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01/06/2010

Mercado do MDL Cai 59% em 2009

O valor total do mercado primário do MDL caiu 59% para US$ 2,7 bilhões em 2009, com 211 milhões de toneladas contratadas no mercado primário do MDL (48% a menos do que no anterior e 62% a menos que em 2007), conclui o relatório ‘Estado e tendências do mercado de carbono 2010’ do Banco Mundial.

O valor total do mercado primário do MDL caiu 59% para US$ 2,7 bilhões em 2009, com 211 milhões de toneladas contratadas no mercado primário do MDL (48% a menos do que no anterior e 62% a menos que em 2007), conclui o relatório ‘Estado e tendências do mercado de carbono 2010’ do Banco Mundial.

A expedição de RCEs caiu para 132 milhões de toneladas em 2009, 10% a menos que em 2008 e apenas 30 milhões de RCEs foram expedidas no primeiro trimestre de 2010. No total, 400 milhões de RCEs foram expedidas até agora, bem inferior aos 700 milhões previstos em 2007.

Porém, como tanto oferta como demanda foram atingidas de forma parecida pela crise econômica, a competição pelos melhores ativos segurou os preços para que não caíssem tanto quanto os volumes.

Pipeline

O tempo médio atualmente para que um projeto de MDL passe por todo o processo , chamado pipeline, e consiga a expedição das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) é de três anos.

Isto está acontecendo por diversas razões, entre elas a complexidade e ineficiências das regulamentações e gargalos na capacidade do Comitê Executivo em analisar os projetos.

Lex de Jonge chefe da unidade de MDL e ministro do Meio Ambiente da Holanda, alega que parte dos atrasos no registro e expedição das RCEs são causados pela “qualidade insuficiente” dos documentos de concepção dos projetos (PDDs) que resultam em uma demanda maior por revisões. Apesar de assumir que o Secretariado da UNFCCC está sobrecarregado por não possuir equipe suficiente. Atualmente o número de projetos submetidos a análise no MDL aumentou para mais de 600 pedidos ao ano.

"O sistema atual...nunca será capaz de dar conta de um volume de 1 mil a 2 mil submissões de projetos ao ano em um regime pós-2012", comenta de Jonge refletindo sobre a necessidade de reformulação.

Ele sugere novas abordagens, como linhas de base e análises de adicionalidade mais padronizadas, que segundo ele podem ser "mais eficientes se aplicadas em uma escala maior do que atual avaliação projeto por projeto exigida pelas regras de Quioto".

O número médio de projetos novos entrando no pipeline do MDL cresceu entre 2005 e 2008 alcançando 116. A partir de então o número começou a cair, declinando 10% até fevereiro de 2010.

Pós 2012

O relatório alega que ironicamente a crise econômica e os atrasos na expedição das RCEs, que prejudicaram este mercado baseado em projetos, no fim pode acabar sendo uma notícia positiva para a demanda pós 2012. Estes fatores levarão as indústrias a utilizar menos RCEs e ERUs do que o limite de 1.4 milhões de toneladas durante a segunda fase do EU ETS. Portanto, se os preços das compensações continuarem inferiores aos das EUAs, a restrita terceira fase em conjunto com a limitação do uso das compensações, devem incentivar as indústrias a exaurir os seus limites de importação de créditos e sustentar a demanda, explica o relatório.

Volume

Os volumes das RCEs caíram 48% para 211 milhões de toneladas contratadas no mercado primário do MDL, especialmente devido aos atrasos e incertezas futuras que levaram a um aumento de custos transacionais, reduzindo também os valores de mercado.

As projeções para a oferta de RCEs até 2012 variam entre 0,97 a 1,09 bilhões.

Atividades no mercado

Com a crise econômica, o número de instituições financeiras ativas no mercado decresceu e conseqüentemente a originação de projetos também diminui.

Além disso, os players que precisavam de RCEs e saíram da crise econômica relativamente bem, buscaram portfólios desvalorizados de possíveis intermediários e agregadores ainda em crise, ao invés de lidarem com as complexidades relacionas à originação de RCEs.

Com a expedição de menos RCEs do que o esperado para muitos projetos, os vendedores freqüentemente se viram em déficit na entrega dos volumes contratados e correndo o risco de ter que comprar créditos em outros locais.

Assim como as instituições financeiras retraíram os investimentos em novos projetos, muitos compradores saíram do mercado em 2009, principalmente os industriais europeus com demanda menor e o próprio setor financeiro, enquanto os que ficaram demonstraram uma aversão muito maior ao risco, se tonando mais rígidos na escolha.

Para os acordos de maior volume, os compradores buscaram mitigar riscos através de “layering”, isto é, com acordos ‘guarda-chuva’ que incluem vários projetos potenciais em um único local e/ou são gerenciados por um único proponente.

Outras soluções encontradas incluem repartir os riscos entre dois ou mais compradores, a compra de uma parte das compensações de um projeto e negociação do restante, oferecimento de equipamentos, serviços e financiamento, além da criação de ERPAs criativos (combinando preços diferentes).

Os compradores acharam “proibitivamente difícil” montar acordos nas regiões em desenvolvimento. O mercado do sudeste asiático se mostrou extremamente competitivo, o indonésio muito agressivo comercialmente e lidar com o mercado latino americano se mostrou muito custoso em termos de tempo, disseram os players ao Banco Mundial.

A maioria dos contratos foi fechada entre € 8 e € 10 para as RCEs primárias em 2009.

Com a redução das equipes ligadas ao comércio de carbono em muitas empresas, provavelmente, alega que o relatório, no futuro as decisões para reconstruir a infra-estrutura exigirão muito mais certezas e tempo do que há alguns anos.

Para mais informações clique aqui.


Fonte: Carbono Brasil



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