da assistência técnica e extensão rural e nos relacionamentos recorrentes entre quem planta e cria, extensionistas, pesquisadores e mercados, pactuando-se os objetivos socioeconômicos e ambientais nos rumos da proposta adequação como uma ferramenta de gestão. Mas a palavra final é do empreendedor rural nas suas atividades agrossilvopastorís, na medida em que a adoção de inovações custa dinheiro e é ele quem toma decisões em seus negócios. A visão de sustentabilidade requer muita capacitação técnica, diálogo e princípios de razoabilidade entre os atores dessas mudanças.

O modelo econômico vigente privilegia o lucro, o que é correto, mas posterga, não se sabe até quando, a discussão objetiva e pragmática de como realmente conciliar as múltiplas demandas da sociedade consumidora com a sustentabilidade dos recursos naturais, por saber que eles são finitos. A presumível exaustão dos recursos ambientais, tese polêmica e aquecida, deve ser colocada à mesa e na dimensão da sua importância na sobrevivência da humanidade com qualidade de vida, pois a natureza continua emitindo seus sinais de alerta nos cinco continentes deste planeta. Uma geleira na Península Antártida, chamada Larsen B, que tinha 11.512 km2 em 1995 (era 35 vezes maior que o município de Belo Horizonte), tem apenas 1.670 km2 em 2012, ou menos 85,5% de gelo em 17 anos. Está se cutucando a onça com vara curta.

Aperfeiçoando-se ao longo do tempo, como é próprio do mundo científico e tecnológico, a adequação socioeconômica e ambiental das propriedades rurais facilitará a convergência de saberes e experiências para que os dados e informações coletados nas diferentes regiões de Minas transformem-se em conhecimentos práticos acessíveis por quem planta, cria, preserva, recupera, abastece e exporta, e principalmente num país, como o Brasil, definitivamente urbanizado e com irreversível relação de dependência com o desempenho da agroeconomia. Campo e cidade são faces indissociáveis de uma mesma moeda. A Rio+20, que começa com eventos paralelos de instituições diversas a partir desta semana no Rio de Janeiro, deveria debater a fundo a agricultura, agronegócio e sustentabilidade dos empreendimentos agrossilvopastorís.     

 A busca constante por informação de qualidade é indispensável à tomada de decisão no campo e esse projeto de adequação é uma radiografia tridimensional econômica, social e ambiental e suas singularidades regionais, pois não há como confundir o semiárido mineiro, com polo em Montes Claros, com as demais regiões de Minas. Ressalte-se que numa primeira etapa, neste ano, serão aplicados no campo 700 questionários de sustentabilidade pelos extensionistas da Emater-MG aos agricultores envolvidos com os projetos de Irapé, Minas Leite e Certifica Minas Café. Certamente, essas propriedades serão também futuros polos de difusão de inovações e deverão abrir espaço  para futuras dissertações de mestrado e teses de doutorado. O conhecimento deve ser compartilhado.


Fonte: Estado de Minas



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