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18/08/2015

Eucalipto vira opção à cana-de-açúcar em regiões do Nordeste

Até 2018, cultivo deve ocupar 20 mil hectares antes dedicados à gramínea em Pernambuco e Alagoas.

Renato Cunha, do Sindaçucar, diz que colheita de cana em áreas acidentadas dificulta mecanização e estimula troca.

Com metade de suas áreas de cana-de-açúcar cultivada em regiões muito acidentadas, o Nordeste do país tenta descobrir outras vocações para seus canaviais. Estudos já indicaram algum potencial imobiliário, ou turístico, e o mais recente, aponta alguma viabilidade para o cultivo de sorgo. No entanto, nos últimos anos, o que começou a ser implantado de forma mais consistente foi o plantio de eucalipto, para uso na produção de energia e de móveis. A previsão é de que até 2018 o cultivo florestal ocupe uma área antes dedicada à cana de 20 mil hectares em Pernambuco e Alagoas, principais regiões canavieiras do Nordeste.

Cerca de metade da atual área de cana desses dois Estados tem alguma limitação para permanência da cultura. Juntos, eles somam 800 mil hectares de canaviais, dos quais ao menos 390 mil hectares estão em regiões acidentadas, o que torna difícil implementar a mecanização. Nessa condição, a colheita de cana nessas áreas demanda um contingente alto de pessoas no corte, cerca de seis trabalhadores por mil toneladas colhidas, ante o índice inferior a duas pessoas do corte mecanizado, diz o presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar e Álcool (Sindaçucar) de Pernambuco, Renato Cunha.

O projeto mais recente de cultivo de eucalipto começou a ser implantado neste mês, na Usina Petribu, em Pernambuco. Serão 2 mil hectares em terras próprias e outros mil hectares em área de fornecedores. O objetivo da empresa é cultivar 18 mil hectares em seis anos.

O foco, conforme o presidente do grupo, Jorge Petribu, é usar o eucalipto como matéria-prima para ampliar a produção de eletricidade. A estimativa da empresa é de, até 2021, ter uma produção anual de 400 mil toneladas de madeira picada com as quais serão geradas 400 megawatts (MW)/hora/ano. O grupo já detém uma planta de cogeração com capacidade de 69 MW e na qual usa o bagaço da cana como matéria-prima.

"Em vez de produzirmos energia nos seis meses da safra da cana, vamos gerar bioeletricidade durante todo o ano", afirma Petribu. Ele observa que a geração de energia responde atualmente por 30% da receita do grupo. Com o uso da biomassa do eucalipto, essa participação deve subir para uma fatia de 50% no início da próxima década.

Conforme informações do Sindaçúcar, a capacidade instalada de produção de eletricidade a partir de biomassa em Pernambuco é de 300 MW, sendo que o excedente para venda é da ordem de 125 MW.

O pioneiro nessa frente no Nordeste foi o Grupo Carlos Lyra, que iniciou o cultivo de eucalipto há três anos. A empresa decidiu utilizar a madeira na produção de móveis. Atualmente, são 4,5 mil hectares de eucalipto cultivados em áreas de encosta da Unidade Cachoeira, localizada na zona rural de Maceió.

O grupo sucroalcooleiro fez uma parceria com a indústria de madeira Duratex, criando uma nova empresa, a Caetex. O plano é expandir a área atual com eucalipto para 13,5 mil hectares até 2021. O projeto contempla também a construção de uma fábrica de móveis. O grupo Carlos Lyra tem moagem por safra de 5 milhões de toneladas de cana em Alagoas e 2,5 milhões no Estado de São Paulo.


Fonte: Valor Econômico



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