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22/10/2015

Silvicultura - Nelson Barboza Leite - Silvicultura: do balão aos transgênicos!

Foto: Celulose Online

O salto foi espetacular! Por volta dos anos 70, a grande preocupação da silvicultura era encontrar sementes de qualidade para serem utilizadas nos projetos de reflorestamento. Na ocasião, através dos incentivos fiscais, o Brasil plantava por volta de 400.000 ha/ano. Quase tudo de eucalipto e pinus. Cerca de 80% de eucalipto! É fácil imaginar o tamanho da encrenca. Mais de 1.000 empresas de reflorestamento disputavam as cartas-consultas, apresentavam seus projetos e partiam para o plantio. E para os mais variados cantos! Florestas para o Programa Nacional de Celulose e Papel, formalmente reconhecido no Programa Nacional de Desenvolvimento Setorial e para o Programa Nacional de Siderurgia a Carvão Vegetal – esse eu não sei se constava no PNDS, mas os reflorestadores e o próprio IBDF, assim consideravam.

Nessa tocada, a política de incentivos fiscais, iniciada em 67/68, em poucos anos, cresceu, rapidamente, para área plantada de quase 2 milhões de hectares! Sementes de eucalipto, de beira de estradas, ou na melhor hipótese, do Horto de Rio Claro.

Os plantios de pinus na grande maioria eram realizados com sementes importadas. Aparentemente, essas espécies com mais plantios no sul do Brasil, pareciam menos sensíveis à qualidade genética das sementes. As florestas de eucaliptos, no entanto, apresentavam baixa produtividade e enorme desuniformidade. Aqui, entra a grande contribuição da Duratex e daChampion Celulose e Papel (a atual International Paper). Essas empresas iniciaram plantios com sementes de E. grandis, importadas da Austrália e os resultados foram espetaculares. Florestas bastante uniformes e produtividade quase que dobrada! Um salto memorável da silvicultura.

Daí, mais uma sequência de trabalhos importantes com mais importações e coleta em novas áreas selecionadas. E entre muitas colaborações, há de se destacar o incansável trabalho do IPEF, sob a tutela de Walter Suiter e de José Zani Filho. Com a chancela do IBDF, através de Portaria Normativa, incentivando o uso de sementes melhoradas, o Eng. Zani, então responsável pelos serviços de campo do IPEF, colheu dezenas de toneladas de sementes para comercialização. Dos 5 milhões de hectares estimados como plantios incentivados, seguramente, mais de 40%  foram  formados com material genético de melhor qualidade, originado dos trabalhos do IPEF.

É fácil perceber o tamanho do benefício à silvicultura brasileira. É importante salientar a brilhante colaboração de inúmeros profissionais, nessa fase de desenvolvimento do setor. Caberão muitos registros!  Na verdade, essa “semente melhorada” salvou grande parte dos plantios realizados com incentivos fiscais! Foi nessa corrida por melhor material, e em função das dificuldades operacionais de subir e descer de árvores gigantescas, que surgiu “o balão” para alçar o colhedor e facilitar o trabalho de coleta de sementes.  O colhedor subia amarrado pela cintura e o balão permanecia preso e controlado, do chão, por uma cordinha! Parecia uma descoberta maravilhosa. Rendeu uma reunião conjunta das empresas do IPEF, em Mogi Guaçu (SP). Com muitas sugestões e tremenda frustração no dia da apresentação. Manobras e enormes dificuldades, e o “balão”, nesse dia, não subiu! Virou piada, dentro do IPEF, e de vez em quando, surgiam candidatos para serem alçados pelo balão, mas sem a cordinha! Essa fase “das sementes melhoradas” deu origem a amplos programas de pesquisas, seleção de matrizes, introduções de espécies e procedências e por aí vai…  As produtividades foram crescendo e, de repente, surgiram os clones.

Nova disparada, diversas contribuições e, mais uma vez, estamos chegando a num novo patamar:os transgênicos! Muita lenha se queimou, e há muita gente dizendo, que ainda há muita lenha para se queimar, até que se possa consolidar essa posição! Mas a silvicultura continua crescendo firme e forte!
* Nelson Barboza Leite é engenheiro agrônomo – silvicultor e atualmente Diretor da Teca Empreendimentos Florestais e Daplan Florestal. Trabalhou em empresas florestais, indústrias, instituições de pesquisas e presidiu a SBS. Também foi Diretor Florestal da ECO Brasil Florestas. (Contato: nbleite@uol.com.br)


Fonte: NELSON B, LEITE - SILVICULTURA / Celulose Online



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