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14/04/2015

Psicotrópico para a Ressurreição Mitológica Florestal

Por Sebastião Renato Valverde

Durante anos, as plantações florestais foram alvo de críticas infundadas sobre possíveis impactos sociais e ambientais. Estas foram sustentadas por preconceitos ideológicos decertas minorias autoritárias, raivosas e sórdidas que insistiam na hipótese de que tais plantios secavam o solo, acidificavam o terreno, empobreciam a terra, afugentavam a fauna, entre outras sandices maquiavélicas.
Certamente, quando iniciaram os reflorestamentos no Brasil, havia vácuos sobre o conhecimento deste assunto que acabaram induzindo as pessoas – com a louvável preocupação ambiental - a acreditarem nestas críticas. Porém, boa parte dos críticos visava apenasdividendos políticos e financeiros.
Como enfrentamento destas insanidades, as lideranças do setor florestal promoveram uma força-tarefa para desmitificação dessas crenças por meio de palestras e publicidades. O êxito foi tal que ascríticas diluíram-se. Entretanto, a seca que assola o sudeste brasileiro e suas regiões lindeiras ressuscita algumas condenações à silvicultura, sobretudo às relacionadas aos recursos hídricos. Fatoque exige da academia uma explicação mais robusta e convincente.
É lógico que nada se compara às funções ambientais de uma floresta nativa, assim como não procedem quaisquer comparações entre o papel da plantação florestal com o da agricultura, haja vista que os produtos florestais e os agrícolas não são excludentes entre si. São ambos, sem se apegar a status de supremacia, vitais ao bem estar social.
No entanto, se considerar que, desde 1990, não se desmata para reflorestar nestas regiões, pois só se planta onde há pastagens subutilizadas – que no Brasil excede a 30 milhões de hectares - dificilmente a introdução da silvicultura pioraqualquer cenário social, econômico e ambiental. Pelo contrário, só melhora.
O fato é que, nestas áreas subutilizadas, reina a degradação generalizada. Se considerar que não se substitui culturas de curto prazo rentáveis pela silvicultura de ciclo longo, a implantação florestal resulta em benefícios para o ambiente e a comunidade. 
A plantação florestal, na maioria dos casos, consome a quantidade de água excedente ao que ela deposita no solo comparada com a vegetação que ela substituiu - geralmente, pastagem em péssimas condições. Obviamente, um péssimo manejoflorestal também pode resultar num prejuízo ambiental, porém, algo que não deve ser creditado a ela (plantação florestal), mas sim ao modus operandis equivocado.
Ao revés, um bom manejo florestal resultará em melhorias significativas no tocante ao regime hídrico local e ao aumento da produção de madeira proporcional à disponibilidade de água. Em geral, o balanço hídrico resultante pelas plantações florestais é positivo, haja vista que elas consomem menos que o que armazenam no solo.
Ainda que as plantações florestais, como outras culturas, absorvam grande quantidade de água, sobretudo as espécies do gênero Eucalyptus, sabe-se que nenhuma outra espécie é tão eficiente por litro de água quanto às deste gênero. Outras espécies consomem menos, porém dependeriam de uma área muito maior que os atuais 6 (seis) milhões de hectares para produzir a mesma quantidade de madeira.
Mito ou fato, o importante é que este assunto seja exaurido pela comunidade técnica e científica florestal para que não fique “pedra sobre pedra” sobre o mesmo. Urge que se crie um grupo multidisciplinar formado por professores, pesquisadores e técnicos para trabalhar com a temática das plantações florestais e suas relações com a água, biodiversidade, fauna, comunidade, etc., antes que um aventureiro deturpe os fatos.
Entendendo que o perfil topográfico predominante no, agora seco, sudeste brasileiro assemelha-se à imagem de uma bacia hidrográfica, a formação de um mosaico florestal constituído de talhões manejadossob rodízio anual, respeitando as áreas de preservação permanente, refletirá em ganhos hidrológicos significativos, caso a bacia fosse ocupada com pastagens, mesmo que bem manejadas. O que não significa aboli-las da paisagem, pois, hipocrisia à parte, a humanidade depende, ad eternum, de leite e carne. 
A cobertura florestal, sobretudo a partir do segundo ano de plantio, diminui o impacto da gota da chuva no solo que é interceptada pela copa e pela serapilheira, possibilita a infiltração, diminui a vazão máxima das chuvas na bacia e evita erosão. Consequência: aumento do estoque de água no solo e regulariza a vazão.
Não precisa ser Engenheiro Florestal para saber que a conversão de pastagem em floresta diminui o escoamento subsuperficial e aumenta a recarga no lençol freático. Mas, para praticar a silvicultura em conformidade com os princípios do bom manejo das bacias hidrográficas é fundamental a presença deste Engenheiro.
Enfim, sabe-se o quanto é desgastante conviver com estas agruras mitológicas contra os reflorestamentos. Haja paciência! Pior ainda é imaginar que tais mitos e crendices foram a essência hermenêutica para a constituição de boa parte das legislações que atravancam o progresso do setor florestal. Vide a norma do licenciamento que, por asnice, classifica a atividade de silvicultura como de Médio Impacto, obrigando-a a passar por todo processo cartorial, burocrático e oneroso do EIA/RIMA.
Só de pensar nisso, dá um calafrio. Mas, há que se lutar sem perder a ternura nesta guerra ideológica, cabendo a cada floresteiro, sem o uso de barbitúricos, debater de forma franca e clara a ressurreição destes mitos. Informações convincentes e robustas têm de sobra. Basta investigar.
 


Fonte: Celulose Online - Autorizada pelo autor



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