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18/10/2010

Estudo pode por fim a polêmica sobre água x floresta plantada

A discussão em torno dos danos causados pelas plantações de eucalipto e pinus para os recursos hídricos é discutida em todos os países nos quais a silvicultura desempenha papel importante na economia.

Um estudo recente traz algumas respostas sobre a relação entre água e floresta de autoria do professor Walter de Paula Lima o livro “A Sivicultura e a Água: ciência, dogma, desafios” faz uma análise cultura, científica e história a respeito dos vários aspectos que envolvem o assunto.

“Do ponto de vista da ciência os resultados de inúmeras pesquisas mostram que não existe nenhuma relação entre os dois temas, tão pouco o aspecto fisiológico sofre qualquer alteração, o eucalipto, por exemplo, é uma espécie florestal absolutamente normal”, afirma o professor e autor do estudo em sua publicação.

De acordo com Walter, a opinião pública generalizada de que as florestas naturais, em todas as circunstâncias, são sempre benéficas para os recursos hídricos, no sentido de que elas fazem chover, aumentam a vazão dos rios, reduzem enchentes e mantém a qualidade da água. Isso se trata de uma avaliação muito mais complexa, cujos resultados vão depender da interação de vários fatores e não apenas da presença ou ausência da floresta, avalia o professor.

O diretor executivo da APRE (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal) Carlos Mendes também comunga da mesma opinião, para ele a floresta plantada se bem manejada contribui para a manutenção e melhoria da água no sistema como um todo. 

A Associação representa mais de 40 empresas associadas no estado, estas empresas juntas somam cerca de 70% da área ocupada com florestas plantadas no Paraná. “Defendemos juntos à utilização cada vez mais crescente do manejo florestal em mosaico que intercala floresta plantada e floresta natural e o uso consciente de recursos naturais”, explica Mendes.

O diretor executivo do Instituto BioAtlântica, Carlos Alberto Mesquita também compartilha da mesma idéia, para ele afirmar que as plantações florestais não necessariamente produzem danos, não significa relativizar a questão das florestas, mas sim as das bacias hidrográficas.

Mesquita também é integrante de uma iniciativa independente que realizou um estudo denominado Diálogo Florestal, esse estudo busca facilitar a interação e a troca de conhecimentos entre os representantes do setor socioambiental e os das indústrias de base florestal. 

O Diálogo Ambiental mostra que cada bacia hidrográfica tem uma dinâmica própria, e a disponibilidade de água não é uma questão apenas do uso do solo, uma série de fatores que incluem também precipitações e o tipo de manejo aplicado às plantações, homogêneas ou não. Também não é só uma questão de manejo, pois, dependendo das condições hídricas da área, às vezes, nem restauração florestal intensiva na área com espécies nativas da área é suficiente.

Manejo adequado

Para garantir a conservação da quantidade e da qualidade da água, Mesquita defende o manejo correto das plantações florestais e das outras atividades na propriedade rural. “Os benefícios ambientais das plantações vão depender fundamentalmente do plano de manejo, em termos da influência mútua dos plantios florestais e os demais elementos da paisagem, desde a sua formação até a sua colheita”, afirma o pesquisador. 

O estudo diz ainda que o planejamento do manejo de plantações florestais deve levar em conta as limitações naturais do meio, em termos de disponibilidade natural de água e também das demandas já estabelecidas desse recurso, assim como em termos da ocupação dos espaços produtivos da paisagem. “O manejo das plantações de eucalipto tem que levar em conta essas particularidades e limitações ecológicas e hidrológicas. Pela mesma razão, também tem a mesma responsabilidade social e ambiental o manejo da soja, da cana, da laranja, do boi”, afirma o professor Lima. 

Monitoramento

O professor alerta para uma peça-chave na busca do manejo florestal sustentável: o monitoramento, que, segundo ele, deve ser entendido como processo de obtenção de informações sobre os resultados das ações de manejo sobre o meio ambiente. ”O monitoramento tem que ser entendido como parte integrante do próprio manejo florestal sustentável, como ferramenta para a melhoria contínua, assim como para avaliar se as práticas estão, gradativamente e no longo prazo, degradando o solo, alterando o ciclo de nutrientes e, portanto, o potencial produtivo do solo, ou ainda degradando o funcionamento hidrológico das micro bacias hidrográficas”, afirma. Ele lembra ainda que deve ser levado em conta a própria diversidade natural da paisagem como clima, solo, geologia, geomorfologia e vegetação. “Em cada região, todas essas manifestações e as especificidades locais vão ser diferentes, o que implica reconhecer que nunca haverá um receituário que seja de aplicação universal”, completa.


Fonte: Painel Florestal



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