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03/11/2008

África Deve Ser Destino das Florestas Plantadas

O Brasil pode não ser mais o destino de grandes empreendimentos na área de papel e celulose ou de produção de chapas de madeira. Em 10 anos os investimentos devem ir para a África, devido ao seu grande potencial.

O Brasil, quem diria, pode não ser mais, em futuro próximo, o destino de grandes empreendimentos na área de papel e celulose ou de produção de chapas de madeira. Em curso, há investimentos de cerca de US$ 20 bilhões no setor industrial e de florestas plantadas, mas eles estarão consolidados em 2015. Depois disso, investidores nacionais e estrangeiros já estão de olho no potencial do continente africano. Em dez anos ou pouco mais, calculam os especialistas, os investimentos deverão desembarcar preferencialmente em Moçambique, Angola ou no Congo.

Tudo isso tem uma explicação bastante simples: um projeto de produção de papel ou celulose na faixa de 1,5 milhões de toneladas anuais, como os da Suzano e da Aracruz, necessita de uma área de florestas plantadas de 200 mil hectares e como quase sempre as empresas já pensam o projeto com duas linhas de produção, na verdade o planejamento pede 400 mil hectares de reflorestamentos.

Em algumas regiões do País como a amazônica, uma área destas deve ser acrescida de mais 100 mil hectares a título de reserva legal, um tipo de área de conservação que nasceu com o intuito de se permitir a exploração de espécimes nativa, mas que, com a proibição efetiva do manejo, acabou virando área de preservação permanente e intocável. No Sul a situação é ainda mais complicada porque as exigências de áreas de reserva legal são ainda maiores.

A este custo adicional da reserva legal foi acrescida a valorização das terras nos últimos anos pelo boom da agricultura e da pecuária. Há cinco anos, o preço de 1 hectare de terra no Mato Grosso do Sul estava em R$ 1 mil e agora está em R$ 5 mil. No Sul, 1 hectare custa R$ 10 mil. Construir uma nova fábrica pode custar, portanto, um investimento superior a R$ 2,5 bilhões só em terras, o que torna qualquer novo projeto inviável.

Estados onde a terra está mais barata - R$ 500 a R$ 600 o hectare, como no extremo sul do Rio Grande do Sul, no Piauí e no Maranhão - já estão tomados por novos projetos e esta possibilidade também estará esgotada em dez anos, sem falar na valorização que também ocorre por lá. Na região do cerrado, exigências ambientais e de certificação para a madeira deverão impedir a abertura de novas áreas. Na América do Sul, possibilidades de expansão existem no Paraguai e Colômbia, mas somente se houver algum tipo de estabilidade política e política de atração de investimentos que até aqui nunca houve.

Na África, países como Moçambique têm a característica de somente possuir terras públicas, com o que é possível obter uma concessão por 50 anos ou 100 anos sem grandes investimentos. Encerrando-se, portanto, o atual ciclo de investimentos no País, o rumo dos novos projetos certamente será o de se atravessar o Atlântico em busca de regiões inexploradas.

Para abastecer o setor industrial que já possui, no entanto, o Brasil conta com um fator de inegável competência: aumento de produtividade. Não há um levantamento seguro sobre o que existe no País, mas calcula-se que o setor de florestas plantadas ocupe hoje uma área entre 5,5milhões e 6 milhões de hectares que produzem atualmente 150 milhões de toneladas de madeira.

Na época do plantio por incentivos, nos anos 70, a produtividade dessas florestas era muito baixa e, em 1980, não superava 15 metros cúbicos por hectare. Hoje já se aproxima de 40 metros cúbicos por hectare e continua subindo graças à incorporação de tecnologia como a pesquisa de novos clones, melhor preparo do terreno, adubação, usa de transgênicos e outras técnicas que trazem um comportamento econômico de maneira semelhante ao que ocorreu na agricultura brasileira.

Isso quer dizer que estamos produzindo o dobro praticamente na mesma área plantada e a expectativa é dobrar mais uma vez esta produção até 2020, atingindo 300 milhões de toneladas de madeira quase que apenas com ganhos de produtividade. O Brasil desenvolveu e possui a melhor tecnologia do mundo no setor e logo ela estará em outros continentes.


Fonte: Gazeta Mercantil/Celulose Online



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