Facebook Twitter RSS

Notícia

Versão para impressão
A-
A+


29/04/2016

Método canadense de análise dos rios pode ajudar a monitorar desastre de Mariana

Nesta metodologia, as análises vão além das informações químicas, é preciso avaliar todos os indicadores biológicos.

Foto: Fred Loureiro/Secom-ES
Após o desastre de Mariana, muitos órgãos ambientais e pesquisadores brasileiros têm se dedicado a pesquisas sobre a qualidade das águas em rios nacionais. Uma dessas equipes, dispostas a melhorar as metodologias de análise foi até o Canadá para conhecer um método diferente.

A análise nos padrões canadenses se baseia em dois fatores: a importância de  observar os indicadores biológicos e não apenas os físicos e químicos, e a necessidade de uma pesquisa regular, que não seja feita somente após os desastres. Ao longo das últimas semanas, os brasileiros reuniram com servidores da Agência Ambiental Canadense e pesquisadores da Universidade de Alberta, na cidade de Edmonton.

No estado de Alberta, a comitiva brasileira também visitou o Rio Athabasca que, em outubro de 2013, foi poluído pelo rompimento da barragem de uma mina de carvão. Cerca de 680 metros cúbicos de rejeitos atingiram o leito e escoaram por até mil quilômetros. Posteriormente, na cidade de Vancouver, o grupo conheceu de perto as consequências de outra tragédia, ocorrida em 2014, desta vez envolvendo uma mina de cobre e ouro. A recuperação dos rios contou com a colaboração da metodologia de análise canadense. De volta ao Brasil, os pesquisadores trazem na bagagem uma nova aposta: monitoramentos mensais dos peixes e dos sedimentos que se depositam no fundo do rio.

“No Brasil, estamos acostumados a avaliar somente o contaminante. Pegamos amostras das água e dos peixes e dizemos se ali há contaminação acima do permitido pela legislação. Mas isso não é suficiente. Precisamos de indicadores biológicos ou indicadores de efeito, isto é, analisar o comportamento dos contaminantes, do ambiente e dos seres que nele habitam. Porque um contaminante pode estar acima dos limites legais e não estar causando efeito nenhum. E o contrário também pode ocorrer, de um contaminante dentro dos padrões estabelecidos estar causando algum impacto”, explicou o ecologista e toxicologista Fernando Aquinoga.

Sedimentos e peixes

A bióloga Tatiana Furley relatou que os pesquisadores canadenses envolvidos com a tragédia do Rio Athabasca estudaram em detalhes os peixes e os sedimentos. “O sedimento no fundo do rio é o depósito final do contaminante. Sua análise é muito importante, pois ele interfere no comportamento do rio. Os crustáceos comem esse sedimento e depois servem de alimentos aos peixes. Além disso, uma enchente pode, no futuro, movimentar os sedimentos e espalhar novamente o contaminante”, disse.
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Na metodologia canadense, a equipe responsável pelo estudo dos peixes precisa ir muito além da análise química. Não basta apenas coletar amostras para dizer se as espécies estão contaminadas por metais pesados. Cada detalhe é importante. “É preciso observar os números da população, se os animais estão saudáveis, se alimentando, se reproduzindo. Peixes refletem a qualidade da água do rio e uma análise precisa nos diz muita coisa. Devemos observar o fígado, os ovos, as gônadas, o metabolismo. É fundamental analisar se o estresse do ambiente está prejudicando o metabolismo. E fazer também uma comparação das populações de uma parte do rio que sofreu impacto e de outra que não foi afetada”, acrescenta Fernando Aquinoga.

Novo protocolo

Fernando Aquinoga e Tatiana Furley são pesquisadores da Aplysia, uma empresa especializada em avaliação e monitoramento ambiental. Após o rompimento da barragem em Mariana, eles chegaram a fazer estudos no Rio Doce, contratados pela mineradora Samarco. Além dos dois, a comitiva brasileira contou também com o oceanógrafo Felipe Niencheski, professor da Universidade Federal de Rio Grande (Furg). Com base na experiência que têm no Brasil e no que viram no Canadá, o grupo pretende sugerir novo protocolo a ser observado para pesquisas futuras da qualidade das águas das bacias.


Fonte: Agência Brasil



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (0)


CIFlorestas disse:

24/02/2019 às 03:13

Nenhum comentário enviado até o momento.

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

As mais lidas

COLHEITA DE CHUVAS NO CAMPO


Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

Do ponto de vista técnico e operacional, qual é a melhor unidade para comercialização da madeira para carvão?

volume de madeira sólida (metro cúbico)
tonelada de madeira
metro estéreo ou metro de lenha
unidade ou peças de madeira

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


1066 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE   |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey