Facebook Twitter RSS

Avanço e Pesquisa

Versão para impressão
A-
A+


02/10/2014

Desafios para a produção de biocombustíveis de madeira

Em entrevista, o professor Jorge Luiz Colodette, da UFV também coordenador do Laboratório de Celulose e Papel da UFV, explica de que forma o material é produzido e os principais desafios

Professor Jorge Luiz Colodette
A produção de celulose para a fabricação de papel teve um decréscimo em escala mundial nos últimos anos devido à tendência da substituição de papel pelas mídias online. Por outro lado, esta queda na produção possibilitou ao Brasil despontar no setor como um dos líderes no segmento, já que a nossa produção pouco se alterou neste período.

Pensando em alternativas para utilização da celulose produzida no Brasil, a partir do final da década de 90 e início dos anos 2000, houve uma grande tendência de investimentos em biorrefinarias, já que os combustíveis produzidos por estas são ecologicamente mais interessantes do que aqueles de origem fóssil.

O etanol celulóstico, combustível feito a partir da biomassa excedente da celulose, ainda está em fase de pesquisa. Na Universidade Federal de Viçosa (UFV) existe o Laboratório de Celulose e Papel especializado em pesquisas para o melhoramento da qualidade da celulose e na produção de biocombustíveis. Em entrevista, o professor Jorge Luiz Colodette, também coordenador do laboratório, explica de que forma o material é produzido e os principais desafios:

Como é produzido o etanol celulóstico?
A nossa produção utiliza um processo misto de pré-tratamento da biomassa envolvendo o vapor, que de certa forma pode ser considerado tradicional. Nós fazemos um pré-tratamento térmico seguido de pré-tratamento com hidróxido de amônio, que apresentou ótimos resultados, com muito mais eficiência no processo produtivo, quando comparado à adoção apenas da primeira etapa. Após essa dupla fase, fazemos o tratamento enzimático e por fim a fermentação.

Como o Laboratório de Celulose e Papel da UFV pesquisa o assunto?
Há quatro anos o laboratório da UFV e outros do mesmo segmento no Brasil conquistou um projeto financiado pela União Europeia com valor total de 5 milhões de Euros. Isso possibilitou que trabalhássemos nessa área. Hoje nós temos a nossa linha de pesquisa voltada para produção de biocombustíveis e é muito forte: nós abordamos desde a produção da madeira até o produto final. Temos processos próprios de tratamento da madeira que têm apresentado resultados muito significativos.

Por que o Brasil deve investir na área de biocombustíveis de madeira?
Nós temos uma indústria pujante, com grandes projetos na área de celulose e papel. Como os países como Estados Unidos e Canadá têm apresentado grande queda na produção por não ser mais um setor interessante para eles, é a oportunidade do Brasil investir nesta área. Existe uma tendência muito grande de substituição de papel pelas mídias online, porque o papel ocupa muito espaço e gera um trabalho muitas vezes desnecessário, por isso a necessidade de buscar outras formas de aproveitamento da celulose.

Como as indústrias estão produzindo o biocombustível?
As empresas brasileiras que estão produzindo o biocombustível de madeira estão aliando sua produção ao etanol tradicional. Dessa forma, durante o processo de produção os dois líquidos se misturam, formando um único produto.

Existe alguma vantagem na produção do etanol celulóstico se comparado ao tradicional?
Basicamente não tem. O produto é o mesmo e apresenta o mesmo desempenho. A única vantagem, do ponto de vista filosófico, é que a produção de madeira não ocupa áreas destinadas à agricultura, já que a produção de cana-de-açúcar compete muitas vezes com a produção de alimentos. Se comparado à gasolina, os dois biocombustíveis apresentam o mesmo desempenho.

Qual o principal desafio da produção do etanol a base de celulose?
A produção deste biocombustível ainda é um processo antieconômico, pois hoje a produção de etanol de madeira ainda não desperta o interesse em grandes empresas devido à falta de competitividade com a gasolina. No Brasil, o etanol de cana-de-açúcar, e o etanol de amido nos Estados Unidos ainda são mais atrativos economicamente. Além disso, o processo em geral produz muitos resíduos, como a lignina, cujo aproveitamento ainda é escasso. Outro grande desafio para a produção do etanol-celulose é a queda nos custos de produção e umas das alternativas é a redução do custo da matéria-prima que compõe cerca de 40% do custo total da produção. Este é um caminho longo, já que o bagaço da madeira precisa passar por três fases de processamento, enquanto a cana-de-açúcar, apenas uma.


Fonte: Janaína Campos/AMP Comunica



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (0)


CIFlorestas disse:

14/12/2019 às 12:47

Nenhum comentário enviado até o momento.

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

As mais lidas


Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

O que você acha da implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR)?

Trará benefícios aos produtores rurais
Trará benefícios ao meio ambiente
Trará benefícios apenas para o governo
Trará benefícios aos produtores rurais, ao meio ambiente e ao governo
Não muda a situação dos produtores rurais, nem do meio ambiente

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


2150 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE  |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey