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09/03/2016

Ao custo de R$ 9 bilhões, nova fábrica da Eldorado estará produzindo no início de 2019

O Brasil passa por uma crise econômica sem precedente em sua história. Os índices de desemprego ultrapassam 9,5 milhões de trabalhadores, – conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essa situação está disseminando em todos os municípios brasileiros, causando um impacto social jamais visto na história do País.

O cenário desolador afeta o cotidiano da sociedade, que sem uma perspectiva positiva, retrai o consumo, contribuindo ainda mais para a estagnação da economia.
A cidade de Três Lagoas também foi castigada pelo calote deixado pelo Consórcio UFN3, no final de 2014. Foi um dos primeiros municípios brasileiros a sentir os efeitos da crise. Na ocasião centenas de fornecedores da Petrobras amargaram um prejuízo de mais de R$ 45 milhões. Alguns meses depois a cidade foi novamente atingida, desta vez pela crise instalada pelo Governo Federal.

Recompensa

Foram tempos difíceis, onde os empresários caloteados fecharam rodovias em protesto contra a empresa. Felizmente, agora, o município está sendo recompensado, com expansão da Fibria, por meio do Projeto Horizonte 2 e da Eldorado, com o Projeto Vanguarda 2.0.
Se somados os dois empreendimentos representam um investimento aproximado de R$ 18 bilhões nos próximos anos no município. No pico das obras serão gerados milhares de empregos diretos, compostos por trabalhadores vindos de diversas regiões do País, que deverão chegar à cidade nos próximos meses.

Abrindo as portas

Para saber como anda o cronograma do Projeto Vanguarda 2.0, na semana passada a reportagem do Perfil News visitou o canteiro de obras da Eldorado Brasil. O gerente geral do Projeto, Antonio Di Pasquale, abriu as portas do complexo, acompanhando a reportagem informando e mostrando os detalhes do empreendimento.

Em julho do ano passado, a equipe do Perfil News esteve no local e registrou os primeiros passos da obra e decorridos sete meses já dá para fazer uma comparação do avanço do cronograma. O local onde está sendo construído o Projeto Vanguarda 2.0 resultará em uma área total de 520.000 m², dos quais a terraplanagem do Platô onde será edificada a fábrica já está concluído. A área onde vai receber as máquinas também já está com estrutura pronta.

Sustentabilidade e cronograma
De acordo com o gerente geral do Projeto, as obras iniciaram em julho do ano passado, priorizando a preparação do terreno, fazendo a eldorado 2terraplanagem. “Todo o material (terra) aplicado na construção do platô foi extraído em jazidas próprias, em área da empresa, de forma sustentável. Não trouxemos um grão de terra de fora da fábrica e preservamos árvores nativas, priorizando o meio ambiente”.

Pasquale disse ainda que mesmo com a temporada de chuvas, o cronograma não foi afetado. Obedecemos o calendário climático de forma de não atrapalhar o andamento das obras. Em julho já iniciam as contratações de mão de obra, porém o pico do cronograma que vai absorver cerca de 10 mil trabalhadores só deverá acontecer no primeiro semestre de 2018.

Enquanto isso, as estruturas para atender o complexo já estão prontas, como o refeitório com capacidade para mais de 5 mil colaboradores, o posto de enfermagem, as catracas de acesso à obra, o pátio de estacionamento de ônibus, entre outros.

Construtor de fábricas

O responsável pelo Projeto Vanguarda 2.0 é o engenheiro e diretor Técnico e Industrial da Eldorado Brasil, Carlos Monteiro, que tem um currículo como um dos maiores profissionais de construção de plantas de celulose da atualidade. Essa será a quinta fábrica erguida sobre sua responsabilidade. Gaúcho, de fala mansa, com 64 anos, dos quais 30 dedicados à construção, ele é grande observador, se atenta aos pequenos detalhes. Foi dele a ideia de deixar uma jazida de terra em frente à fábrica, que já foi removida para a terraplanagem do platô principal. Com a retirada do monte, a fábrica ficou mais visível e o terreno ficará com uma área verde espetacular.

Cerca de 12 profissionais trabalham como cérebros do projeto na equipe de Carlos Monteiro, são eles quem estão desenvolvendo o Vanguarda 2.0. São profissionais que atuam junto com ele há mais de 25 anos e por isso distribui tarefas, confiando nos resultados.

Entrevista exclusiva

Pela segunda vez, ele recebeu com exclusividade a reportagem do Perfil News ressaltando que é o primeiro órgão de comunicação de Mato Grosso do Sul a ter acesso às informações detalhadas sobre o projeto. A primeira vez foi em outubro de 2012, clique no link quando a primeira unidade do empreendimento já estava quase concluída. A segunda vez, com apenas sete meses de obras.

Sempre com resposta pausada, porém objetiva, ele abriu as portas do empreendimento, mostrando como serão obedecidas as etapas do complexo.

Capacidade produtiva

Questionado sobre as expectativas e ao mesmo tempo comparativos, o que se pode esperar da nova unidade, Monteiro foi enfático ao mencionar que a fábrica irá mais do que dobrar a produção de celulose. “A primeira unidade – que foi inaugurada em 2012 – foi projetada para produzir 1,5 milhão de toneladas e já a operamos em ritmo de 1,7 milhão de toneladas. Quando as duas linhas estiverem operando, a capacidade total do complexo chegará a 4 milhões de toneladas de celulose/ano. É um novo desafio, depois do Projeto Eldorado em que começamos do zero, teve um passo grande que agora já está mais estruturados para poder vencê-lo”.

Desafios

Na relação construção/finalização dentro do tempo hábil, podem haver percalços. Porém, para quem é conhecido e considerado dentro do mercado brasileiro e até internacional como um dos maiores construtores de plantas de celulose no mundo, buscar nas experiências um elo para o sucesso. “Cada projeto é um novo desafio e vamos crescendo mais, enquanto as dificuldades só aumentam. Temos que buscar novos métodos, novas oportunidades, pra poder vencer. É evidente que o passado e as experiências te ajudam, mas se você ficar fazendo a mesma coisa terá os mesmos resultados, sempre buscamos melhorar, por isso que é um desafio”.

De acordo com Monteiro, fatores econômicos podem paralisar uma obra como essa, na magnitude que ela é composta. Para isso, explica o que pode intervir neste momento delicado, é a atual conjuntura econômica. “Cada projeto que fazemos é criado um panorama do mercado, tanto o internacional quanto o nacional, que vai desde onde colocar o produto, as condições dele, seu custo, para que seja extremamente competitivo e isso acaba de certa maneira influindo no projeto, na melhoria de tecnologia, de baixar os custos”.

Mão de obra

Um fator positivo no momento é a disponibilidade de mão de obra. É melhor do que quando foi realizado o projeto anterior. “Lembrando que naquela época nós competimos com todas as arenas esportivas por ocasião da Copa do Mundo, que estavam sendo construídas, então o pessoal podia estar construindo o Mineirão, em Belo Horizonte, ou no Rio de Janeiro, o Maracanã, porém trazemos para fazer a fábrica em Três Lagoas”, afirmou.

Naquela ocasião, além da dificuldade anunciada outro fator influenciou e muito no período. “Sofremos bastante com a qualificação de mão de obra. Hoje, com a crise temos um excesso, uma disponibilidade bem maior, que de certa maneira favorecem a execução do projeto” esclareceu.

Mercado exterior

Segundo Carlos Monteiro, a Eldorado Brasil é uma empresa predominantemente exportadora e sua produção é inserida em mais de 90% no mercado internacional. Porém, o mercado tem altas e baixas. Questionado se essa gangorra pode interferir na execução da obra, ele acredita que não e se diz confiante. “Evidente que o preço hoje praticado no mercado nacional está abaixo do que estava antes quando nós startamos essa unidade, mas ainda está em conformidade com os desafios do projeto”, assegurou.

É perceptível que o valor do dólar oscila na casa dos quatro reais, o que para uma obra pode haver gastos além do esperado, o que pode torná-la incompatível, porém mesmo assim, conforme Monteiro, continua viável. “Mesmo que o preço do dólar tenha caído a conversão do dólar em real acaba compensando nos valores de venda do nosso produto para o mercado”.

Parceria de anos

Monteiro está no ramo de celulose há mais de 30 anos, e ao longo desse período tem uma equipe que o acompanha de longa data. Um exemplo é o engenheiro, Antonio Di Pasquale, gerente geral de Projetos, no qual a parceria já se mantém há 26 anos. Indagado se os dois seriam um alicerce que conduz a obra. “De certa maneira o Pasquale é o responsável por toda a infraestrutura do projeto, e é quem eu tenho toda a confiança de tocar esse empreendimento, conforme nós já fizemos vários. Di Pasquale foi um cara que esteve sempre junto comigo”.

Em um momento descontraído, Di Pasquale comenta que para ele o desafio é o que motiva. “No momento profissional em que nós estamos o que nos motiva é isso. É a paixão por construir, por desenvolver novas plantas. Para tudo isso, então eu falo com entusiasmo, assim como Carlos e o nosso grupo todo fala, porque é algo que nos atrai fazer. É prazeroso”!

Aventura financeira

Questionado sobre a desconfiança quando foi lançado a pedra fundamental da primeira unidade do empreendimento, os comentários eram que o projeto era como uma aventura financeira. Atualmente a desconfiança persiste, alguns empresários trazem à tona o questionamento, colocando em dúvida a construção dessa nova unidade. Carlos Monteiro respondeu que “a Eldorado hoje é uma realidade no mercado, e os resultados que ela apresentou em três anos são impressionantes, período em que já começou a dar lucro. Nós saímos de uma relação dívida x EBTIDA de 14 pra 3,7 anos, e este é um resultado fantástico para uma companhia tão nova e com investimento tão agressivo. Isso aí é realmente um case de nível mundial e, além disso, o grupo a qual ela pertence é um grupo que está crescendo todo dia”, certificou.

“A Eldorado faz parte do grupo J&F que teve faturamento acima de 260 bilhões de reais em 2015, com investimentos em diversas unidades em vários países. Hoje é o maior grupo privado do país, passou inclusive a Vale, porém está abaixo da Petrobras, que é uma estatal”.

Impactos da obra

Somente em Três Lagoas, duas unidades em expansão de celulose, Fibria e a Eldorado, que deverão investir nos próximos anos, algo em torno R$ 18 bilhões. Somando inclusive com a Cargill, pode até aumentar, caso dê certo a continuidade da UFN 3, da Petrobras. O município é destaque no Brasil, principalmente em época de crise, é considerado “a bola da vez”.

Monteiro é da opinião de que há uma preocupação em relação ao impacto que pode ocorrer durante a construção simultâneas dessas duas fábricas, na economia do município. “Temos duas preocupações aí. A primeira que, no ramo do papel e celulose, você tem dois grandes fornecedores de tecnologia no mundo, que é a Valmet e a Andritz, então dois projetos simultaneamente, seja no mesmo município ou no país, elas não teriam condições de concorrerem com dois projetos ao mesmo tempo. E em segundo, na própria cidade terá um pico de trabalhadores também pode ter um problema social. A cidade pode ficar impactada com esse fluxo de pessoas”.

Por conta disso, “nós da Eldorado temos muita preocupação com isso, posso te garantir. Nós prosseguiremos com os alojamentos de qualidade, instalando o pessoal e cuidando, tanto aqui, quanto em Selvíria. Para ter uma ideia em 2018, quando acontece o pico do projeto vamos ter cerca de 10 mil trabalhadores no canteiro”.

Pico da obra e contratações

O diretor Industrial destacou ainda que no Projeto Vanguarda 2.0 adotará uma estratégia diferente do que vem sido utilizada nos demais. “Vamos fazer toda a infraestrutura. A partir daí vamos colocar a compra dos principais pacotes de tecnologia. Iremos liberar a parte de engenharia de detalhamento desses pacotes. Vamos liberar de quatro a seis meses depois. Com toda a engenharia pronta. Nós vamos ao mercado detalhar com as montadoras e as construtoras. Liberaremos para fazer a manufatura, começar a fabricação dos equipamentos. Então o cronograma está previsto em um total de 36 meses. A nossa expectativa para esse novo projeto, que é maior, fique em torno de 27 meses para ser concluído”.

Em plena produção

Com o tempo estimado de 27 meses (2 anos e três meses) para a construção do projeto, a nova unidade já possui um período de início de produção. A previsão é que seja no primeiro trimestre de 2019.

Sobre o ápice do projeto, Monteiro não causa alarde e sim tranquiliza. “Não vamos ter dois picos como o pessoal está preocupado.”, comunicou.

Quando a questão é de qual é a porcentagem da obra até o momento, Carlos fala em resultados animadores, apesar do pouco período de construção. “A parte de estrutura e terraplanagem representa pouco, perto do tamanho do investimento, tanto em termos de custo, quanto também de curva de empreendimento, mas nós devemos estar em torno de 5% ou 6%. Se for falar só dessa fase (terraplanagem e infraestrutura), sem contar o complexo como um todo, nós devemos estar em 75%”.

Durante a terraplanagem foi necessário que houvesse a remoção de grande quantidade de terra, para que se tornasse plano. Para tal, foi comparado à remoção de uma montanha, porém tudo foi aproveitada da jazida, como conta Monteiro. “Toda essa nossa terraplanagem não teve um grão de areia que entrou na fábrica. É toda interna. Em termos de sustentabilidade é 100%. Não tivemos nenhuma mina externa, não derrubamos nenhuma mata. O que nós fizemos foi tirar de um lugar e levar para outro. Pretendemos fazer um bosque e uma trilha onde antes estava o morro, o projeto é bem legal”, diz entusiasmado e orgulho do trabalho realizado.


Fonte: Perfil News / Adaptado por CeluloseOnline



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