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11/04/2011

MG: Epamig apresenta resultados do sistema silviagrícola para produtores rurais

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) realizou sexta-feira (8), em Ervália, na Zona da Mata, o Dia de Campo sobre Produção sustentada de madeira e grãos no sistema silviagrícola.

O evento reuniu cerca de 100 produtores da região na Fazenda Caatinga, onde está instalada a Unidade Demonstrativa do sistema, para apresentar os resultados da produção de três colheitas de culturas agrícolas obtidas em duas safras, durante um ano e quatro meses de desenvolvimento do projeto. 

Em sistema de consórcio, foram cultivadas na área, em dezembro de 2009, mudas de eucalipto e de acácia intercaladas à cultura do arroz, cuja safra rendeu 2.800 quilos por hectare. No segundo ano, o componente florestal foi consorciado, durante o período das águas, com a cultura do feijão carioca (cultivar majestoso), cuja safra rendeu 560 quilos por hectare. 

“O processo foi repetido durante o período da seca; a cultura do feijão encontra-se em andamento e será apresentada aos participantes no dia de campo”, explicou o pesquisador da Epamig Regional Zona da Mata, Flávio Pereira da Silva. No mesmo período, as árvores de quatro clones de eucalipto e Acácia mangium atingiram altura de sete metros. De acordo com o pesquisador, além da madeira, há ainda a possibilidade da exploração da apicultura na área, dentro do componente florestal. 

Benefícios à economia e ao meio ambiente


O projeto de implantação do sistema silviagrícola, coordenado pela Epamig e financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), foi iniciado em dezembro de 2009, em área de 10.800 m² na Fazenda Caatinga, em Ervália, com o objetivo de estimular o plantio de culturas diversas na mesma área como forma de melhoria do nível socioeconômico dos pequenos produtores da região. 

Durante o desenvolvimento do projeto, foram realizadas palestra técnica para a Emater local e visita técnica para representantes da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) e do Sindicato Rural de Ervália. 

Segundo o pesquisador Flávio Pereira da Silva, a utilização sustentável dos recursos naturais por intermédio do emprego do sistema silviagrícola caracteriza menor dependência de insumos, resulta em maior segurança alimentar para os agricultores familiares e consumidores finais, permitindo a obtenção de um número maior de produtos numa mesma área de terra. 

“Para os agricultores familiares isto refletirá em aumento e diversificação de renda por unidade de área, agregando valor aos produtos agrícolas e florestais, melhorando o fluxo de caixa; aumentando as receitas da propriedade; diversificando as atividades agrícolas, reduzindo os riscos de produção e produzindo maiores benefícios ambientais para toda sociedade”, ressalta. 

O sistema silviagrícola é praticado, empiricamente, por agricultores familiares há centenas de anos, sem, no entanto, terem conhecimento dos benefícios econômicos e ambientais, se comparado aos sistemas de monocultivos, ressalta o coordenador do projeto. Essa prática intensifica a reciclagem de nutrientes na terra, proporciona maior cobertura do solo, protegendo-o dos efeitos erosivos, economizando fertilizantes e mantendo ou aumentando a fertilidade do solo. 

Adicionalmente, os sistemas silviagrícolas proporcionam vários produtos para subsistência do agricultor familiar, dando-lhe maior flexibilidade para negociação no mercado, e permitindo a utilização racional da mão de obra familiar em tempo integral. 

A Zona da Mata de Minas Gerais é formada, em sua maioria, por pequenas propriedades rurais com predominância de topografia ondulada e solos de baixa fertilidade - às vezes degradados, com baixo aproveitamento ou subutilizados durante todo o ano. Geralmente, estas propriedades são constituídas por agricultores familiares de baixa renda que residem na sede da propriedade, explorando-a com o emprego da mão de obra familiar para sua subsistência. “O sistema silviagrícola permite a ocupação de áreas marginalizadas, proteção das nascentes e cursos de água, recuperação e proteção dos solos, geração de matéria prima para as indústrias florestais e geração de postos de trabalho”, destaca Flávio Pereira da Silva. 


Fonte: Governo de Minas Gerais



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